51. O Reencontro

1.8K 44 1

Saí do hotel e tratei de tudo o que tinha planeado. Vagueei pelo centro de Frankfurt. Vi as ruas cinzentas, emolduradas pelas típicas casas alemãs com telhados triangulares e paredes brancas, cobertas de tiras de madeira vermelhas, castanhas e verdes. Vi as pessoas cobertas de casacos. Maior parte delas eram loiras, pálidas e tinham olhos claros... Os turistas identificavam-se bem, evidiciando-se pelos seus traços morenos e as máquinas fotográficas que traziam ao pescoço ou na mão.

Retirei o telemóvel do bolso e procurei o tradutor, digitei a minha pergunta e avancei pela rua, à procura de uma pessoa a falar, que eu percebesse claramente que era alemã. Não foi preciso muito tempo, afinal, estava na Alemanha.

Abordei uma rapariga que não era de todo o estereótipo de uma alemã. Bem morena, com cabelos negros ondulados pelo ombro. Ela olhou para mim e respondeu-me a todas as minhas perguntas indicando-me o caminho que eu precisava de percorrer. Agradeci-lhe e fiz tudo o que tinha a fazer.

Muitas vezes parei pelo caminho. Estaria a seguir o caminho certo? Não o da rua, mas o da minha vida... Estaria?

 Suspirei. Não valia a pena interrogar-me. Só me iria torturar a mim mesmo.

 Enviei uma mensagem a Dalila:

 *Quando é que me devolves a minha princesa?*

 Dalila respondeu:

 *Quando eu acabar de me armar em fada madrinha...

 Entretanto, não te preocupes. Eu levo-a ao hotel.*

 Eu:

*Preciso de a leves a sair novamente, daqui a uns dias... Pode ser?

E faz o teu melhor ;)*

Dalila:

*Claro, não te preocupes. Até já.*

Chamei um táxi e dirigi-me para o hotel. Vi o pôr-do-sol a manifestar-se da varanda do meu quarto... Do nosso quarto. O céu ganhava as suas tonalidades amarelas e alaranjadas. Belo, magnífico... Majestoso como sempre. Sonhava um dia alcançar tal perfeição.

Michele entrou no quarto de rompante. Trazia o cabelo esticado e ligeiramente cortado. Tinha ido ao cabeleireiro? Vinha com um estilo descontraído... Calças justas brancas até à cintura, top preto camisa aos quadrados branca e preta e sapatilhas pretas... Já a sua cara não era tão descontraída... Trazia sacos nas mãos, que tentou pousar o mais rapidamente possível quando chegou à cama.

Levantei-me e saí da varanda para o quarto. Michele suspirava. 

- Não me ajudas? - ouvi a voz suave de Dalila. - Elah, que quarto! - exclamou, parando à porta, enquanto observava a suite.

Sim, por acaso era um belo quarto. O chão era todo branco, até chegar à cama. Subíamos três pequenos degraus de madeira e estávamos perante o quarto propriamente dito. Os móveis e o tecto eram todos brancos... A cama era grande, branca e bege. Um quarto simples, minimalista e morderno. 

- Boa tarde, Lila. - sorri, cumprimentando-a, quando ela largou os sacos na cama.

Trazia um macacão branco com riscas horizontais pretas, escondido por um enorme casaco rosa claro. O seu cabelo encontrava-se apanhado, envidenciando os seus traços gregos. Senti as suas jóias de ouro a ajeitarem-se, quando me cumprimentou, colocando uma mão no meu pescoço.

- Como estás? - perguntou, afastando-se, mas deixando a mão no meu pescoço.

- Bem e tu? 

- Também. - sorriu, largando o meu pescoço.

- Querem ir comer alguma coisa? - perguntou Michele, saindo da casa-de-banho, entusiasmada.

- Claro. - respondi, olhando para a minha deusa.

Saímos do quarto e dirigimo-nos para o bar/café do hotel. Sentámo-nos numa das confortáveis cadeiras amarelas e vermelhas que estavam à volta de uma pequena mesa de madeira vazia. Pegámos no menu amarelo e pedimos. Tostas mistas, sumo de laranja e café.

Comemos e falámos. Elas falavam de lingerie, cremes e marcas. Eu olhava para o exterior. Via a piscina através das enormes janelas. Encontrava-se vazia. Via o céu amargurado. Escuro. Repleto de nuvens. Perdia-me na sua imensidão. Pensava em não pensar. Não queria pensar, nem mesmo pensar em não pensar. Então punha-me a olhar para o céu e a imaginar a sua imensidão, punha-me a pensar em como nós éramos pequenos... Tão pequenos...

- Davi? - ouvi Lila chamar, especada a olhar para mim.

- Sim? - disse, voltando o olhar para ela, como se não me tivesse ausentado da conversa delas por um segundo.

- Estás bem? - perguntou.

- Sim. Estava apenas a pensar... - sorri... Um sorriso falso.

- Estavas a pensar em quê? - perguntou Michele, a olhar-me estranhamente.

- Nada de especial. - respondi, com um sorriso reconfortante.

- Bem, estava aqui a convidar a Michele para uma saída... Acho que devíamos ir explorar Frankfurt... Sempre quis ir à casa de Goethe, à Catedral de Frankfurt e à Casa de Ópera... O que achas, Michele? - perguntou, virando-se para ela.

- Claro, se o Davi concordar.. - respondeu, sorrindo-me.

- Bem, eu acho que vocês deviam fazer uma saída de mulheres. Tira um dia inteiro para ti. Ainda te fartas de mim. - disse, em tom de gozo.

- Achas que eu me fartava de ti? 

- Não sei, mas não queiras pôr isso à prova... - ri-me.

- Eu não te vou deixar sozinho. - declarou, seriamente.

- Não te preocupes. Tenho um amigo que está a viver aqui e pensei em ir ter com ele... De qualquer forma, se não puder, tenho sempre o Nestor. - disse, olhando de soslaio para Lila, que se riu com o facto de eu ter pronunciado o nome do seu amado.

- Pois, é verdade. Ele não se importaria... Nada. - retribuiu o olhar, acompanhando-o com um sorriso sarcástico. - Não te preocupes, Michele. - disse, seriamente, olhando para a amiga.

- Está bem então... - disse, hesitante - Fica combinado! 

- Ótimo, fico feliz por isso. Vamos fazer um brinde! - disse Lila, levantando o seu copo com sumo de laranja. Michele repetiu o gesto.

- Hmm... Não dá. - disse, rindo-me, levantando ligeiramente a caneca com café.

- Cala-te. Dá, sim. - disse, Lila, rindo-se, após pôr o dedo indicador esticado junto aos lábios.

Brindámos e Lila fez-me o olhar de "de nada", levando de seguida com o meu olhar de "obrigado".

Amor, Sexo, Magia #Wattys2016Leia esta história GRATUITAMENTE!