15. Essa é a minha vez. (­Mike)

2.4K 177 39

Eu tinha que enfrentar os olhos de vovó, quando chegasse em casa, mas, gostaria de entrar, passar por eles e por mim também. Ficar só meu eu interior machucado e traído de baixo do lençol e apagar por alguns dias. Girei a chave na maçaneta e a vi sentada na sua poltrona fazendo crochê com a pequena agulha. Não se levantou sobressaltada, como imaginei, me metralhando de perguntas. Havia alguma chance da TV ter quebrado, de nenhuma vizinha ter batido na porta e eu conseguir passar em silêncio para o meu quarto?

— Oi — cumprimentei-a e coloquei a chave na mesa da sala. Ainda esperei por alguns segundos, sem olhá-la para que meu semblante não me traísse. Vi ali uma garrafa de café e um bolo. Sim, ela sabia e queria me animar, posso prever...

— Tome um banho, filho — Mandou e aceitei, sem mais. Bati a porta do quarto e senti os ombros relaxarem e o peito se curvar.

Caminhei nu para o banheiro, deixando as roupas caírem peça a peça no chão atrás de mim.

Nunca tive vergonha de dançar nem no clube, nem nas festas. Mas, tive muita vergonha de aparecer na TV como o cara apaixonado pela atriz famosa que o traiu descaradamente com o seu colega de cena. Ou eram mais que colegas?

Ali sob o chuveiro entendi que o que me incomodava era um sentimento mais tirano e profundo. E não se chamava orgulho, se chamava ciúme.

O problema não eram só aquelas vozes me perguntando se eu era corno, era olhar para a garota por quem sou apaixonado e vê-la me preparar para saber que realmente tinha acabado dando uns beijos em outro cara. Não dá para achar que é só coisa de "libertinagem no mundo artístico"! Eu falei que a amava e isso é realmente longe para mim. Longe demais para voltar atrás. Mesmo que eu mentisse para ela que estava bem, que iríamos impor muros altos a partir de agora, dentro de mim, tudo em relação a Jade ainda mexeria com meus hormônios e meu coração.

Corro o risco de perdê-la para mais um outro idiota, se realmente levar a distância como um plano sério. Essa distância é para me proteger e, não, a ela. Pela primeira vez começo a pensar em mim primeiro.

A traição fez mudar o foco na minha estratégia. De repente, não seria a Jade que me ajudaria com o salário que me pagava a mudar a minha vida financeira e profissional. Eu mesmo tenho que buscar um trabalho maior. Arriscar mais.

Desliguei o chuveiro parando de me sentir só derrotado e começando a reacender a chama do desejo de vencer.

O banho renovou também meu aspecto de quem está sem dormir e comer direito há tanto tempo. Volto pra sala um pouco mais disposto para enfrentar a minha avó.

Comi o bolo e tomei um pouco de café. Ela, então, levantou-se e passou as suas poderosas mãos nas minhas costas e ombros com carinho até chegar a minha nuca. Não sei que botão apertou, de repente, em mim e como teve acesso a ele, mas, meus olhos se encheram de lágrimas e a garganta travou. Não deixei a lágrima cair, olhei para o alto e esperei que secassem onde começaram a surgir sem qualquer autorização.

Bebi o café e respirei fundo, ainda sentindo seu carinho maternal e amoroso, delicado e constante.

— Pare de ter pensamentos ruins. — disse-me ainda nas minhas costas. — Fica atraindo quem não deve para perto e acaba seguindo ideias erradas — aconselhou e imaginei que estivesse falando de maus espíritos errantes. — Mas, você é guerreiro e vai sair dessa. — Beijou minha cabeça e me virei para abraçá-la com meus braços grandes e estupidamente fortes ao redor da sua frágil cintura que envolvi. — Ahhhh, Mike, você deseja conquistar o mundo inteiro... — acariciou meus cabelos para trás. — Não basta nada pequeno para você. — Deu tapinhas nas minhas costas. — Foi gostar logo dessas garotas de Tv...

O Gênio do AmorLeia esta história GRATUITAMENTE!