ash-brown hair

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Ah, férias de verão... A melhor e mais esperada época do ano.

Três meses inteiros sem escola. Poder dormir até tarde, nada de matemática, nada de educação física, nada de comida horrível da cantina. Finalmente, tenho os dias livres para ir à praia com meus amigos, ou passear com meus cachorros, ou dormir e assistir televisão 24 horas por dia, sete dias na semana. Eu deveria estar pulando de felicidade.

Então, por que será que tudo o que eu quero fazer agora é me atirar do alto de uma ponte?

Simplesmente, porque meu querido pai decidiu que seria uma ótima ideia me mandar para um acampamento de verão no fim do mundo.

Eu comecei a rir quando ele me deu a grande notícia, achando que era uma piada, mas sua expressão séria me disse que não era brincadeira. Ele nem quis saber quando falei que não queria ir para acampamento nenhum e disse que seria bom para mim ter mais contato com a natureza.

Tá bom, como se eu acreditasse nisso.

A verdade é que meu pai vive para impressionar o seu chefe e, coincidência ou não, os filhos dele frequentam esse mesmo acampamento, então eu deveria saber que uma hora ou outra ia sobrar para mim. Eu só queria que isso tivesse acontecido há alguns anos atrás, quando eu ainda era criança, e não nas minhas férias antes do último ano do ensino médio. Pelo amor de Deus, eu já tenho dezessete anos!

Bom, a única vantagem - se é que dá pra chamar assim - é que eu não estou sozinha nessa.

- Se continuar franzindo a testa desse jeito, vai ficar cheia de rugas. - Ouço a voz da minha melhor amiga ao meu lado. Eu apenas reviro os olhos e aperto mais os braços cruzados sobre o peito. - Olha, nós já estamos chegando.

- Maravilha. - Digo ironicamente, nem me importando em fingir animação. Não que isso pareça afetá-la.

- Bem-vindo ao Condado de Berkshire, o principal resort cultural da América. - Ela lê em voz alta, ao passarmos por uma placa na beira da estrada, e se vira para mim. - Ouvi dizer que tem até cachoeiras por aqui. Isso não é legal?

- Muito. - Ouço a voz carregada de sarcasmo do meu melhor amigo, vindo dos assentos do outro lado do corredor.

Jimin e Roseanne Park são irmãos gêmeos e meus melhores amigos desde o jardim de infância. Nós sempre estivemos juntos em tudo, e provavelmente por isso que acabaram sendo arrastados comigo para esse acampamento. Rosé está extremamente empolgada, mas Jimin parece tão feliz quanto eu.

Ou seja, nenhum pouco.

Já estamos há mais de três horas dentro do ônibus que saiu de Nova York e, quando eu achava que a viagem não poderia piorar, nós entramos em uma estrada de terra esburacada, que me faz literalmente quicar no assento desconfortável. Através da janela, vi a paisagem urbana se transformar em uma cidadezinha de interior e depois em uma imensidão de árvores.

Não vou mentir, o cheiro da natureza até que é bom, mas isso não melhora o meu humor.

A estrada de terra deve durar uns 15 minutos e eu me sinto aliviada quando o ônibus finalmente para, mas então percebo o que isso significa.

- Chegamos! - Rosé se levanta em um pulo, assim como boa parte dos passageiros. Ela nem espera por nós e praticamente corre até a saída do veículo.

- Pronta? - Jimin pergunta.

- Não. - Digo, seríssima.

- Nem eu. - Ele se levanta e me segura pela mão. - Vamos.

Somos os últimos a descer do ônibus. Logo de cara, a primeira coisa que vejo é um grande portal de madeira rodeado por árvores. Na verdade, parando para pensar, acho que nunca vi tantas árvores em um só lugar. Há outros nove ônibus escolares iguais ao que viemos, cada um vindo de um estado da região nordeste do país, de onde saem incontáveis crianças e adolescentes de idades variadas.

Red Maple Camp // jenlisaOnde histórias criam vida. Descubra agora