ALYSSON
Podia afirmar que minha resposta a pequena provocação de Ryan no carro teve o efeito desejado, porque poucos dias depois ele me ligou me convidando para um café e desde aquele dia começamos a conversar mais do que antes, fosse pessoalmente em alguns pequenos passeios entre os horários fora do trabalho, ou por telefonemas e mensagens.
Ficamos mais próximos e estava começando a achar que poderíamos nos chamar de amigos, mas sempre que estávamos próximos havia aquela faísca que nos guiava a estar ainda mais perto, tentando desvendar os mistérios um do outro. Nunca fizemos perguntas diretas ou falávamos sobre nossos segredos abertamente, sempre haviam metáforas ou maneiras esguias de dizermos as coisas sobre nosso passado um para o outro, mas no fim acabávamos nos abrindo, do nosso jeito.
Ambos tínhamos algo que nos machucou, que marcou nossas realidades e nos transformou, porém, o tempo que Ryan e eu passamos mais próximos, deixou claro que apesar de eu ter minhas marcas causadas pelo medo de uma garotinha e a ambição de uma mãe, elas não eram tão profundas quanto as dele.
O segredo que Ryan guardava o machucou muito, eu conseguia ver isso sempre que seus olhos ficam nublados e distantes quando parecia se lembrar de algo e um silêncio incômodo e pesado vinha seguido de uma expressão fechada, que às vezes eu tinha trabalho para desfazer e trazê-lo de volta, mas do mesmo jeito que tentava deixá-lo fora da sua mente conturbada e manter no seu rosto aquele sorriso lindo, ele me puxava para longe da minha pose perfeita, me ajudando a ter mais liberdade ao invés de continuar seguindo regras que cada vez mais não tinham sentido para mim.
Nós dois tínhamos evoluído nos últimos tempos, ele começou graças à ajuda de Megan e eu através das palavras e apoio constante da minha irmã, além de certos presentes anônimos agora.
No entanto, havia um problema ainda não resolvido que existia, principalmente por minha causa. Era óbvio que Ryan tinha interesse em mim assim como eu tinha nele, porém, com nossa maior aproximação, percebi que ele vinha tentando se abrir comigo não somente porque queria que eu fizesse o mesmo, mas também porque desejava que eu pudesse ver tudo o que ele era e assim decidir se ficaria ou iria embora.
Ele parecia cada vez mais querer tentar algo entre nós, isso ficava claro pelas suas atitudes, mas eu não sabia se estava pronta para algo além da nossa amizade, pelo menos não ainda, não antes de falar com minha mãe sobre tudo o que vinha acontecendo comigo e as decisões que vinha tomando.
O problema era que em todas as minhas tentativas de trazê-la para Nova York para uma conversa, fracassaram. Por causa disso, tinha decidido ligar para ela no dia seguinte e falar tudo o que tinha para falar por telefone mesmo. Não queria mais adiar isso. Falar sobre o término do meu namoro com o genro perfeito dela seria uma coisa difícil, mas mais difícil ainda seria dizer que não tinha mais certeza se queria ser modelo, porque além de ser exaustivo para mim ficar fazendo algo que não gostava de verdade, também começou a ser sufocante ter que sorrir a todo o momento e fingir que tudo estava bem.
Deixei para pensar sobre o que falar naquela conversa amanhã, porque hoje eu precisava fazer minha irmã sair de casa e deixar o apartamento apenas para mim e a chamada nada convencional que faria com Ryan.
Ele estava viajando a trabalho haviam cinco dias e voltaria na semana que vem. Nos falamos duas vezes por telefone nesses dias e ontem à noite, depois de ouvir sobre como se sentia cansado de comer fest food e comidas de restaurante, tive uma ideia que o interessou e seria posta em prática essa noite, isso se eu conseguisse fazer Cristina sair daqui.
— Tem certeza de que não é melhor você ir ficar com elas por precaução? — perguntei novamente e recebi de novo um revirar de olhos.
— Era apenas um rato, Alysson! Izabely e Ireny não precisam que eu passe a noite na casa delas apenas por isso. — Cristina voltou a olhar para a televisão, concentrada no filme de romance. — Além do mais, Izabely tem uma arma, um temperamento perigoso e uma coleção de sapatos de salto alto, ela não precisa da proteção de ninguém.
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Rosas Anônimas (Livro 2) - Série: Paixão e Amor
RomanceAlysson vive na cidade de Nova York com o pai desde que ele se casou novamente após um divórcio conturbado. Ela tem um pai amoroso, uma irmã meiga e amigas que sempre a apoiaram, mas tudo isso ainda não foi capaz de apagar as marcas que ela carrega...
