Dois - Quentin

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- Se você não gostou dela, querido, é só dizer

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- Se você não gostou dela, querido, é só dizer.

Quentin se afundou mais na banheira, submergindo o queixo e os lábios, até ficar só com metade do rosto para fora da água. Sua mãe estava perguntando aquilo desde que ele não expressara nenhuma reação ao ver Alice Chantin pela primeira vez.

Mas não era culpa da garota. Ela era bonitinha, um pouco diferente das mulheres de Tão Tão Distante, com seus cabelos e olhos escuros, mas nada desagradável de se olhar. E era realmente muito melhor do que estava esperando. O problema não era ela. O problema era ele.

Ele tinha se fechado tanto dentro de si mesmo ao longo dos anos que escolhia mulheres como quem escolhia frutas em uma feira. Não se pode abrir uma fruta para ver se está boa ou ruim antes de compra-la, certo? Quentin seguia a mesma filosofia, mas não se importava muito com a polpa. A casca já era o suficiente, era o que lhe dava um prazer carnal momentâneo. E ele sabia muito bem que elas nunca abririam o bico. A guilhotina era a última coisa que viam caso o fizessem.

- Não importa. – ele respondeu, sentando-se melhor na banheira enquanto meia-dúzia de fadas esfregava seus cabelos. – Sei que precisamos dessa união, nenhuma mulher faria diferença.

Os olhos azuis da rainha Anna se transformaram em algo que, se ele não a conhecesse bem, podia interpretar como compaixão. Mas ele a conhecia bem demais para cometer esse erro.

- Mas nós poderíamos encontrar outra pretendente. Eu só quero que você seja feliz.

Ah, claro. Aquilo quase o fez rir, porque se havia alguma coisa com a qual Anna não se importava, essa coisa era sua felicidade.

Anos atrás ele era um menino feliz vivendo nos castelos, que não precisava se preocupar com o futuro do reino. Agora tinha o futuro da maldita coisa em suas mãos, por um capricho da mãe, que queria que ele fosse feliz. O que ela entendia de felicidade?

- Não quero outra pretendente – rosnou, voltando a afundar na banheira, quase afogando as fadas com o movimento súbito. – quanto antes isso estiver resolvido, melhor.

- Ótimo! – a rainha respondeu radiante, o que só o fez pensar que ela não arranjaria outra pretendente de qualquer forma. – Já cuidei para que ela esteja relaxada hoje durante o jantar, e espero que vocês se divirtam. Tente ser gentil e elegante, Quentin, por favor.

Ele não respondeu, nem sequer olhou para a mãe. Ela saiu toda empinada do quarto e Quentin submergiu a cabeça completamente, obrigando as fadas e voarem para longe.

Queria ficar li, longe de Anna, longe das obrigações do reino, longe de Alice. Mas se havia uma coisa que ele havia aprendido nos anos como herdeiro do rei, era mentir. Ele poderia mentir mais uma vez.

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