Capítulo 04: Explicações

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Acordei com o corpo dolorido. A noite havia sido agitada para mim, todos os acontecimentos daquele dia tinham vindo num turbilhão de emoções e pensamentos. Lembro-me de ter rolado de um lado para outro a noite inteira, sem conseguir descansar a mente ou o corpo.

Levantei-me com dificuldade. Se o meu corpo fosse o de um andróide, com certeza, eu estaria ouvindo-o ranger e estalar sem parar.

Respirei fundo e selecionei as peças de roupa do dia, abracei-as junto com uma toalha grande e felpuda, e corri para o banheiro. Tomando o cuidado de não esbarrar com ninguém no caminho.

Assim que tranquei a porta do banheiro, senti o meu corpo inteiro relaxar. Joguei a roupa sobre a pia e liguei o chuveiro. Enquanto esperava a água esquentar, me despi e desembaracei o cabelo, sempre observando os detalhes ao meu redor.

O banheiro era grande, com uma banheira larga no canto direito, um chuveiro elétrico do lado esquerdo, com um boxe espaçoso e de vidro opaco, com alguns desenhos de anjos. Ao centro estava uma pia comprida, com espaço de sobra para minhas maquiagens, cremes e tranqueiras. Embaixo dela havia um armarinho branco com detalhes roxos, combinando com as cores do banheiro. E o assento era grande e, atrevo a dizer, luxuoso demais. Era um exagero, mas, fazer o que? Ele ficava ao lado do chuveiro e era estranhamente de porcelana lilás.

Dei de ombros e reparei que o espelho, acima da pia, começava a ficar embaçado. A água deveria estar no ponto. Entrei no boxe e me arrepiei com o contato quente da água na minha pele. Estava ótimo!

Enrolei o máximo possível no banho. A sensação de estar finalmente sozinha e em paz era reconfortante, exceto pelos anjinhos no boxe. Eles pareciam me observar isso me deixou um pouco constrangida, o tempo todo me banhei de costas para eles, dando olhadinhas de canto de olho, para ver se realmente não estavam se mexendo ou piscando. Eu deveria ter enlouquecido mesmo!

Mas, de certa forma, consegui relaxar e me desliguei de tudo e todos, direcionando toda a minha atenção ao ritual de me banhar, enxugar, me arrumar, escovar os dentes... Enfim, naquele momento existia apenas eu!

Quando terminei, olhei desejosa para a banheira e prometi para mim mesma que a usaria o mais breve possível. Abri o vitrô do banheiro, para que o vapor se dissipasse, e sai de lá me sentindo renovada.

- Bom dia, Larinha! – tia Beca me recebeu com um beijo estalado na bochecha assim que pisei na cozinha e me conduziu até uma das cadeiras da bancada.

- Bom dia, tia Beca! – sentei-me e o aroma do café da manhã me atingiu. – Que cheiro delicioso!

- Estou terminando de fazer bolinhos de chuva! – disse correndo de volta para o fogão. – Mas, o seu tio já deixou um bolo de refrigerante de cola prontinho para você aí em cima.

- Nossa! Há séculos não como esse bolo! – comentei agarrando a boleira e a puxando para mim.

- O Daniel preparou um chocolate quente para você. Deixei dentro dessa caneca térmica aí. – apontou para uma caneca toda branca, cheia de desenhos abstratos, bem vedada com uma tampa de borracha, que ajudava a prender o calor dentro dela.

- Para mim? – puxei a caneca e senti um calorzinho agradável preencher o meu peito. – Que atencioso... – sorri e abri a tampa, sendo invadida pelo aroma delicioso que saia dali. – Meu Deus! – exclamei e tomei um longo gole. – Vocês me mimam demais! Sairei uma bola de Campos!

Rebeca riu do meu comentário espontâneo e se virou, depositando na minha frente uma vasilha repleta de deliciosos bolinhos de chuva.

- A receita é da sua mãe, espero que tenham ficado tão gostosos quanto os dela!

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