CAPÍTULO VINTE E DOIS - É por isso que eu luto

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Para queles que não leram a CENA BÔNUS, aqui vai a deixa para o próximo capítulo:

        Nico e eu estávamos cansados. Um tipo de cansaço maravilhoso para o qual não existem palavras. Aquela nossa pequena aventura dentro do banheiro do restaurante havia sido no mínimo... Interessante. Ele me abraçou e a sensação de plenitude que me invadiu era desconhecida para mim. Eu queria poder expressar em palavras tudo o que eu sentia por ele, mas o que eu deveria dizer? "Eu te amo", talvez? Mas e se não fosse amor? Pior: e se fosse amor e nós tivéssemos que nos separar em breve? Eu simplesmente não sabia como colorir em palavras o sentimento intenso que me dominava e arrebatava.

− Você é incrível, Nícolas − eu sussurrei, embora essas quatro palavrinhas não fossem suficiente. − E eu queria poder ficar para uma segunda rodada, mas acho que precisamos sair − ele riu daquele seu jeito descontraído, fofo e sedutor e tratou de me ajudar a me vestir. Limpamos o meu vestido e destrancamos a porta do banheiro. Estávamos com sorrisos tão largos estampados no rosto... Esperávamos que não houvesse nenhuma testemunha do lado de fora, mas havia. E era Noah. 

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(Por Noah)

Eu não sou mais uma criança e é óbvio que eu sei da vida sexualmente ativa do meu irmão mais velho. Mas isso não facilitou as coisas quando o vi sair do banheiro feminino ao lado da Nina. Os dois traziam sorrisos reluzentes e cansados, e não precisava ser estupidamente inteligente para entender o que havia acontecido ali. Sorri, ainda que de forma automática e totalmente desconfortável. Ambos retribuíram o meu sorriso, mas eu não consegui dar muita atenção ao meu irmão, pois a Nina me sorria de forma constrangida, com o olhar baixo e as bochechas delicadamente vermelhas. Ela precisava parar de fazer aquilo, caso contrário eu continuaria nutrindo aquele sentimento estranho e errado de forma irreversível. Se é que já não o era.

Dei passagem para os dois e esperei que saíssem da minha vista para só então entrar no banheiro masculino... Eu estava atordoado. O que eu havia ido fazer ali mesmo? Já não fazia importância. Lavei o rosto e respirei fundo tentando controlar todo aquele... Fervilhar que me dominava. Aquilo era errado, muito, muito errado. Eu não podia fazer aquilo com o homem que mais admirava nesse mundo, mas não era como se eu pudesse evitar. Eu simplesmente não entendia o que estava acontecendo comigo. E uma parte de mim tinha medo de tentar entender... Eu não sabia se essa era a minha parte sensata ou a covarde. Precisei de uma boa dose de coragem para voltar para a nossa mesa e sorrir como se a minha confusão não estivesse me matando por dentro.

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Acordei atrasado para a faculdade. Certo, isso não era nenhuma novidade. A novidade teria sido acordar na hora. Mas atrasado ou não, eu ainda precisava cumprir aquilo que eu batizara de ritual. A cada vinte e um dias eu devia fazê-lo, e a parte boa é que eu o vinha fazendo de forma independente há bastante tempo. Preparei a seringa, protegi as mãos com um par de luvas, limpei a área na parte superior externa da coxa, levantei a bermuda que usara para dormir e injetei a dose recomendada de testosterona. Lembro-me que no começo a aplicação era feita pelo meu irmão, pois eu era novo demais e a minha mãe tem pavor de agulhas. Na época ela havia ficado arrasada por não conseguir aplicar a injeção em mim, pois para ela esse era o papel de uma mãe... Para compensar a coisa toda, ela preparou um bolo de chocolate para mim e nós três − eu, meu irmão e minha mãe − comemoramos a minha primeira injeção de testosterona, pois aquele era o primeiro passo em direção ao meu verdadeiro eu.

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