Fiquei no cemitério mais de meia hora. Tinha tantas coisas para contar á minha mãe, até lhe falei do Harry e do que tinha acontecido há uns minutos atrás.

Eu sei que é estranho para as outras pessoas entenderam como é que ''falo'' com ela, a verdade é que eu também não sei explicar, só falo.

E sinto o que ela me tenta dizer... Provavelmente é só a minha imaginação que cria aquelas respostas e eu assumo que são dela para não me sentir tão sozinha, mas não me importo de ser louca se isso me faz sentir mais perto dela.

Afastei-me devagar da campa da minha mãe e caminhei para fora do cemitério.

Continuei a andar pelo passeio mas uma estranha e assustadora sensação apoderou-se de mim, senti-me observada, senti que estava alguém a seguir-me.

Olhei discretamente para trás de mim sem parar de andar, naquele lado do passeio estava apenas um rapaz que estava uns metros atrás de mim.

Voltei a olhar para a frente e continuei a caminhar, agarrei com mais força a minha mala que estava enrolada no meu ombro e tentei tirar da minha cabeça aqueles pensamentos mas antes de o conseguir fazer senti a minha mala ser puxada do meu ombro, não consegui perceber quase nada do que estava a acontecer porque foi tudo muito rápido mas o rapaz que estava atrás de mim estava a tentar roubar-me a carteira.

Agarrei com toda a força a alça e puxei-a para trás enquanto tentava gritar por ajuda.

O rapaz aproximou-se mais de mim e empurrou-me com tanta força que eu acabei por cair no chão.

"Larga a mala cabra!" Ele gritava enquanto me continuava a puxar a mala.

"Eih, deixa-a em paz!" Uma voz masculina surgiu do nada atrás de mim e a única coisa que vi a seguir a isso foi o assaltante a ser empurrado para trás. Ele largou a minha mala e eu fiquei a agarra-la.

O rapaz acabou por fugir, eu permaneci sentada no chão em pânico.

"Estás bem?" Eu conhecia aquela voz. Olhei ligeiramente para cima e vi o corpo do Harry a baixar-se até ele ficar ao meu nível. "Estás bem Candace?"

Agarrei a camisola dele e envolvi os meus braços no seu tronco.

Não tinha noção do que estava a fazer mas estava demasiado assustada para fingir que estava bem.

"Obrigada Harry!". Ele não disse nem fez absolutamente nada, ficou apenas ali sem travar os meus movimentos. Não me abraçou como eu o abracei e as mãos dele nem sequer tocaram o meu corpo mas eu senti-me protegida.

"Queres que te leve a casa?" Ele perguntou com voz um pouco hesitante.

"Sim." Respondi assim que ele acabou a frase.

Em poucos minutos chegamos a minha casa. O carro parou mas eu permaneci quieta no meu lugar a olhar para as minhas mãos que estavam pousadas nas minhas pernas.

"Obrigada!" Voltei a dizer.

"Porque?" Ele sabia perfeitamente porque que eu estava a agradecer mas não me irritei minimamente com a pergunta desnecessária dele.

"Por me teres salvo."

"Fiz o que qualquer pessoa faria."

"Mas mais ninguém o fez a não ser tu." Uns segundos de silêncio.

"Não tens de que." Estiquei a mão para abrir a porta do carro mas travei o meu próprio movimento.

"Porque que continuavas lá?" Forcei-me a mim própria a olhar para ele e percebi que ele desviou o olhar assim que a minha cabeça rodou. Ficou a olhar para o volante e a brincar com os próprios dedos.

"Lá onde?"

"Naquele sítio. Tinhas ido embora há mais de trinta minutos. Porque é que ainda estavas lá?"

"Porque... Fiquei por lá, só isso."

"Por minha causa?" Quando as palavras saíram percebi o quão ridículo soaram. Fechei os olhos dois segundos e chamei-me estúpida mentalmente.

"Não!" Ele levantou a cabeça e olhou para o lado de fora da janela. "Talvez." Os meus olhos abriram-se mais e fiquei a olhar para ele com mais atenção.

"Porque é que te afastaste de um momento para o outro?" Não era aquela a pergunta que queria fazer, eu sabia que não era, mas continuava a trazer aquele assunto para a conversa o que me irritava profundamente, parecia que não tinha controlo sob mim própria.

"Sentiste a minha falta?" A risada dele invadiu o carro aliviando um pouco a tensão que se estava a sentir naquele momento. O que me incomodou realmente não foi a pergunta dele mas o facto de eu não saber a resposta.

"Não sei." Foi a única coisa que consegui dizer.

Os olhos dele encontraram-se finalmente com os meus e ficamos uns segundos a olhar-nos profundamente.

Ainda não me tinha apercebido o quão profundo e bonito era o verde dos olhos dele.

"É melhor ires embora Candace!" Ele falou sem quebrar contacto visual comigo.

"Pois é!" Sai do carro e fiquei de pé com a porta aberta a olhar para o interior do carro. Havia tantas perguntas que estavam a dançar na minha cabeça naquele momento mas impedi-me a mim própria de as fazer, seria demasiado ridículo e certamente iam deixar-me embaraçada se ele chegasse a responder!

Acabei por fechar a porta e voltar para casa sem dizer mais nada.

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