Capítulo 29

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ALYSSON

O caminho para o hospital foi feito em total silêncio, com cada um de nós com seus próprios pensamentos. Christopher dirigia e Mikael estava ao seu lado no banco da frente, eu me encontrava no banco de trás ainda abraçada com Ryan que não se afastou de mim por nenhum segundo, provavelmente entendendo como eu precisava dele por perto.

Depois que Beatrix desmaiou por algum motivo que ainda não sabíamos, tudo se passou como um borrão. Consegui ver Lucca levando a esposa para o carro de Daniel e depois eles saíram em alta velocidade. Não sabia o que aconteceu com Thomas e Vanessa ainda, porque não ficamos para esperar os policias deixarem o prédio e fomos para o carro indo atrás dos quatro para o hospital que Megan mandou o endereço dizendo ser para onde iriam.

Meus olhos estavam pesados pelo cansaço repentino e a posição confortável encostada em Ryan, aquecida pelo seu corpo, fazia minha mente implorar por um descanso para recarregar e repor minhas energias, porém eu não queria dormir. Primeiro porque precisava de notícias de Beatrix para descobrir se havia se machucado, e segundo porque temia fechar os olhos e acordar com Thomas tentando me machucar.

— Você precisa descansar. — A voz de Ryan me despertou dos meus pensamentos e levantei a cabeça do seu peito para olhá-lo. — Estou vendo como está exausta e precisa descansar. Pode dormir, prometo estar com você quando acordar.

Ele colocou a mão no meu rosto, acariciando com delicadeza o local machucado e suspirei pelo toque.

— Obrigada — agradeci em um sussurro.

Ryan beijou minha testa antes de voltar a passar os braços pelo meu corpo e deitei a cabeça novamente contra seu peito, me permitindo ser levada pelo sono e acreditando que isso não era um sonho e tínhamos mesmo escapado daquele psicopata e sua comparsa.

Não sabia por quanto tempo adormeci com um sono pesado, mas acordei menos nervosa e me sentindo mais calma e disposta. Ao me situar, estranhei estar deitada em uma cama de hospital e ter um acesso no meu braço ligado a uma bolsa de soro.

Sem toda aquela avalanche de emoções que caiu sobre mim depois de deixar o prédio, podia pensar melhor e com mais clareza, e estando fora de um ambiente caótico que provavelmente me deixou com alguns traumas, tudo o que eu queria eram notícias dos meus amigos e poder ver minha família.

Procurando ao redor, encontrei Ryan de pé olhando para a janela do quarto, muito concentrado, ou perdido em pensamentos pela jeito imóvel que estava. Parecendo ter sentindo meu olhar, ele se virou para mim e franzi o cenho com a seriedade que vi nos seus olhos, começando a ficar preocupada pelo o que poderia significar considerando a situação que vivemos.

Antes de poder perguntar o que aconteceu e como vim parar em um quarto de hospital como uma paciente, a porta se abriu e Cristina passou por ela com os olhos arregalados assim que me viu.

— Você acordou — exclamou aliviada, vindo até mim e se abaixando para me dar um abraço desajeitado pela minha posição. — Fiquei tão preocupada quando me avisaram. Papai e mamãe quase surtaram e se juntando aos desesperados dos nossos amigos, por pouco não colocam o hospital à baixo.

Sua voz era rápida tentando mostrar diversão, mas estava embargada e tinha certeza que Cristina se segurava para não chorar. Levantei meu braço livre e coloquei a mão nos seus cabelos tentando acalmá-la, o que não seria fácil. Se a situação fosse o contrário eu estaria do mesmo jeito, talvez até pior sendo minha irmã mais nova em perigo.

— Estou bem agora, Tina, não se preocupe. — Tentei tranquilizá-la afagando seus cabelos. — Como está Beatrix?

Cristina se afastou enxugando as lágrimas não derramadas e deu um pequeno sorriso.

Rosas Anônimas (Livro 2) - Série: Paixão e AmorOnde histórias criam vida. Descubra agora