CAPÍTULO VINTE E UM

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 Fiquei me perguntando por qual motivo o tonto do meu ex-namorado se daria ao trabalho de vir até Buenos Aires atrás de mim. Considerando que em dois anos ele não havia feito nada nem parecido, a situação era no mínimo suspeita. Uma parte de mim queria acreditar que ele finalmente havia se dado conta − ainda que tardiamente − da mulher maravilhosa que eu era... E a qual ele havia perdido. Mas nem eu, com todo o meu otimismo, podia acreditar de fato naquilo. Era uma ideia absurda. Principalmente porque havia outra hipótese muito mais plausível. A minha ex-sogra deve ter descoberto, antes mesmo de mim, que eu faria parte da sua revista favorita e não apenas no miolo, mas também na capa, e deve ter convencido o seu filho a vir atrás de mim, para que a sua nobre família voltasse a fazer parte da Chique Pop, muito além coluna social. Era evidente que Marco tinha algum interesse por trás desse súbito gesto de arrependimento e agora eu o entendia com clareza.

Aquilo me deixou furiosa e me fez lembrar que o meu ex-namorado patético ainda estava na linha, aguardando uma resposta. Não me dei ao trabalho. Terminei a chamada e bloqueei o seu número, de modo a não receber mais suas ligações. Aproveitei para excluir o estúpido aplicativo de rastreamento que há tanto tempo instalara ali. E finalmente continuei minha sessão de compras em paz. Eu bem que merecia!

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Nico, Noah, Marcela e eu estávamos reunidos em um restaurante em Puerto Madero, lugar pelo qual eu já estava mais do que apaixonada. No lugar das paredes, havia um enorme vidro que nos permitia admirar a Puente de la Mujer, que durante a noite era iluminada e ficava ainda mais bonita de se admirar. O restaurante servia as mais variadas comidas. Por um único valor, você podia comer o que quisesse e quantas vezes desejasse... O verdadeiro paraíso dos gulosos! As cadeiras do restaurante são propositalmente largas e aconchegantes. Bom, eu já me sentia em casa. Comi tudo o que quis e nós comemoramos a minha recente conquista. Já passava das dez quando as conversas ficaram mais... Pessoais.

− As pessoas andam cada vez mais neuróticas... Precisam rotular tudo, pois caso contrário, não conseguem compreender as coisas − Marcela dizia daquele seu jeito casual de sempre. − Isso é chato. Muito chato. Não preciso me classificar em porcaria nenhuma... Eu sou Marcela, apenas isso. Tenho aversão a todas essas nomenclaturas desesperadas por nos fazerem sentir parte de algo. Eu me sinto parte de mim mesma, não basta?

− Nossa, muito obrigado − Noah disse sentado de frente para minha melhor amiga. Ele estava sentado de forma relaxada e trazia um semblante tranquilo. − Eu poderia beijá-la depois disso − comentou em tom divertido, mas Noah devia saber que esse não era o tipo de brincadeira a ser feita com a minha melhor amiga. Não mesmo.

− Ainda não beijou porque não quis − ela devolveu e todos esperaram que ela sorrisse ou dissesse "brincadeira"... Não aconteceu. Ela estava falando sério e encarava Noah como se o desafiasse. Aquilo ficava cada vez mais constrangedor.

O que aconteceu em seguida é uma espécie de borrão. Marcela e Noah trocaram sorrisos cúmplices e eu derramei todo o meu refrigerante em cima de mim. O pequeno desastre teve o seu lado positivo: interrompeu toda aquela tensão avassaladora e quebrou o silêncio constrangedor. Mas o lado negativo era que eu estava ensopada e toda grudenta. Resmunguei qualquer coisa e me levantei, caminhando em direção ao banheiro. Eu estava quase fechando a porta, quando alguém a puxou no sentido contrário, refreando-me.

Nico.

Eu queria perguntar o que ele estava fazendo ali, mas ele levou o dedo indicador até meus lábios e os seus sussurraram de forma sedutora: Shhhhh! Ele entrou no banheiro comigo e com a mão livre trancou a porta. Céus, o que aquele homem queria agora? Não precisei pensar muito no assunto, pois um segundo depois eu obtive a resposta.

− Vou limpar o seu vestido para você, Nina − ele disse e seus olhos pareciam me devorar. Aquela intensidade... Bambeava as minhas pernas e fazia minha mente girar. Nós estávamos no banheiro do restaurante, alguém poderia querer usá-lo, poderíamos ser flagrados ou... − Tire-o! − ele ordenou, encarando meu vestido de forma autoritária e eu salivei ao som rouco da sua voz. − A-go-ra − concluiu pausadamente, não me permitindo contestações.

Eu estava nervosa, mas o que mais eu podia fazer? Livrei-me da jaqueta de couro e puxei todo o meu vestido para cima. Eu usava um sutiã preto de rendas e uma grossa meia calça da mesma cor. Seus olhos estavam baixos e ele balançava a cabeça em reprovação. O que havia de errado? Aquela meia calça maravilhosa contornava o meu corpo, deixando-o bastante... Apetitoso, eu diria. Mas Nico parecia discordar.

− Está suja − ele acusou ainda com toda a reprovação que estampava suas feições.

− Não está, não − eu disse de forma automática e Nico pareceu não gostar disso.

Ele se aproximou de mim e antes que eu pudesse pensar em alguma coisa, seu corpo pressionava o meu contra a parede. Seus lábios quentes se aproximaram do meu ouvido e sussurraram: "Não me conteste, Nina. Não estou para brincadeiras hoje". Ah meu Deus, e quem é que estava brincando? Não se brinca com uma coisa dessas, Nico. Não mesmo!

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A seguir, a cena bônus, como prometido! Como a leitura dela NÃO É OBRIGATÓRIA, vou deixar meu recadinho por aqui mesmo <3 PODER EXTRA G já tem mais de 15 mil leituras e quase 1.5k de estrelinhas... Muuuuuuuuitíssimo obrigada a cada um de vocês. Vocês são os melhores leitores que eu podia querer!

Hoje serei breve... Estou com uma virose chatíssima que não me larga :(

Espero que gostem do capítulo e da cena bônus de hoje! Besitos!

PODER EXTRA G (degustação)Leia esta história GRATUITAMENTE!