Limites e Reflexões

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O vento batia forte lá fora, as gotas de chuva deixavam sua marca no vidro da janela e eu continuava no mesmo lugar em que ele me deixou depois que tivemos uma discussão.

Isso não era frequente, na maioria das vezes conseguíamos resolver qualquer problema no diálogo. Essa sempre foi uma característica que eu admirei sobre nosso relacionamento.

Obviamente temos nossos conflitos. Assim coma uma parte minha se manifesta submissa, sente prazer em ser controlada. Uma parte dele, como dominador,  necessita estar no controle. Dominar tudo ao seu redor. E como uma mulher que aprecia sua liberdade e independência isso não é aceito de bom grado sempre. Veja bem, eu sou uma submissa e não tenho vergonha alguma disso. Eu me sinto completamente satisfeita nessa pele.  E, naturalmente, isso exige um nível de entrega e confiança que precisamos alimentar. Mas a minha mente nem sempre é um mar calmo sobre isso.

No início, quando comecei a conhecer sobre o BDSM sentia culpa e vergonha. Achava que estava me diminuindo como mulher e manchando minha liberdade. Achava que as minhas fantasias sexuais, regadas de sexo sujo e dominação eram erradas. Que esses tipos de desejos eram a porta de entrada para relacionamentos abusivos. Como eu poderia sentir tanto tesão em algo desse tipo?

Com o tempo fui percebendo que quando se trata de sexo, desejo, os limites do que são socialmente aceitos ou não,  ou até mesmo do que nossas concepções e ideologias aceitam ou não, ficam distorcidos. Apagados pelo tesão cru e primitivo. O ser humano é um bicho singular. Vive e morre por coisas que nem ele mesmo compreende.

Hoje entendo que não existe fraqueza ou abuso na submissão. Não quando ela é dada de bom grado.  Quando os limites são respeitados. É preciso muita coragem para se entregar tão intimamente a alguém. Permitir que esse outro tenha controle sobre você. Essa entrega é sagrada. Tem alicerce na confiança e no respeito.

Quando entendi isso um mundo novo me abraçou. Me permiti gozar, chorar e sorrir nos caminhas que os meus desejos e impulsos me levaram. Aprendi muito sobre os meus desejos como mulher. Sobre o que me satisfaz. Inclusive, hoje sei que o sexo dessa maneira não é o único que me completa. O meu tesão não se resume a isso. Ele é diverso e imprevisível. Não é incrível isso?

Meus devaneios são interrompidos por braços me envolvendo, sinto o seu corpo próximo ao meu, a respiração pesada.

"Estava de cabeça quente e acabei levando isso para a nossa discussão. Você tem razão, eu não preciso ditar sobre o que você deve ou não vestir. Não estavamos em uma de nossas sessões. Essa decisão é sua e isso sempre foi estabelecido entre nós. Sempre conversamos sobre limites e hoje eu ultrapassei um." Ele me virou, colocou as duas mãos no meu rosto e depositou um beijo na minha testa "Me desculpe "

Envolvi meus braços ao redor dele, abraçando-o. Encostei a cabeça no seu ombro e respirei fundo " Sim, você ultrapassou um limite hoje e eu fiquei muito magoada. Eu acredito em você, nas suas desculpas. Promete que não vamos voltar a isso novamente?! "

"Não vamos" ele falou apertando nosso abraço. Senti sua mão enroscar no meu cabelo "Agora, de joelhos, eu sempre fico louco pra foder sua boca atrevida quanto discutimos. Vou foder fora essa sua ousadia"

Foi inevitável, uma onda de prazer percorreu o meu corpo com suas palavras repentinas. Me ajoelhei e olhei para cima vendo seu rosto, ali reconheci os sentimentos que me eram tão familiares. Não existiam dúvidas ou dilemas nesses momentos. Só eu, ele e o prazer que dávamos um ao outro. Um sorriso leve se espalhou no canto da minha boca. Eu também adorava quando ele fodia minha boca grande depois de uma discussão.

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