Sozinha

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Acordei na segunda com a mínima vontade de sair da cama. Passei todo o domingo trancada em meu quarto me cortando, meus antigos cortes estavam infeccionados e eu não tinha animo algum para sair de casa, ouvi a campainha tocar, uma, duas, três, quarto vezes, ouvi Lizandra e Johnny chamando-me e logo após ligando-me, mas não atendi apenas mandei um torpedo dizendo que estava com mamãe; Levantei devagar e caminhei até o banheiro fiz minha higiene e tomei um banho quente, voltei para o quarto e vestir uma calça jeans preta, um tênis all’star e a camiseta do colégio, prendi meu cabelo em um rabo que cavalo e joguei uma blusa de manga fina vermelha por cima, passei um pouco de pó lápis e rímel, peguei minha bolsa e desci, hoje teria prova e por mais que eu quisesse não poderia faltar, fui até a cozinha peguei uma maça e comi rapidamente, subir escovei os dentes, peguei minhas coisas e sair de casa, tranquei tudo e fui caminhando para a escola escutando musica, cheguei e muitos me olharam, acho que surpresos ou sei lá, olhei para frente e vi a Lizandra ao lado do Johnny, eles estavam rindo, olhei para a cantina e o João, conversava com a Deborah e o Aphonso, respirei fundo e entrei caminhei em passos longos para a sala, cheguei a mesma e apenas a Cinthia estava sentada, fui até a minha carteira e sentei-me.

Cinthia: Ué não vai ficar com a Lizandra? – perguntou

Rafa: Lizandra está de romance – ela riu – prefiro ficar na sala – ela sorriu assentindo

Cinthia: Vai ao acampamento?

Rafa: Sim, e você?

Cinthia: Não tenho escolhas, ou vou para o acampamento ou viajo para a casa de meus tios – ela fez careta – casa não, sitio, lá nem pega a internet – gargalhei

Rafa: será que poderemos utilizar a internet no acampamento?

Cinthia: eu espero – riu

Calamo-nos assim que a professora entrou na sala, acompanhada dos alunos que faltavam, a Lizandra me olhou e deu um meio sorriso, não demorou a professora nos explicou as regras e entregou as provas, faríamos duas hoje, de matérias diferentes, terminei as minhas rapidamente, afinal era Português e Física, entreguei as provas para a professora, peguei minha mochila e sair da sala, não demorou e a Cinthia saiu, como poderíamos sair apenas no horário do intervalo fomos para o pátio, ficamos conversando sobre o passei e em como aqueles alunos eram hipócritas, ao contrário da Lizandra a Cinthia é igual a mim, é apaixonada por rock, e não mostra muito o corpo, e por isso sofre humilhações da Deborah como eu. Particularmente eu não acho a Cinthia feia, ela é linda, branquinha com os olhos azuis claros, tem o cabelo estilo emo na cor loira; Estávamos falando sobre algum show de rock que aconteceria no estado vizinho quando o Aphonso veio em minha direção.

Phonso: Rafa podemos conversa?

Rafa: Rafaela para você – bufei – e não, não podemos

Phonso: mas vamos – ele puxou meu braço o apertando com força

Rafa: me solta Aphonso, está machucando meu braço – tentei me soltar

Phonso: não – disse ríspido – vai comigo

Rafa: Está me machucando Aphonso – gritei sentindo dor, eles estava realmente me machucando.

Phonso: Para com isso Rafaela – disse irritado puxei meu braço e sentir meu casaco molhado – o que foi?

Rafa: não te interessa – disse ríspida

Peguei minha mochila e sair correndo da escola, corri até cansar acabei chegando no centro da cidade, fui até a empresa e falei com minha mãe, a mesma me deu a chave do seu apart, e fui para lá, o elevador ia fechando quando pedir para segurar, olhei e era o menino de sábado, dei um sorriso e agradeci, ele estava com um skate na mão, e a blusa do colégio, o mesmo que estudo. Chegamos no andar e saímos fui até o apartamento de minha mãe, abri a porta e entrei, joguei a mochila encima da cama e corri para o banheiro, tirei o casaco e vi meus cortes sangrando, coloquei o braço embaixo da agua e peguei uma toalha enrolando o mesmo, ouvi a campainha tocar, e fui abri era o menino do elevador.

