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Era tarde da noite em São Paulo. O frio era cortante e a chuva caía forte do lado de fora da casa. A menina, com apenas dez anos ainda se recusava a dormir. Estava em seu pijama de flanela se pendurando nos ombros de seu pai quando ele tentava deitá-la na cama.

— Eu não estou com sono. – ela dizia com os braços em volta do pescoço do pai com a cabeça jogada para trás.

— Isso é impossível! Você passou o dia todo correndo e pulando – o pai dela começou a falar enquanto desgrudava – um de seus braços de seu pescoço – Você tem que estar com sono. Eu estou com sono só de te olhar.

Ela soltou o pescoço dele e caiu com tudo em cima da cama, gargalhando enquanto ele sorria e arfava sentando ao lado dela na cama.

— Hora de nanar! – ele disse ao cobri-la.

— Papai – a menina resmungou – Eu já tenho dez anos. Eu já estou muito velha para ir "nanar".

— Pois é, você já é uma moça. – Agora foi a mãe dela que disse, aparecendo na porta.

A mãe dela chegou perto de seu pai, que segurou as mãos dela e beijou cada palma das mãos de sua esposa, antes de beijar a garotinha.

A menina estava encantada com aquela visão. Com aquele olhar que um dava para o outro. Depois de tantos filmes de príncipes e princesas, era lindo ver que aqueles casais podiam ser reais. Que existia um casal como aquele bem na sua frente.

— Mãe, pai... Eu vou achar um marido assim, e ser feliz com ele igual a vocês dois? – ela perguntou inocente.

— Claro que vai, meu amor! – a mãe disse.

— Mas espero que demore bastante. – O pai se intrometeu sorrindo – Boa noite, princesa – Deu um beijo nela, e saiu do quarto deixando ela sozinha com a mãe.

— Você ama o papai, mãe? – a menina perguntou, e a mãe sorriu.

— Amo, filha.

— E como você sabe que é amor? Como é sentir isso?

— Você vai saber quando sentir. – a mãe cutucou a barriga da menina que sorriu – O amor é o que há de mais bonito no mundo. É o que você tem que levar sempre no seu coração. É o que faz tudo ser mágico.

A menina a encarou encantada. O mundo todo parecer mágico só por estar com alguém parecia mais que impossível, mas era maravilhoso.

— Posso casar com o papai? – a menina perguntou.

A mãe riu.

— Não, meu amor. O papai é meu, e você encontrará o seu próprio príncipe. – ela bateu com o indicador na ponta do nariz da menina – mas você pode pedir um homem bom.

— Como assim?

— Bom, escreva em um papel tudo que você quer que seu marido tenha. O homem dos seus sonhos. Depois feche, e espere. Quando encontrar a pessoa, então você saberá se é como você imaginou ou não. Mas lembre-se de que nem tudo aparece ou acontece como a gente espera.

— Tudo bem – a menina ria com os olhos brilhantes.

Sua mãe lhe deu um beijo na testa, cobriu-a e fechou a porta para que ela pudesse adormecer. Mas naquela noite ela não pretendia dormir. Aquela noite, a garotinha passou escrevendo para o amor.

Que seja Meu.Leia esta história GRATUITAMENTE!