4º Capítulo: A fuga para um mundo novo!

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- Você terá que saltar, Katherine! — Ângelo sussurrou forte. Estava atentamente observando a garota se ajeitar no topo do muro.

Os dois haviam conseguido burlar as freiras vigilantes e escapar por um dos jardins. Estavam tentando saltar pelo muro externo, rumo à liberdade. Ângelo ajudara Katherine a subir e, uma vez no topo, ele saltara antes, para poder ampará-la na descida também. E, agora, o homem incentivava a mulher a segui-lo.

- Calma... — resmungou. Para ele, o movimento havia sido leve e continuo, contudo, para ela, a ação não parecia tão fácil quanto o garoto a fizera acreditar.

Katherine respirou fundo várias vezes, evitando olhar para baixo. O muro não era tão alto assim e ela não possuía medo algum de alturas, no entanto, a expectativa de poder realizar um sonho era tão grande que a deixava nervosa demais. Tudo parecia tão simples... A liberdade estava logo ali e bastava apenas um salto de fé para conquista-la. E como nada na vida da garota havia sido facilmente conquistado, a facilidade daquilo a assustava.

Arremessou as sacolas que ainda estavam presas em seus ombros e estralou o pescoço. Ainda sentada, jogou as duas pernas para o vazio, agarrou-se ao muro e se preparou para pular.

- Acho bom me segurar, Ângelo! — sorriu. — Não quero recomeçar a minha vida com uma perna quebrada.

- Não se preocupe, meu Bluebird. — ergueu os braços. — Eu jamais a deixaria escapar de meus braços. — retribuiu o sorriso e chamou-a com um movimento das mãos. — Agora venha, antes que crie asas aí em cima e saia voando para longe de mim.

- Já lhe disseram que você é galanteador demais? — inclinou-se para o vazio.

- E já lhe disseram que você enrola demais? — retrucou. — Vamos! Meus braços já estão cansados, Katherine.

- Um... — murmurou entre suspiros. — Dois...

- Três! — preparou-se para o impacto.

Ela soltou o corpo e se deixou cair. Descobriu que a sensação da queda não era totalmente ruim. Manteve os olhos bem abertos e não os desgrudou do olhar jade a sua frente. O coração disparou loucamente em seu peito e o ar ficara preso em seus pulmões. Katherine nunca havia se sentido tão livre em toda a sua vida!


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- Mil perdões, Ângelo! — Katherine refazia os curativos pelo corpo do garoto, sentindo um enorme peso na consciência a cada careta que ele fazia.

- Não precisa se desculpar tanto. — tentou dar o seu melhor sorriso. — Isso daqui não é nada. Já estive muito pior do que isso. Aguento fácil.

- Eu não deveria ter pulado daquele jeito sobre você. — mordeu o lábio. — Devia ter me virado sozinha.

- Fui eu quem sugeriu ajuda-la com a descida. — tentou tranquiliza-la. — Agora, pare de se martirizar.

- Mas, por culpa minha, os seus ferimentos abriram de novo! — ergueu o tom de voz, exasperada.

- Katherine... — agarrou as mãos da garota, antes que ela pudesse terminar de prender as ataduras.

- Ângelo! — repreendeu-o com uma careta. Todo o seu trabalho de refazer os curativos estava se desfazendo diante de seus olhos.

- Ignore isso e me escute, sim? — com um das mãos, puxou o queixo dela, obrigando-a a encará-lo. — Pare de se desculpar tanto. Pare de se preocupar tanto. — sorriu mais uma vez. — Não fiz aquilo somente por você, o fiz por mim também. Sou homem e me sinto no dever de cuidar de meu passarinho. Agindo assim, você despreza o meu esforço e isso, minha cara, machuca o ego masculino, sabia?

A Protegida e o PríncipeLeia esta história GRATUITAMENTE!