Capítulo 05: Hofnie, a lutadora de Deus

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Despertei um pouco desnorteada e demorei um tempo para me lembrar de onde estava. Suspirei profundamente e me espreguicei. A conversa do dia anterior se desenrolava lentamente pela minha memória. Resmunguei, pois não queria que esse fosse um dos meus primeiros pensamentos, logo após de acordar de um sonho tão agitado e incoerente.

Minha vida estava um caos.

Não conseguia mais saber o que era realidade. Depois de tudo o que ficara sabendo ontem... Sentia dificuldade em conseguir pensar em minha vida por muito tempo. Tudo parecia uma mentira e, ao mesmo tempo, tão verdadeiro. Tinha a impressão que, até aquele momento, tudo o que eu vivera, não passara de uma ilusão boba e que, somente agora, eu conseguia dar algum sentido a alguma coisa que me faltava, mas que eu não fazia ideia, até o momento, que me carecia.

Era estranho tentar explicar a sensação...

Eu não era eu, porém, nunca deixei de ser quem eu era antes, então, mesmo sendo o que sou agora, continuo sendo eu mesma e...

- AAAAAAAAAAAH, CHEGA! – disse irritada comigo mesma, sentando bruscamente na cama. Não havia motivo para tentar explicar mais do que já havia sido explicado ontem.

Como Mica havia me orientado, antes de me despedir para ir dormir: "é melhor não pensar muito, senão pode enlouquecer. Deixe que com o tempo as peças se encaixem naturalmente.". Acho que isso seria o mais sensato a se fazer agora.

Tomando coragem, me levantei, separei minhas roupas e produtos para higiene e fui até o banheiro tomar um bom banho. Fiz tudo o possível para não pensar em nada e, sempre que minha mente tentava me trair, eu a conduzia para alguma coisa idiota e irrelevante.

Ao sair do banho, mais relaxada e satisfeita por estar limpa e cheirosa, larguei minhas coisas no quarto e fui levar minha toalha até a lavanderia para coloca-la na secadora, já que, por enquanto, não dava para estendê-la no sol, pois o dia estava completamente nublado e gelado.

Durante a minha rápida passada pelo quarto, peguei meus fones de ouvido, os conectei em meu celular e fui até lavanderia ouvindo uma ótima seleção musical. E, ao constatar que não havia ninguém por perto, comecei a cantarolar algumas músicas e arriscar alguns movimentos, que eu julgo serem de dança. Praticamente, dei um espetáculo da porta do meu quarto até a secadora.

Arremessei minha toalha lá dentro, me certifiquei de que havia outras peças ali, o suficiente para colocar a máquina para trabalhar. Ajustei o que precisava e apertei o botão de start com um movimento teatral, ainda seguindo o ritmo das músicas que estava ouvindo.

Quando girei nos calcanhares para sair dali e ir rumo ao meu café da manhã, eu congelei.

Parado à porta, encostado casualmente no batente e de braços cruzados, estava um garoto loiro e de incríveis olhos castanhos dourados me observando.

- Hm... Bom dia, Daniel. – resmunguei, sutilmente arrancando um dos fones.

- Bom dia, Lara. – percebi que seus lábios tremiam um pouco, lutando contra um sorriso jocoso. – Se deu bem com a secadora?

- Uhum... – dei um sorriso amarelo. – Ela é bem fácil de mexer.

- Que bom. – ele me mediu de cima a baixo. – Pronta para o café da manhã? O Gabe está preparando algumas panquecas no estilo Americano.

- Sério? – esqueci-me completamente do constrangimento e senti meus olhos brilharem. – E teremos cobertura também?

- Eu preparei algumas na noite passada. – respondeu dando de ombros. – Se você gostar, pode usá-las.

- Obrigada, Daniel! – me controlei para não dar um pulo de alegria. Há tempos que eu morria de vontade de experimentar este tipo de panqueca. – Vocês são incríveis!

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