Capítulo 18

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ALYSSON

Ainda que sem saber o porquê, podia sentir que tinha algo errado enquanto dirigia até a casa de Ryan no começo da noite. Hoje ele parecia muito ansioso para nosso encontro no almoço, assim como eu, mas alguns minutos depois cancelou dizendo ter tido um imprevisto na empresa e isso me deixou desconfiada, imaginando que alguma coisa séria aconteceu, ainda mais depois de conversar com as garotas e elas me dizerem que todos os rapazes estavam estranhos, mais do que o normal.

Estacionei em frente à casa de cores escuras que parecia muito o estilo do meu namorado e vi um senhor se aproximando.

— Você deve ser a Alysson. — Ele sorriu simpático e estendeu a mão. — Sou Jorge, motorista do Ryan.

— É um prazer conhecê-lo, Jorge. — Apertei sua mão devolvendo o sorriso e tentando ser amigável, ainda que continuasse me sentindo preocupada.

— O menino disse que você viria nesse horário, fiquei grato por saber que ele não iria se trancar naquele escritório sozinho novamente e teria a companhia da moça que está fazendo-o sorrir tanto.

O que disse me deu mais certeza de que havia algo acontecendo com Ryan e ele precisava de mim ao seu lado, por isso, mesmo simpatizando com o senhor Jorge, não prolonguei nossa conversa.

— Será que eu posso entrar?

— Claro que sim. Minha esposa está terminando o jantar de vocês, enquanto isso vá ver aquele garoto teimoso. Ele está no segundo andar, é só seguir o som.

Agradeci e caminhei até a porta vendo uma grande sala e em seguida a cozinha, onde uma senhora cozinhava calmamente alguma coisa com um cheiro delicioso. Ela acenou sorrindo ao me ver e apontou para as escadas, as quais subi ouvindo o som de um piano ficando mais alto a medida em que chegava no segundo andar.

A melodia era lenta e bonita, demorei mais alguns instantes para reconhecer, mas então percebi ser a música “Say Something”. Continuei caminhando até parar diante de uma porta entreaberta e a empurrei lentamente, tentando não fazer barulho. Havia um piano preto de calda em frente a grande janela de vidro do escritório e Ryan estava sentado diante dele com roupas casuais, tocando tão envolvido que não percebeu minha presença.

Era hipnotizante vê-lo tocar, ele parecia muito envolvido, como se nada ao redor pudesse alcança-lo. Me encostei na parede cruzando os braços e continuei em silêncio, apreciando o som da música sendo tocada tão lindamente até terminar, quando isso aconteceu, Ryan me viu pelo reflexo do vidro e caminhei até ele ficando de pé atrás do seu corpo, abracei seu pescoço e me inclinei na sua direção.

— Foi lindo. — Beijei sua bochecha e recebi um pequeno sorriso da sua parte. — Desde quando toca?

— Desde os treze anos. Na verdade todos nós tocamos alguma coisa. — Me afastei um pouco quando ele se virou no banco, ficando sentado de frente para mim e abraçou minha cintura comigo de pé entre suas pernas. — Eu toco piano, Christopher e Mikael guitarra, Jonathan bateria e Lucca além de cantar toca baixo. Tínhamos uma banda na adolescência, mas nos apresentávamos somente para a família mesmo que Lucca tentasse nos fazer começar uma turnê mundial.

— E qual era o nome da banda?

— Nunca entramos em um acordo sobre isso e as opções eram terríveis.

Coloquei as mãos na sua cabeça, acariciando os fios macios do seu cabelo e Ryan suspirou fechando os olhos e encostou seu rosto na minha barriga. Ele estava tenso ainda que parecesse calmo e eu queria muito saber o motivo disso, porém esperei que tivesse seu tempo para falar quando se sentisse confortável.

— Quero te contar tudo — falou ainda encostado em mim e depois levantou a cabeça para me olhar. — Quero que saiba o que aconteceu comigo.

— Tem certeza?

Rosas Anônimas (Livro 2) - Série: Paixão e AmorOnde histórias criam vida. Descubra agora