RYAN
Ter Thomas trabalhando na empresa foi como uma dor de cabeça incessante que podia ser deixada de lado, porém nunca esquecida, porque ele continuava lá encontrando um jeito de me lembrar da sua presença, fosse aparecendo no meu caminho ou me olhando de longe com seus olhares debochados.
Descobrir acidentalmente que minha empresa começou a ser roubada foi uma surpresa nada agradável e o primeiro suspeito que surgiu na minha mente foi Thomas. A maneira ardilosa como tudo foi feito indicava que foi um profissional, alguém que tinha experiência e apenas conseguiria aquilo se estivesse dentro da empresa, entendendo como trabalhávamos e como era nossa rotina.
Quando meu irmão me avisou da ligação de Alysson contando da conversa com Vanessa, um alarme se acendeu na minha mente e comecei a usar todos os recursos que tinha para agilizar tudo e ter Thomas na mira da polícia o mais rápido possível, sentindo que em breve ele poderia armar algo nada agradável para nós.
Vagamente me lembrava de um dia em que estive em um bar e ela apareceu se sentando ao meu lado, tentando conversar comigo e me convencer a ir para sua casa. Depois disso minha última lembrança era de acordar na casa de Jonathan com ele me dando um sermão sobre nunca mais beber para não correr o risco de ser dopado e sequestrado novamente.
— Ryan!
Parei de divagar ao olhar para a porta e ver Lucca entrando mais sério que de costume, o que acontecia com mais frequência desde que assumiu como meu advogado e da empresa o caso do roubo e se integrou com a polícia nos assuntos que envolviam Thomas.
— Tenho novidades — disse se sentando na cadeira do outro lado da mesa e me encarou.
— Soube de alguma coisa de Thomas?
— Ainda está foragido, a última pista que tiveram foi de uma hospedagem dele em um motel de estrada há quatro dias. A polícia acha que ele vai tentar sair do estado, mas eu duvido que isso aconteça, com as últimas informações que tivemos tenho certeza que você é o alvo dele e Thomas não vai ficar muito tempo longe.
— O que mais você descobriu? — perguntei e seu olhar sem nada da sua diversão costumeira, me preocupou.
— Hoje de manhã consegui conversar com Ronald, apesar de muito debilitado ele me falou coisas importantes e me deu isso. — Abriu sua pasta e me entregou um papel que parecia antigo. — É um laudo psiquiátrico do Thomas feito quando tinha dezesseis anos. Resumindo, depois de passar por dois psiquiatras e enganar ambos, no terceiro ele finalmente foi diagnosticado como psicopata.
Li o que estava escrito no papel, ficando mais tenso ao entender como a situação era mais grave e preocupante do que imaginei.
— Ryan, eu acho que o que aconteceu com Lívia foi premeditado por Thomas para te atingir. Pelo o que você me disse, ele imediatamente se interessou nela quando foram apresentados e penso que a manipulou usando os sentimentos que tinha por você para fazê-la mudar tanto e te machucar com isso. Considerando o quanto ele é manipulador, talvez até a sua ida para o Canadá tenha sido planejada.
— Por que ele faria tudo isso? Me causar tantos problemas e tentar acabar com a minha vida. Eu não entendo! — falei exasperado e me levantei passando as mãos pelos cabelos em aflição.
Estar no escuro, sem respostas do porquê de tudo isso estar acontecendo era desesperador e me deixava aflito e perdido, sem saber como resolver esse problema que ficava cada vez maior e mais perigoso à medida em quem descobria novas informações.
— Aconteceu algo entre vocês na faculdade, alguma coisa que possa tê-lo deixado com raiva de você?
— Não que eu me lembre. Tínhamos conversas boas e nos encontrávamos em festas com outros colegas, nunca tivemos problemas um com o outro, por isso não consigo entender o que ele tem contra mim.
— Para alguém como Thomas, pequenas coisas podem significar muito e ter grandes consequências, Ryan.
Olhei para Lucca tentando me lembrar daquele tempo e se houve algo entre mim e Thomas que pudesse justificar seus atos, no entanto nada me vinha a mente. Me lembrava que ele era observador e gostava de receber atenção, às vezes que o vi irritado foi quando não recebia isso ou era ignorado por alguém, fora esses momentos era um galã que todos pareciam amar.
A porta do escritório foi aberta e Christopher passou por ela abruptamente com uma expressão fechada e tensa que de imediato me causou uma sensação desagradável, um sentindo de que algo ruim aconteceu.
