Capítulo 9

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RYAN

Talvez, somente talvez, Lucca estivesse certo e os membros da família Zaiker eram mesmo um pouco lentos no quesito vida amorosa. Mas aquele maluco entusiasmado nunca poderia saber que admiti isso.

Desde o primeiro momento em que vi Alysson naquele supermercado, ainda na época em que não sabia nem o seu nome, senti que ela tinha algo especial e, ao contrário das outras mulheres que conheci e que no primeiro momento apenas me despertaram atração física, ela fez muito mais que isso.

Claro que me sentia atraído por ela, sempre que nos aproximávamos demais queria puxá-la para mim e poder descobrir se tinha um gosto tão bom quanto seu cheiro de rosas. Quase fiz isso durante nossa caminhada noturna depois que o namorado idiota dela a deixou sozinha no aniversário de namoro deles, mas foi a lembrança de que ela tinha um namorado que me fez retroceder.

Alguns podiam me chamar de canalha frio e arrogante por causa do jeito que costumava agir na maior parte do tempo, mas eu não era ruim como a maioria pensava, mas apenas minha família e meus amigos sabiam disso, porém, isso foi antes de conhecer aquela linda mulher que me despertava coisas incomuns com seus discretos sorrisos e olhares penetrantes.

Descobrir que Alysson não estava mais namorando acendeu ainda mais aquela chama de esperança que começou a queimar dentro de mim, desde o momento em que a vi pela primeira vez. Disse a mim mesmo que pensava demais nela por causa da atração física e a curiosidade por querer descobrir seus segredos, mas repensando bastante todos os nossos encontros, percebi que não podia ser apenas atração, não quando passei dias pensando no seu jeito de sorrir e a maneira como seus olhos brilharam ao tirar fotos daquele pôr do sol e eu quis poder observar uma cena como aquela o maior número de vezes possível.

Entendi que talvez estivesse mais interessado nela do que anteriormente pensei, por isso, no dia em que levei Megan da casa de Marta para que ela pudesse ficar sozinha e pensar, também refleti por um longo tempo imaginando se era uma boa ideia cometer a loucura que estava pensando em fazer. Contudo, devido ao terrível fato de que na minha família as pessoas eram confusas e lentas na parte dos relacionamentos, principalmente os homens, tive que fazer aquele sacrifício que com certeza me renderia horas de tortura futuramente.

— Dom Papa-léguas? Por que você está me ligando de madrugada? Sua casa está sendo arrombada? Um homem bomba está te fazendo de refém? Oh meu Deus! Um OVNI estacionou na sua garagem e os compatriotas do ganso gripado de Marte estão tentando te sequestrar para forçar um acasalamento?

O mais estranho era que ele realmente parecia desesperado, enquanto listava quais emergências totalmente insanas poderiam me fazer ligar para ele de madrugada.

— Lucca, pare! — Esfreguei os olhos já me arrependendo da ideia. — Não estou sendo ameaçado e nem sequestrado.

Ele ficou em silêncio por um tempo e isso me deu mais medo do que seus ataques de ansiedade, porém pouco depois ouvi uma porta sendo fechada e Lucca voltou a falar.

— Então por que está me ligando de madrugada? — questionou desconfiado.

Com certeza ele estava criando teorias sobre eu ter sido substituído por um clone robô à mando do Serviço Secreto, ou alguma coisa do tipo.

— Preciso de ajuda, é sobre... — Parei e suspirei, não totalmente certo se era uma boa ideia falar sobre aquilo, ainda mais com ele, no entanto ninguém nunca me deixou tão agitado quanto Alysson fez. Isso com certeza deveria significar algo e eu precisava descobrir o que era. — Alysson.

Dois segundos de silêncio vieram antes dele gritar.

Tirei o telefone de perto do ouvido, irritado com o seu escândalo.

Rosas Anônimas (Livro 2) - Série: Paixão e AmorOnde histórias criam vida. Descubra agora