Capítulo 1 - Família Kaliman

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– Onde você estava ontem à noite? - A voz forte e vibrante do Sr. Kaliman soou pelos corredores da enorme e elegante mansão da família onde os dois homens  moravam, o casarão ficava na melhor localidade, no centro de um dos pontos turísticos da cidade.

– João Paulo! – Seu pai falou bem alto, sua voz ecoou pelos corredores novamente.

Ninguém costumava falar seu nome em voz alta, até por que ele odiava... João Paulo Kaliman, o famoso JP, não era ninguém diante do próprio pai, Kaled Kaliman, rico, influente, mas mau humorado, carrancudo e autoritário, um homem que dava mais valor na conta do banco do que na própria família, tanto que já era divorciado...

– O que foi? – Murmurou JP, tonto, confuso e perdido no meio do edredom.

– Responda!

JP grunhiu.

– Em uma festa. Bebendo. Me divertindo. Por quê? - Ele falou pausadamente, ouvindo sua própria voz ecoando pelo seu cérebro e lhe dando uma terrível dor de cabeça.

Kaled o olhava, furioso. Quando JP se deu conta do que acontecia, tratou de, no mínimo, se sentar na cama. Seu cabelo estava todo desalinhado, sua cara transparecia ressaca e seu quarto fedia a pinga. JP era um filhinho de papai metido a gostosão, vivia em balada gastando a mesada que ganhava do pai, mas já não tinha mais idade para ganhar dinheiro de graça.

Mesmo sendo o caçula, JP não teria mesada para sempre e preciava arranjar um emprego, antes que Kaled decidisse o mandar catar coquinho na beira do brejo... e sim, o pai de JP seria capaz de expulsar o filho de casa sem pensar duas vezes...

– Levanta, moleque! – Gritou Kaled, dando uns tapas na cabeça de JP. Seu pai já não tinha paciência.

– Ai, ai, pai! O que foi que eu fiz?

– Foi o que não fez, moleque!

Kaled foi dando tapas em JP até chegarem ao banheiro, o coitado ficou vermelho por conta das pancadas.

– Vê se toma um banho e vá trabalhar!

– Espera, o quê?

– Não ouviu não, moleque?

JP odiava que gritassem com ele. Ainda mais seu pai.

– Eu não tenho emprego, esqueceu?

– Agora tem!

JP ficou mais confuso do que já estava.

– Pai, mas...

Kaled já estava com a mão na maçaneta da porta para sair dali o quanto antes e JP ia atrás, choramingando feito criança mimada.

– Pai, por favor...

– Já está mais do que na hora de você largar de ser vagabundo e se comportar como um homem!

– Não  posso trabalhar...

– Não que trabalhar? Então, o que você quer?

– Que me deixe em paz...- ele murmurou baixinho.

– O quê?

–Ah... nada!

Kaled deu de ombros.

– Você vai começar em um emprego digno ainda hoje.

Kaled gritava pelos corredores principais da casa, enquanto JP andava atrás dele, só de cueca, até chegar do lado de fora da casa.

– Isso quer dizer o quê?

Kaled se virou para JP abruptamente, enquanto abria a porta do carro.

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