— Mikael foi com Megan, Beatrix e Izabely para o apartamento de Alysson hoje de manhã e acabou de me ligar avisando que Thomas e Vanessa estão lá, armados e fazendo as garotas de reféns.
Senti meu mundo rodar e minha respiração falhar ouvindo aquilo. Não só minhas amigas estavam em perigo, como também minha mulher, que estava correndo risco nas mãos daqueles malucos obcecados e provavelmente era o principal alvo deles.
Com o choque inicial sendo substituído pela raiva, em um impulso joguei todas as coisas da mesa no chão e dei um soco na parede tentando extravasar um pouco daquela angústia que apertou meu peito ao imaginar o que poderia acontecer com Alysson, pensando que por minha culpa ela poderia acabar ferida.
— Se acalme, Ryan! — Christopher pediu me segurando pelos ombros, me impedindo de continuar meu ataque de fúria. — Eles não sabem que Mikael está lá e que eles nos avisou, podemos ter uma vantagem se pensarmos direito.
— Se aquele desgraçado tocar na minha mulher, ele vai sofrer pelo resto da vida medíocre dele. — disse Lucca em um tom sério e baixo que me deixou alerta.
Ele estava de pé, com os punhos cerrados e aquele olhar gélido e sombrio que vi somente uma vez e não trouxe boas coisas.
Estava muito nervoso e a ponto de perder o controle, porém isso não ajudaria em nada e poderia piorar tudo. Pelos meus amigos e por Alysson, eu precisava manter a calma o máximo possível para tentar resolver essa situação.
— Lucca! — chamei seu nome e depois de respirar fundo ele me olhou. — Christopher está certo. Precisamos pensar antes de agir, porque nada de bom vai acontecer se fizermos algo por impulso. Não faça nada do que possa se arrepender depois.
— Vou ligar para a polícia e vamos até elas — determinou respirando fundo e pegou suas coisas saindo pela porta com rapidez.
Christopher e eu o seguimos e meu primo ligou para Daniel avisando o que estava acontecendo antes de começar a dirigir. Tentei ligar para o homem que mandei vigiar Vanessa e para os seguranças de Alysson e nenhum deles me atendeu.
O caminho todo meus pensamentos ficaram desordenados, piorando minhas preocupações e aumentando meu nervosismo ao imaginar os cenários que poderiam acontecer.
A obsessão de Thomas e Vanessa era por mim, então era por minha causa que eles estavam fazendo tudo aquilo e eu nunca me perdoaria se meus amigos se machucassem, se Alysson se machucasse.
Christopher dirigiu o mais rápido que pôde e Daniel estava saindo apressado do carro quando estacionamos em um lugar um pouco afastado do prédio para não chamar atenção. Daniel se encontrava tão aflito quanto eu e melhor do que qualquer um eu entendia o motivo.
— Lucca está vindo com a polícia. — Daniel avisou agitado. — Não vou aguentar esperar aqui fora, conheço Megan o suficiente para saber ela não vai se controlar mesmo na mira de uma arma.
— Também não vou conseguir ficar aqui com elas lá dentro correndo perigo — falei andando pela calçada querendo ir para aquele prédio, mas temendo o que Thomas poderia fazer caso me visse.
— Não vamos conseguir ajudar em nada com aqueles dois armados lá dentro, podemos piorar a situação se chegarmos mais perto do prédio e eles nos virem. — Christopher disse tentando apaziguar a situação, mas estava tão inquieto quanto nós.
Meu coração batia rápido e minhas mãos tremiam. Mikael não ligou e nem mandou mais mensagens e sem ter notícias do que acontecia eu não conseguia me acalmar. De repente, ouvimos barulhos altos e era perceptível que eram de tiros, então abandonamos qualquer sensatez e corremos para o prédio.
Além do barulho dos meus passos apressados e das batidas rápidas do meu coração, eu conseguia ouvir as sirenes dos carros de polícia se aproximando, mas não parei de correr na direção dos gritos alarmados seguidos de mais tiros que me causaram um medo insano pelo o que poderia ter acontecido.
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Rosas Anônimas (Livro 2) - Série: Paixão e Amor
RomanceAlysson vive na cidade de Nova York com o pai desde que ele se casou novamente após um divórcio conturbado. Ela tem um pai amoroso, uma irmã meiga e amigas que sempre a apoiaram, mas tudo isso ainda não foi capaz de apagar as marcas que ela carrega...
