Cinco - Alice

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Eu já tinha decidido que ia fugir

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Eu já tinha decidido que ia fugir. Tinha plena consciência de que minha vida ao lado de Quentin seria um inferno muito maior do que eu poderia imaginar a princípio. O único problema nesse plano era que, se eu simplesmente desaparecesse e meus pais continuassem no castelo dos Augustini, Deus sabia o que poderia acontecer com eles. Então, antes que eu tentasse qualquer coisa, precisava que eles estivessem bem longe dali.

E eles só estariam bem longe dali depois do casamento.

Bem, faça as contas.

Depois de muito insistir, consegui persuadi-los a irem embora logo depois da cerimônia. Eles não queriam de jeito nenhum, é claro, mas consegui ser apelativa o suficiente.

- Mãe, é minha noite de núpcias – disse, tentando parecer feliz com aquilo e aborrecida por ter de explicar o que, por favor, era óbvio. – Quero ficar sozinha com o Quentin. Vai ser estranho se você e o papai estiverem aqui também.

- O Sr. e a Sra. Augustini vão estar aqui também. Por que não podemos ficar?

- Porque eles moram aqui. – respirei fundo, impaciente. – Isso é muito sério, vocês querem ou não que eu seja feliz?

Golpe baixo, eu sei. Mas eu estava salvando a vida deles e sabia que com a minha felicidade fingida eles não teriam como argumentar. No fundo, eles teriam de se sentir um pouco culpados por me venderem daquela forma.

E foi assim que consegui que, duas horas atrás, eles deixassem Tão Tão Distante. E foi assim também que fui parar no quarto de banho de Quentin, com o vestido de noiva ainda pinicando minha pele enquanto eu andava de um lado para o outro sem saber o que fazer.

Eu não podia enrolar muito. Tinha conseguido um tempinho, dizendo que precisava fazer "coisas de mulher", mas Quentin não pareceu muito feliz. Ele estava bem empolgadinho para consumar o casamento de uma vez por todas, empolgação que, obviamente, eu não compartilhava.

Mas que porcaria, eu tinha de pensar em alguma coisa.

- Alice? – a voz abafada dele veio do outro lado da porta de madeira, um tantinho impaciente. – Não posso esperar a noite toda.

- Estou quase acabando! – disse em resposta, tentando soar feliz e tranquila. Depois grunhi de frustração e me abaixei vergonhosamente no chão, cobrindo a cabeça com as mãos. Até que tive uma ideia.

Algumas princesas possuíam fadas madrinhas, certo? E se eu também possuísse uma? Era minha única esperança.

Fechei os olhos com força e comecei a pedir. Pedi que, caso houvesse uma fada madrinha desempregada e de bom coração, eu não me importaria em tê-la só para me ajudar com esse pequeno e singelo que pedido que era ficar o mais longe de Quentin o mais rápido possível, de preferência para sempre.

Esperei e esperei. Esperei mais um pouco só para garantir, mas quando Quentin bateu violentamente na porta eu percebi que era o fim. Eu teria de enfrenta-lo, teria de consumar o nosso casamento, teria de me tornar, irreversivelmente, a princesa Augustini.

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