Capítulo 30

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ALYSSON

Eleonora chorava compulsivamente abraçada a mim e eu não sabia o que fazer, nunca tinha visto ela chorar e agora podia sentir o tecido da minha roupa molhando com suas lágrimas.

Enquanto ela tentava se acalmar, tentei me lembrar se alguma vez a vi daquele jeito, mas sabia que nunca tinha visto Eleonora chorar por nada, fosse de tristeza ou felicidade, porque tal coisa poderia arruinar sua aparência e isso era inadmissível para ela.

Parando para pensar, essa era a primeira vez que minha mãe vinha me ver em um hospital. Meu pai geralmente conseguia cuidar muito bem de nós e não havia necessidade de ir ao hospital sendo que tínhamos um médico em casa, mas nas poucas vezes que fui para um hospital foi Alessandra quem me levou e ficou comigo o tempo todo. Eleonora ligava ao saber o que aconteceu, mas nunca veio pessoalmente saber como eu estava ou se precisava de algo.

Demorou mais alguns minutos para que ela conseguisse se acalmar e levantar para me encarar e, quando fez isso, vi nela algo diferente de todas as vezes que nos encontramos. Sua roupa estava amarrotada, seus cabelos despenteados e seu rosto sem nenhuma das suas maquiagens caras, molhado por causa das lágrimas. Vê-la daquele jeito me preocupou e confundiu.

— Me desculpe, filha. Por favor me perdoe pelas coisas que fiz você passar. — As lágrimas voltaram a surgir nos seus olhos. — Eu sei que fui uma mãe horrível e você deve querer distância de mim, mas por favor me perdoe!

Sua súplica tão desesperada acabou tendo efeito sobre mim e tive que respirar fundo para me conter e não começar a chorar, porque isso me deixaria mais vulnerável e nesse momento eu queria pensar direito, sem ser influenciada por palavras da minha mãe, como fui durante minha vida toda.

— Como soube que eu estava aqui? — perguntei me esforçando para falar sem falhar a voz.

— Seu pai me ligou logo depois que você chegou no hospital. Martin não explicou muito bem por não saber dos detalhes, mas disse que você foi refém de um fugitivo perigoso. — Suas mãos tremiam quando alcançaram a minha. — Imaginar você correndo risco de vida, na mira de um arma...

Ela não conseguiu terminar e soluçou voltando a chorar, em seguida se sentou na cadeira ao lado da minha cama e abaixou a cabeça com os ombros tremendo pelo choro. Eleonora era uma boa atriz dramática quando queria, porém dessa vez eu não acreditava que pudesse estar fingindo, não com todas as emoções que transmitia e como estava totalmente fora de postura e sem seu tão amado autocontrole.

— Eu estou bem, ele não conseguiu me machucar. — Não fisicamente, pensei me lembrando da dor que senti por Ryan. — Foram apenas alguns hematomas e arranhões.

Os médicos deveriam ter me dado algo para dor, porque podia ver meu braço roxo onde fui segurada com força e não sentia dor nele e nem no corte no meu lábio inferior ou no lado do meu rosto que foi atingido.

— Se vocês não tivessem conseguido escapar, nem consigo imaginar o que poderia ter acontecido — falou baixo com a voz chorosa.

Eu também não conseguia e nem queria imaginar o que poderia ter acontecido se não tivéssemos conseguido escapar, porém, como disse a Ryan, o que importava era que nada de ruim nos aconteceu e agora estávamos todos bem.

— Todos nós estamos bem. Eu estou bem, mãe.

Eleonora levantou a cabeça e me olhou com esperança.

— Você ainda vai me deixar ser sua mãe?

— Você sempre vai ser minha mãe, mas como eu disse antes, só vou permitir que faça parte da minha vida se mudar suas atitudes e parar de tentar me controlar — falei séria.

Rosas Anônimas (Livro 2) - Série: Paixão e AmorOnde histórias criam vida. Descubra agora