Capítulo 1

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Os raios do sol de final de tarde iluminava a parte superior dos prédios em Seattle enquanto dava uma coloração rosada ao céu naquele início de primavera. O clima temperado era bastante parecido ao de Bismark, a cidade onde morei minha vida inteira no estado de Dakota do Norte. Enquanto a Mercedes preta ganhava as ruas, o frio que sentia na barriga ia aumentando gradualmente. Eu não sabia o que esperar do futuro naquela minha nova vida. O banco de couro parecia esquentar quando mais eu afundava no assento, as janelas fechadas do veículo faziam com que me sentisse abafada, mas não me atrevi a abrir os vidros. O motorista dirigia concentrado no trânsito como se estivesse sozinho e minha presença fosse complemente invisível. Será que ele era sempre assim? Seu nome era Charles Turner, havia se apresentado quando me buscou no aeroporto dizendo ser o motorista da família Vielmond. Não tinha como suspeitar, a Mercedes da qual ele havia saído era como um resumo do poder que aquele nome tinha.

No começo eu não entendia quais eram os limites do império Vielmond, mas quando Henry me contou toda a verdade e sua posição diante de um dos maiores legados do mundo, eu descobri que os limites não existiam. Não havia uma linha imaginária indicando até onde seu poder alcançava, o nome Vielmond ia além dos Estados Unidos, empresas se espalhavam na Europa e Ásia em um crescimento completamente fora da minha compreensão. Então como eu havia parado ali? Quando comecei a fazer parte desse mundo? Boa parte do motivo dormia tranquila em meu colo enrolada em uma manta com de rosa bordada com pequenos ursinhos que fora presente de Henry. Olhei para baixo quando o veículo parou em um sinal vermelho e vi o rostinho da minha filha. Esse pedacinho de gente era alheio a toda maldade do mundo e algumas vezes eu desejava que ela permanecesse assim, pequena e frágil sendo protegida no calor dos meus braços.

Quando o carro voltou a se movimentar, olhei novamente para as ruas onde as pessoas iam apressadas de um lado para o outro em um tumulto típico de cidade grande. Foram alguns minutos a mais até que o veículo entrasse em um bairro residencial.

- Estamos indo para Mercer Island, Srta. Harper. – Charles disse assim que o veículo pegou velocidade em um túnel.

- Onde estamos exatamente? – perguntei curiosa louca para conhecer um pouco mais daquele lugar onde seria meu novo lar.

- Na Interestadual 90. É o acesso para a cidade. – ele disse sendo bastante formal.

Ajeitei-me no assento de couro do carro sentindo a maciez enquanto a escuridão do túnel ficava para trás e os últimos raios de sol deixavam a cidade por completo quando começamos a deslizar pela ponte aberta. As estrelas começavam a cintilar no céu agora de uma cor azul que ia escurecendo conforme os minutos passavam. Sentia-me um pouco cansada, a viagem de avião não me permitiu alguns cochilos já que a todo o momento eu precisava vigiar Emma que parecia um pouco impaciente. Provavelmente estava se sentindo desconfortável em ficar no colo por mais que eu tentasse mudá-la de posição. Era questão de sorte estar adormecida naquele momento durante a viagem de carro desde que saímos do aeroporto, mas eu calculava que em poucos minutos ela iria acordar com fome.

Novamente senti o frio na barriga que desde que acordei naquela manhã se tornara parte do meu dia. Agora além daquele desconforto eu sentia uma leve dor de cabeça por conta do cansaço da viagem. Eu não costumava ficar ansiosa, sabia lidar com minhas emoções, mas agora estava sendo dominada por um nervosismo ao qual não conseguia controlar. Foram alguns poucos minutos admirando as águas logo abaixo de nós e eu me perguntava como era morar em uma cidade rodeada por elas. Logo o carro começou a ganhar as ruas residenciais de Mercer Island. Comecei a ver lindas mansões de cada lado da rua, com grandes terrenos arborizados e me perguntava em que lugar exatamente íamos parar.

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