Capítulo 4

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RYAN

Podia dizer que tive uma infância e uma adolescência muito boas tendo uma família como a minha, unida e de caráter, todos sempre apoiando um ao outro em qualquer situação, mesmo à distância, porém, infelizmente não consegui fazer esses momentos bons serem capazes de sobrepor a tragédia que me despedaçou há três anos atrás.

Meus pais tiveram um começo de relacionamento um pouco fora do padrão por serem obrigados por seus pais a se casarem para unir as empresas e criar o que hoje era a Tech Zaiker. Meu pai vinha da família Donfried, que possuía uma grande empresa de tecnologia, mas não tão grande quanto a que a família Zaiker possuía, porque depois do casamento do meu tio Erick Zaiker com uma canadense, uma grande filial foi aberta em Toronto e os negócios cresceram ainda mais.

Foi visando aumentar os negócios e criar a maior empresa de tecnologia da América do Norte, que meus pais tiveram o casamento arranjado e se casaram aos dezoito anos, assim a Donfried Technologies e a Zaiker Enterprise se tornaram a Tech Zaiker.

Como Patrícia e Richard sempre foram amigos próximos, não demorou para um sentimento mais forte surgir entre eles após começarem a morar juntos e passar mais tempo um ao lado do outro, por isso em menos de um ano de casados, eu já havia sido concebido e por causa disso minha diferença de idade entre meu primo Christopher era de apenas um ano, isso nos tornou desde a infância mais próximos um do outro do que dos nossos irmãos caçulas que eram inseparáveis.

Jonathan nasceu quando eu tinha três anos e fiquei muito feliz por ter sempre alguém por perto já que Christopher morava com meu tio Erick e minha tia Elisa em Toronto, então só podia nos visitar nos feriados e alguns fins de semana, contudo, assim que Mikael nasceu, um ano depois do meu irmão, Jonathan praticamente me abandonou para ficar com o nosso primo mais novo. 

Quando eu tinha dez anos, considerei seriamente pedir aos meus pais que trocassem Jonathan por Christopher e me deixassem ter meu melhor amigo morando conosco enquanto enviávamos meu irmão para o Canadá, mas minha irmã Daphne estava com um ano de idade e achei melhor ter alguém brincalhão como ele ao meu lado para me ajudar a controlar aquela bebê esfomeada e chorona.

Ao passar a fase de brigas entre irmãos e preferência pelos primos, Jonathan e eu nos tornamos inseparáveis e não fazíamos quase nada sem o outro. Apesar de nossas personalidades serem opostas, nos dávamos muito bem e eu amava aquele maluco cheio de frescuras com o cabelo.

Lucca apareceu nas nossas vidas aos meus quinze anos, sua mãe havia acabado de morrer em um acidente de carro na Toscana e seu pai, Giuseppe, resolveu se mudar para Nova York para perto dos meus pais, seus amigos desde a época da faculdade, que o ajudaram a transferir a sede da sua empresa de advocacia para Manhattan.

Estávamos no meio de um jantar quando um garoto de onze anos entrou pela porta da casa derrubando a mesa de centro, enquanto corria para o quintal dos fundos chorando, um segundo depois Jonathan e Mikael estavam correndo até ele curiosos e Christopher e eu fizemos o mesmo, preocupados com o menino estranho. O encontramos escondido entre alguns arbustos, ainda chorando e nos sentamos todos ao seu redor, me lembrava daquele dia perfeitamente, porque foi quando fizemos um voto do qual não poderíamos nunca fugir.

— Por que você está chorando? — perguntei para o garotinho triste.

— Nunca mais vou ver minha mamãe, meu papai disse que ela virou uma estrela. Eu não quero que ela seja uma estrela, quero que seja minha mamãe — falou em inglês com um sotaque forte.

— Minha mãe disse que mesmo quando alguém vai para o céu, essa pessoa ainda vai continuar sempre com a gente. — Jonathan disse, me fazendo lembrar das palavras da nossa mãe quando nossa avó se foi.

Rosas Anônimas (Livro 2) - Série: Paixão e AmorOnde histórias criam vida. Descubra agora