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𝗥𝗔𝗙𝗘

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𝗥𝗔𝗙𝗘.

Estou tão nervoso com a ideia de ver Avery de novo que meu corpo estremece ao ouvir o som da campainha tocando. Eu me levanto da cama e respiro fundo, tomando coragem quando desço as escadas para ir até a porta principal. Tento não perder o fôlego quando Avery aparece na minha frente após eu puxar a maçaneta. Meu maldito coração acelera, assim como toda vez que nos vemos. Sinto vontade de abriga-la em meus braços pra nunca mais soltar, mas sei que não tenho esse direito. Não agora. Não depois de ter feito a merda de virar as costas pra ela num momento tão difícil.

Eu perdi o meu melhor amigo. Eu perdi um pouco da minha sanidade mental. Eu não podia perde-la também. Eu me recuso.

⏤ Oi. ⏤ digo primeiro.

Minha voz sai um pouco falha e é o suficiente pra ela perceber como estou inseguro. Ela acena com a cabeça, sem mudar a expressão fria em seu rosto.

⏤ Oi ⏤ amarrou os cabelos. ⏤ Vamos subir?

Só então me lembro do diálogo que tivemos por ligação. Me sinto mal por nada daquele momento parece real. Eu conseguia ver em seus olhos que Avery não estava bem. E eu não suportava a ideia de vê-la dessa forma, ainda mais sabendo que boa parte de seu abatimento é minha culpa.

Apenas concordo em silêncio. Subo as escadas primeiro, escutando seus passos atrás de mim logo após que ela retira as botas. Lá fora está frio, então ela traja um moletom preto de uma casa de Harry Potter. Lembro-me que foi Sarah quem lhe apresentou a saga. Avery esteve irredutível na ideia que odiava sagas de fantasia, mas quando sentou para assistir o primeiro filme, ela ficou obcecada. Sarah vivia comentando que elas compravam produtos da saga juntas e no aniversário de dezoito da Avery, Sarah lhe presenteou com toda a série de livros. Não sei até hoje se ela leu tudo, mas não duvido nada.

Tempos bons em que ninguém estava mentalmente instável demais para descontar nos outros.

Chegamos ao meu quarto e assim que tranco a porta do mesmo, me viro na direção de Av. Paro bem na sua frente, analiso seu rosto com todo o cuidado possível. Só assim minhas suspeitas se confirmam; ela não está bem. Nada bem. E sexo não resolveria as coisas, apenas nos enganaria ao pensarmos que um momento de prazer mudaria nossa situação atual.

Guio meus dedos pelo seu rosto, vendo como ela relaxa diante do meu toque, mesmo que continue na defensiva. Não quebramos o contato visual por nenhum segundo. Toco seu cabelo e noto ela torcer um pouco o nariz. Franzo as sobrancelhas, sem entender sua reação repentina. Ela parece que lê minha mente.

⏤ Eu ainda não tomei banho hoje. Não tive tempo. ⏤ disse, baixo.

Umedeço meus lábios e levo minha outra mão pros seus cabelos, acariciando os fios e os sentido sobre meu tato como se fossem algodão. O cheiro bom de Avery impregna nas minhas narinas. Seu aroma era bom. Não estou falando de seu perfume ou coisa do tipo, mas o cheiro dela. Acho que todo mundo e qualquer coisa tem um cheiro específico. O dela é o meu favorito. De todos que eu já senti. Ganhando até mesmo de hortelã, menta e o de uma comida de Natal recém-pronta.

𝐓𝐎𝐗𝐈𝐂, 𝗰𝗮𝗺𝗲𝗿𝗼𝗻. ✓Onde as histórias ganham vida. Descobre agora