- É oi – disse tímido – bem acho que erraram de endereço e isso foi parar no meu apartamento – disse me entregando uma carta

Rafa: obrigada – peguei a mesma e li o remetente – bem erraram mesmo, esse endereço é o de minha casa.

- Ué você não mora aqui? – me olhou confuso

Rafa: oh não – rir – minha mãe mora aqui, eu moro em nosso antiga casa

- Estranho

Rafa: normal – nos olhamos e rimos – bem obrigada

- Não há de que – sorri e fechei a porta.

Coloquei a correspondência encima da cama e fui cuidar de meus cortes, depois de fazer alguns pequenos curativos nos mesmos. Vestir uma blusa de manga de minha mãe e me deitei em sua cama, peguei a carta e abri a mesma estava vazia, em letra alguma, joguei a carta no lixo, me levantei peguei minhas coisas e sair tranquei o apartamento e fui em direção ao elevador, chamei o mesmo e logo ele chegou entrei e logo estava no térreo, caminhei pelo hall do prédio e entreguei as chaves do apartamento ao porteiro, busquei um taxi e quando achei entrei e seguir para casa. Ao dobrar a esquina da casa vi sentado na calçada o Aphonso, a Lizandra, Johnny, João e Deborah. O Taxi parou o carro enfrente a minha casa paguei o mesmo respirei fundo e desci do carro.

Deborah: Olha quem chegou – riu sínica – estranha não quer se juntar a nós?

Liz: Cala a boca Deborah – disse irritada – a única estranha aqui é você – me olhou – está tudo bem?

Rafa: porque não estaria – sorri – até mais.

Abri o portão e entrei fechando o mesmo, entrei em casa e subir para meu quarto entrei no banheiro me despir tomei um banho, sair e fui até o closet vestir minhas peças intimas, peguei uma meia-calça preta meio rasgada, um vestido de manga soltinho preto com detalhes rosas, um sneaker preto, voltei o quarto, arrumei meu cabelo coloquei meus acessórios e desci peguei meu skate e sair trancando a casa

Deborah: Olha a estranha voltou mais estranha ainda – riu

Rafa: Sabe Deborah – a olhei – eu só não meto o skate na sua cara porque tenho pena dele – sorri e ela ficou calada.

Subir no skate e desci a rua, eu não sabia ao certo para onde estava indo, eu apenas estava andando sem destino, acabei chegando há ao centro comercial, me sentei sobre meu skate e fiquei observando todas aquelas pessoas. Meninas fúteis cheias de sacolas para cima e para baixo, mulheres vivendo uma falsa felicidade junto aos seus maridos, alguns meninos andando para cima e para baixo enquanto chamavam uma ou duas garotas da escola de gostosa, suspirei e levantei continuei meu caminho até chegar a um campo enorme onde havia uma cachoeira, coloquei meu skate entre as pedras e me sentei por ali. 

– Eu só queria uma chance, uma única chance de ser feliz, mas porque tudo para mim é complicado? Porque eu sempre tenho que sofrer? Porque eu sempre tenho que perde pessoas? Dói. Porque invés de Deus levar meu pai não me levou? Estou cansada de ficar sozinha. Cansada de ser zoada só por não me vestir como outras meninas. Por mais que minha mãe tenha mudado ela ainda não se importa comigo, a Lizandra não é a mesma depois que começou a sair com o Johnny, sempre prefere ficar com ele do que comigo. E ainda tem o João e o Aphonso que só querem saber de mim para cumprirem apostas. As vezes eu quero fugir, sumir do mapa e recomeçar em outro lugar, mas eu tenho medo, de nada da certo e eu fica mais sozinha do que sou agora. – Voltei para casa um pouco tarde, na verdade já não havia pessoas pelas ruas, procurei andar rapidamente e logo cheguei, subir correndo para meu quarto após trancar toda a casa, fui ao banheiro tomei um banho, vestir a primeira roupa que vi e cair na cama, amanhã ainda teria aula. 

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