ALYSSON
Os últimos meses tinham sido bem interessantes, passei mais tempo fazendo atividades que gostava ao invés de apenas seguir um roteiro antigo e isso fez muito bem para mim. Me senti mais viva ao fugir de algumas aulas com meu personal trainer para ir passear no parque, além de conseguir estar mais presente nas reuniões com as meninas por ter menos trabalhos. Ter mais tempo para fotografar foi uma das coisas que mais me alegrou e me deixou radiante.
Não tinha feito exatamente uma grande mudança na minha vida, diminui o tempo que passava me dedicando a ser uma modelo empenhada e com isso consegui algumas horas para fazer coisas que me alegravam, no entanto, essas minhas atividades ainda eram apenas um tipo de hobby.
Mesmo que quisesse tornar isso algo maior e a cada dia ficasse um pouco mais decidida a continuar mudando meu modo de viver, ainda não estava pronta para enfrentar minha mãe, não me sentia segura para falar sobre como fazer menos trabalhos como modelo e tirar minhas próprias fotos me fazia feliz e eu queria continuar fazendo isso cada vez mais.
Era gratificante estar satisfeita com as atitudes que tomava por mim mesma, por minhas próprias escolhas, mas ainda era doloroso pensar que por causa disso poderia deixar minha mãe decepcionada depois de todo o seu esforço para me tornar uma modelo tão boa quanto ela foi.
As lembranças da minha infância onde Eleonora sempre me vestia como sua princesinha e na adolescência me dava lições de como me portar perante a sociedade, vinham a minha mente trazendo meus medos à tona, porque em todas aquelas ocasiões ela me dizia como estava feliz por me ver crescer tão bonita e capaz de seguir seus passos, sempre deixando claro como ficaria triste e magoada se eu não conseguisse me tornar alguém como ela.
Eleonora queria me ajudar a ser feliz e achava que isso aconteceria se eu seguisse seus passos e suas regras, porque foi assim que se tornou uma mulher famosa e rica. Eu não conseguia odiar minha mãe, no fundo suas intenções eram boas, mas infelizmente sua maneira de agir não era o que eu precisava para ser feliz de verdade.
Hoje, assim que terminei o ensaio fotográfico, me despedi do meu agente, Franklin, e dirigi para o meu apartamento, onde sabia que encontraria algumas das minhas amigas que nos visitariam para o almoço.
Estava ansiosa para ver as garotas, por isso segui sorrindo para o apartamento. Assim que cheguei percebi de imediato pelo cheiro bom, que o almoço já estava sendo preparado.
— Estrelinha chegou! — Izabely gritou do sofá da sala assim que me viu passando pela porta.
Ela estava digitando algo no celular freneticamente e com certeza deveria ser relacionado ao seu trabalho, a mulher baixinha de pose séria, sempre com roupas bonitas e penteados elegantes era promotora. Megan lhe deu o apelido de Comandante porque Izabely gostava de dar ordens e seu jeito de agir nunca permitia contradições.
A cumprimentei e fui até a cozinha vendo Cristina na mesa, concentrada no computador enquanto Ireny cantarolava e cozinhava algo que cheirava maravilhosamente bem. Ela era a melhor cozinheira entre todas nós e tinha muito talento para isso, principalmente para fazer doces, por causo disso, Marta, a antiga cozinheira de Megan e também sua segunda mãe e agora sogra, fez de Ireny sua pupila na cozinha.
— Está fazendo tudo sozinha? — perguntei olhando para as panelas no fogo.
— Minha irmã está resolvendo coisas importantes do trabalho e a sua fez a salada e depois ficou vidrada naquele computador. — Fingiu estar brava olhando para Cristina, mas logo sorriu voltando a atenção para suas panelas.
— Nunca pensou em ser cozinheira ao invés de advogada? — indaguei ao provar um pouco do molho maravilhoso que ela havia acabado de finalizar.
— O meio jurídico é coisa de família, nossos pais e avós trabalhavam nisso e depois de ver Izabely seguindo a carreira, me apaixonei também.
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Rosas Anônimas (Livro 2) - Série: Paixão e Amor
RomanceAlysson vive na cidade de Nova York com o pai desde que ele se casou novamente após um divórcio conturbado. Ela tem um pai amoroso, uma irmã meiga e amigas que sempre a apoiaram, mas tudo isso ainda não foi capaz de apagar as marcas que ela carrega...
