CAPÍTULO DEZENOVE

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Marco estava diante de mim com um olhar arrasado. O mesmo olhar que ele me lançara enquanto me pedia perdão por sua traição. Aquele olhar e a promessa de assumir o nosso namoro fizeram com que eu o perdoasse cegamente algum tempo atrás. Mas agora essa realidade parecia distante e nublada. Quem era aquela Nina e o que Marco havia feito com ela? Porque na minha cabeça e no meu entendimento de amor próprio, traição nenhuma merecia perdão. Ao menos, não aquele perdão cego e incondicional que dei ao meu ex-namorado.

Mas lá estava ele. Olhando-me com aqueles olhos arregalados e falsamente aconchegantes. Ele trazia um sorriso meio tímido no rosto. Inevitavelmente pensei: não tão bonito quanto o sorriso do Nico. Ou até mesmo do Noah. Balancei a cabeça de forma negativa e sorri com o pensamento. Marco, obviamente, interpretou meu sorriso de maneira equivocada.

− Também estou feliz por vê-la − ele sussurrou com fingida cautela e adoração.

Aquele ser humano parado diante de mim era inacreditável, vocês não acham? Ele havia rompido um namoro ridículo de dois anos dizendo que "precisava alçar voos maiores e que eu não era adequada para estar ao seu lado", mas agora ele dizia que estava feliz por me ver? E pior: ele acreditava que eu estava feliz por vê-lo! Repetindo: inacreditável. Eu queria gargalhar diante de toda aquela coisa patética, mas não o fiz. Encarei-o, o mais séria que pude. Sabe, uma mulher séria é algo realmente perigoso. Agora, uma mulher séria, traída e com noventa e dois quilos? Corre, cara. Corre que ainda dá tempo. Mas Marco não correu.

− Sorriso não é sinônimo de felicidade − expliquei com a voz atipicamente fria. − E a sua vinda atrás de mim não é sinônimo de reconciliação − concluí de forma centrada. − Estando tudo esclarecido, boa noite e até não mais ver.

Eu me virei, satisfeita por seguir firme em direção ao elevador sem olhar para trás. E bem, eu nem precisava. Vislumbrei meio segundo de confusão nos olhos dele e aquilo foi suficiente. Eu estava esperando o elevador enquanto Marco tentava − em vão − me ganhar com um discurso qualquer sobre arrependimento e dias melhores. Piada! O elevador já estava quase chegando e eu continuava de costas para ele. Quando um toque anunciou que as portas finalmente se abririam, ele fez algo do qual se arrependeria por toda sua miserável vida: agarrou-me. Sim, ele me segurou pelos braços e me puxou na sua direção, achando que aquilo me faria o quê? Beijá-lo? Gente, esse rapaz está achando que é quem? Por favor!!!

A minha mão direita voou na face dele, acertando-o em cheio. Aquilo deve ter doído, mas o ego inflamado dele devia estar doendo muito mais. E a sua ceninha patética ficou ainda pior, pois no momento em que as portas do elevador se abriram, Nico apareceu. Aquele homem maravilhoso e enciumado deu o ar da graça e não é que eu gostei um pouquinho? É claro que não aprovo ciúme em excesso e tampouco paranoia, mas depois de dois anos com um babaca que não dava a mínima para mim, era incrivelmente satisfatório estar com alguém que demonstrava medo de me perder.

Nico entrou em cena e rapidamente meus braços estavam livres novamente. Os olhos de Marco me fitavam confusos, mas dessa vez com uma parede sexy e argentina no caminho. E então eu sorri. Ah sim, porque esse ser mitológico e complicado que é a vida, finalmente agia a meu favor. A gordinha está por cima, meu bem. E ninguém está se queixando de estar morrendo sufocado embaixo.

− A Nina vem comigo − Nico disse de forma contida e muito sexy. Marco não era um grande entendedor da língua, mas com certeza compreendia o recado. − E você não é bem-vindo na minha casa. Já pode ir embora.

Se Marco tivesse um bocado de sabedoria, teria se recolhido à sua insignificância e dado o fora. Mas o problema é que algumas pessoas simplesmente não sabem a hora de parar. Era o caso dele. E o discurso que ele disparou não devia ter me atingindo, mas atingiu. Aquele seu maldito discurso fez minhas pernas bambearem e toda a minha confiança estremecer. Não por ele. De jeito nenhum por ele. Mas pela perda, pelo retorno, pela impossibilidade. Vida, faz favor de ser menos bipolar? A XG aqui agradece.

− Não importa que ela esteja com você aqui e agora − Marco disse encarando Nico. Era como se eu nem estivesse ali, mas eu sabia que suas palavras tinham intenção de se esgueirar até mim. − Em pouco tempo ela estará de volta a São Paulo e a vida dela estará lá... Esperando-a. Assim como eu. E você continuará aqui...

− Eu volto para São Paulo − respondi com um leve tremor. − Mas não volto para você. Não são sinônimos... Lembra?

Nico apertou minha cintura de um jeito carinhoso e aquilo me deu forças. Por mais verdadeiras e dolorosas que fossem as palavras de Marco, eu estava no comando da minha vida e não voltaria a cometer os mesmos erros do passado. Eu já havia aprendido a lição.

Puxei Nico na direção do elevador. Apertei o botão e rapidamente as portas se abriram. Essa era a vida novamente sorrindo para mim. Bipolaridade, eu não disse?

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SEGURA ESSAAAAAAAAAAA, MARCO! HAHAHAHAHAHAHA! Estava louca para gritar isso na cara dele, gente. 
Como estão todos? Espero que estejam gostando do curso da hitória... Suas estrelinhas e comentários estão me deixando cada dia mais feliz. Não parem, por favor <3 Vocês já devem estar sabendo do evento de amanhã, mas aproveito a oportunidade para reforçar o meu convite. Amanhã acontecerá o evento de aniversário de 1 ano do meu blog, o NEM TE CONTO. O evento acontecerá na Livraria da Travessa do BarraShopping, a partir das 15h e contará com a presença de vááários autores bacanas, blogueiros e muitos brindes. A propósito, revelarei uma surpresa para os meus queridos leitores <3 Tudo preparado com muito carinho e empenho. 

Acho que já falei demais, né? Grande beijo, boa páscoa e até quarta o/ 

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