CAPÍTULO DEZOITO

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(por Nícolas)

Nina colocou uma roupa decente e saiu do apartamento em direção ao elevador. Se eu estava furioso? Mais que isso. Eu queria simplesmente poder descer e esmurrar a cara daquele babaca que acreditava ter algum direito sobre a minha mulher. Mas talvez eu não devesse me comportar como um verdadeiro homem das cavernas, pois isso faria com que a Nina me visse com outros olhos... Menos admirados, talvez. E isso eu não poderia suportar. Prometi a mim mesmo que esperaria de forma pacífica por vinte minutos. Era o máximo que eu e o meu ciúme podiam suportar. Então... Noah, Marcela e eu ficamos parados naquela sala, sem sabermos o que fazer. Ninguém parecia ter a intenção de voltar a dormir, de modo que seguimos para a cozinha e fizemos um pequeno lanche, na patética tentativa de fazer o tempo passar mais rápido.

Aquele estava sendo um dia um tanto... Bizarro. Logo pela manhã, saí da livraria em direção à cafeteria mais próxima e acabei esbarrando com a minha ex-namorada, Paloma. Ela estava lá com um enorme sorriso no rosto e quando me olhou, parecia em dúvida se devia me cumprimentar ou não. Por via das dúvidas, eu o fiz primeiro. Não importava que as coisas não tivessem dado certo entre nós, eu não era mal-educado nem nada do tipo. Mas o único sentimento que me invadiu ao olhar para ela foi o de... Pena! Como uma mulher tão bonita e supostamente inteligente pode ter a cabeça tão fechada? Como ela consegue viver em um mundo onde não suporta a ideia de que alguém seja um pouco diferente dela? Essas perguntas ficaram pairando na minha mente enquanto nós trocávamos palavras totalmente desconfortáveis. Despedimo-nos e eu saí de lá o mais rápido que pude, com o meu café em mãos. Caminhei tranquilo de volta a livraria e lá fiquei o dia todo.

Já era fim de tarde quando os noticiários começaram a falar sobre um incêndio que acontecia não muito longe dali. As notícias eram vagas, a princípio... Nem dei muita importância. Minutos depois, quando o repórter dizia que o incêndio acontecia em um hotel − mais precisamente no hotel onde a Nina estava hospedada − aí a preocupação se esgueirou para dentro de mim. Saquei o celular do bolso e liguei para ela. Caixa postal. Senti meu coração acelerar e tentei não transparecer o desespero que começava a se instalar em mim.

− Você poderia me recomendar algum romance envolvendo seres sobrenaturais? − uma jovem questionou na minha direção. Acenei para Mateo, um dos meus funcionários e ele rapidamente cuidou da situação. A jovem me olhou de cara feia e eu sinceramente não dei nenhuma importância a isso.

Voltei a discar o número da Nina e o resultado foi o mesmo: caixa postal. Aquilo começava a me preocupar. Saí da livraria e caminhei até o estacionamento onde deixava o meu carro. Eu estava na garagem, com o celular em punho, ligando e ligando e ligando... Incansavelmente. Destravei as portas do carro e sentei no banco do motorista. Girei a chave e o ruído do motor me alcançou. Antes de engatar a primeira marcha para dar partida, tentei novamente. E por fim ela atendeu.

− Nina? − minha voz saiu um pouco esganiçada. Meus olhos estavam cheios de... Lágrimas. Dá para acreditar? − Nina, você está bem?

− Estou bem, Nico, fique calmo − ela disse do outro lado da linha. Sua voz doce e melodiosa foi reconfortante. Uma onda de alívio percorria as minhas veias e eu jamais experimentara sensação mais maravilhosa.

− Onde você está? − exigi saber. E assim que ela me disse a sua localização, eu falei: − Não saia daí. Estou a caminho.

Recolhemos todos os pertences dela e também os de Marcela. Minha mãe já havia dito que eu devia levá-las para nossa casa e não é como se eu pretendesse fazer outra coisa. Eu não podia suportar a ideia de que algo ruim acontecesse a Nina. Minha Nina! Eu sabia que cedo ou tarde ela voltaria para São Paulo... Mas eu também sabia que nós encontraríamos um jeito de contornar aquela situação. Eu ainda não sabia como, mas haveria de dar um jeito.

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