Epílogo

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LUCCA

Quase chorei quando vi o Dom Papa-léguas pedindo a Estrelinha em casamento, foi tão emocionante presenciar outro membro da nossa trupe se declarar e agir como um romântico, principalmente sabendo que esse em questão mandava rosas para sua amada toda semana, quando nunca antes tinha dado nem um único fio de grama para uma mulher.

Três dias depois do pedido e do aniversário das meninas, onde fiquei muito mais desconfiado da Mumu com suas escapulidas repentinas, hoje era o jantar de noivado do meu segundo pupilo mais velho, que na nossa adolescência eu pensei que poderia ser o segundo de nós a casar, considerando que Chris Delícia além de bonito era um romântico incurável. Mas eu também achava que pertenceria a população feminina desse mundo por toda a vida, mas fui o primeiro da trupe a casar. A vida era cheia de surpresas.

— Amor, me espera para subir as escadas! — gritei saindo do carro rapidamente antes que ela chegasse na porta da casa da tia Pat e do tio Rich.

— Lucca, são só cinco degraus, eu não preciso de ajuda!

— Sabe o que pode acontecer em cinco degraus? — Coloquei as mãos na cintura a encarando pronto para listar todos os tipos de acidente que encontrei na internet enquanto pesquisava o que fazer durante a gravidez.

— Sei, em cinco degraus eu posso decidir ir morar com as garotas até o bebê nascer, pedir o divórcio ou expulsar você de casa se continuar agindo como um paranoico e não parar de acreditar nas besteiras que acha na internet!

Arregalei os olhos com medo de que ela pudesse estar falando sério e cogitando me abandonar e criar nosso leãozinho solteira.

Sempre soube que precisaria ter um herdeiro um dia, era como uma tradição de família obrigatória muito chata que eu não estava animado para seguir. Contudo, nunca imaginei que encontraria alguém como a minha Pantera, com quem queria tudo e muito mais e isso incluía uma família completa, com direito a pequenos versões escandalosas e com certezas muito bonitas, minha e da minha dançarina sedutora.

Tinha que confessar que quase desmaiei ao receber a notícia de que seria papai, se minha esposa não tivesse me puxado para sentar isso poderia ter acontecido. E felizmente meus poderosos não estavam presentes para gravar a cena, havia também malefícios em ter ensinado eles a serem espertos como eu.

Minha Pantera era diferente de qualquer mulher que imaginei me casar, ela era muito melhor que todas e por isso a ideia de termos um filho estava me deixando ansioso e cuidadoso ao extremo, porque eu não queria imaginar o que o futuro nos reservava e como seria quando possivelmente tivéssemos que nos mudar para a Itália depois que nosso leãozinho nascesse.

Olhando para ela agora e vendo seu olhar irritado, percebi que talvez estivesse exagerado um pouco nos meu cuidados e teria que arranjar outra serventia para o plástico bolha que mandei Pikachu guardar.

— Desculpe. — Suspirei desanimado.

— Lucca. — Seus olhar suavizou e ela se aproximou segurando meu rosto. — Eu sei que está pirando com o fato de que vamos ser três e teremos uma vida sobre nossa responsabilidade, eu também estou surtando com tudo, por isso preciso que continuei sendo meu marido doido para me apoiar e não um paranoico exagerado. — Ela segurou minha mão e colocou sobre sua barriga ainda não muito aparente. — Pode fazer isso por nós?

— Prometo tentar me controlar mais e ser menos exagerado. — Seria difícil, mas por eles eu poderia tentar. Acariciei sua barriga com um sorriso por saber que nosso leãozinho estava lá. — Mas você também tem que colaborar e não sair pulando por aí mais rápido que o Flash, amor! Vai acabar me fazendo ter um ataque cardíaco e sou jovem e bonito demais para morrer e deixar você solteira.

Rosas Anônimas (Livro 2) - Série: Paixão e AmorOnde histórias criam vida. Descubra agora