Capítulo 21

331 49 28
                                        

PABLO

Deixei o apartamento de Alysson feliz por ela ter finalmente enfrentado a mãe e se livrado da influência dela depois de passar a vida toda tentando agradar alguém, que só conseguia enxergar a si mesma e esquecia dos sentimentos de qualquer outra pessoa ao seu redor, até da própria filha.

Alysson e eu rapidamente nos tornamos amigos depois de nos conhecermos, um tempo depois essa amizade evoluiu para algo maior e começamos a namorar. Deu certo por dois ótimos anos, mas depois disso nosso relacionamento começou a se tornar algo que sempre ficava em segundo plano, principalmente por minha causa, que querendo continuar com a aprovação dos meus pais me deixei levar pelas palavras deles sobre agir como o herdeiro que deveria levar prestígio ao nome da família.

Foi por causa dessa semelhança de agradar nossos pais, que Alysson e eu ficamos tanto tempo juntos mesmo depois que a paixão que sentíamos passou. Apesar de sermos incentivados e até manipulados a permanecer juntos por sermos um casal aparentemente "perfeito", podíamos encontrar um no outro compreensão e conforto, não como um casal e sim como os amigos que sempre fomos e estava grato em voltar a ser.

Eu me sentia bem por Alysson finalmente ter encontrado alguém que pudesse dar a ela tudo o que sempre desejou, apoiar seus sonhos e incentivá-la sem nenhuma hesitação, uma coisa que não fui capaz de fazer por estar concentrado demais nos meus próprios problemas sem me lembrar que tinha alguém ao meu lado.

Olhei para a mensagem que recebi do meu irmão mais novo, Dylan, e resolvi aceitar seu convite para acompanhá-lo até um bar. Sabia que ele provavelmente me deixaria sozinho para ir atrás de algumas mulher, mas eu me sentia solitário nos últimos tempos e, como Eleonora expulsou da minha casa a garota que agora acreditava que eu queria trair minha suposta namorada com ela, procurá-la estava fora de cogitação. O melhor era sair para me divertir e tentar achar alguém para me fazer companhia, por isso peguei meu carro e fui até o endereço que Dylan mandou.

O bar era grande e bem movimentado, um lugar de qualidade como aqueles que eu gostava de frequentar. Encontrei meu irmão perto da entrada e ele veio me abraçar animado.

— Achei que traria a tal curadora de museu com quem estava saindo nos últimos dias — falou confuso.

— Eleonora invadiu minha casa hoje à tarde, expulsou a garota e me deu um tapa dizendo que eu não podia trair a filha dela.

— Eu sempre disse que essa sua sogra era tão maluca quanto a mamãe, por isso as duas se davam bem apesar de Carmem não gostar da Aly.

— Ela não vai mais se intrometer na minha vida e na da Alysson também não.

— A mexicana finalmente deixou o fogo latino comandar? — Sorriu divertido e ri da sua expressão.

Depois de ter visitado o México e o Brasil, Dylan dizia que as latinas eram quentes e Alysson deveria deixar esse lado da família paterna sair mais vezes. Ela sempre negou ter esse fogo latino, mas as vezes eu podia ver como se segurava para não dizer ou fazer o que queria, algo que não fez hoje.

— Ela está se permitindo ser feliz — falei satisfeito por isso.

— E agora é a sua vez de ser feliz, então vá encontrar alguém porque eu já fiz isso. — Olhou malicioso para uma ruiva dançando e no instante seguinte já não estava ao meu lado.

Tinha certeza de que ele me abandonaria mais cedo ou mais tarde, só não achei que seria tão rápido. Dylan assumiu o lugar que deveria ser meu como primogênito depois que não segui os passos do meu pai e ele era feliz sendo um rico CEO cafajeste.

Caminhei até o balcão do bar para pedir uma bebida, mas antes de chegar uma mulher esbarrou em mim e só não caiu no chão porque a segurei a tempo.

Rosas Anônimas (Livro 2) - Série: Paixão e AmorOnde histórias criam vida. Descubra agora