Capítulo II

226 45 24
                                    




Obs.:  Quando o texto estiver em itálico e entre aspas refere-se ao pensamento dos personagens ou diálogo mental entre eles.


O tempo nunca foi um problema para eles, essa era uma das vantagens de ser um imortal. A desvantagem era que o tempo normalmente tendia a passar devagar, e os dias tornavam-se muitas das vezes longos e entediantes, por isso foi uma surpresa depois de séculos, ouvir um chamado tão antigo quanto à existência de toda a montanha que abrigava seus territórios.

Ele voltou seus olhos imortais para o território de seu irmão mais velho, localizado na parte oeste da montanha, ouvindo-lhe os pensamentos que eram tão semelhantes aos seus.

Podia sentir a surpresa por alguém convocá-los, o alívio por finalmente sentir o pacto ser revivido e a curiosidade em saber quem seriam as pessoas, que vieram depois de tantas décadas, executando o chamado de um pacto tão antigo, feito por seus ancestrais, com o clã das águas.

Quem eram? E o que as motivava a invocá-los depois de tantas eras?

Um silêncio preencheu a comunicação entre os dois imortais, antes que o mais velho e mais poderoso entre os dois se manifestasse, sobre os fatos acontecendo aos pés da montanha.

"Mande Shizhui e Jingyi até nossos convidados, peça que os leve até o salão das orquídeas."

"E quanto aos outros?" - indagou o mais novo.

"Eles não são bem vindos a Gusu, peça aos meninos que os expulsem." - disse o outro.

"E se eles recusarem?" - insistiu novamente o segundo.

"Elimine-nos por pisarem em nossos domínios." - respondeu friamente o mais velho.

"Mn. Shizhui, Jingyi" - chamou a voz sem emoção.

Shizhui ouviu seu nome ser chamado e voltou-se para o salão a leste de onde se encontrava. Ele e Jingyi estavam estudando alguns encantamentos, quando ambos ouviram as ordens, recolhendo seus materiais rapidamente, desceram o caminho até os arcos que marcavam a entrada ao Recesso das Nuvens, e onde encontrariam aqueles que deveriam permitir passagem segura até seus mestres.

Era raro receberem visitas e ainda mais incomum que os Jades de Gusu permitissem a subida até o salão das orquídeas. À medida que desciam o caminho que os levava aos arcos que marcavam a entrada principal, sons de luta podiam ser ouvidos mais nitidamente, mas a cena que os presenteou ao chegarem estava além do que poderiam ter imaginado.

Os corpos daqueles que caíam derrotados no chão, se erguiam como cadáveres, apenas para retornarem à luta, ao que parecia obedecendo a uma música macabra tocada por um jovem trajando vestes negras como a noite.

Membros, sangue e tripas, manchava de vermelho o chão outrora coberto de branco, alguns dos cultivadores de DiYu que tinham a cabeça cortada, não se levantavam, permanecendo como deveriam ser, apenas corpos.

Enquanto isso o outro com semblante sério, se não soubessem que era humano, poderia facilmente ser confundido com um imortal, dada a forma como os raios e trovões repercutindo no céu, pareciam soar em harmonia com o manejo de sua espada e chicote.

Os olhos tempestuosos os encarou por meros segundos, entre um ataque elaborado e uma defesa perfeita, contra três cultivadores DiYu que investiram contra o homem de vestes roxa, o olhar durou meros segundos, mas fora o suficiente para saberem que não deveriam levá-lo levianamente.

Yǒnghéng de àiOnde as histórias ganham vida. Descobre agora