A noite não tardou a chegar e com ela me senti ansioso e nervoso como nunca antes, nem mesmo no dia de minha posse não estava como agora, e o motivo de toda minha preocupação tinha nome e sobrenome, mas não entendia o por que de estar assim sendo que já fui a casa de Inoichi milhares de vezes. Como não sabia que tipo de jantar seria resolvi levar um vinho que havia em minha adega e uma caixa de bombons suíços, não estava nada espalhafatoso usava apenas uma camisa polo preta e uma calça social escura, meu cabelo como sempre bagunçado e como fazia pouco tempo que havia saído do banho os fios ainda se encontravam molhados. Olhando no relógio que havia em meu pulso me certifiquei que se não anda-se logo me atrasaria.
Poucos minutos depois já estava a frente da residência dos Yamanakas, uma simples casa de dois andares pintada de tinta branca com um pequeno caminho de pedras que seguia até a porta, estacionei meu carro no outro lado da rua e após pegar o vinho e a caixa de bombom saí de meu automóvel ligando o alarme e guardando a chave no bolso. Ao me deparar na frente da porta de madeira suspirei enquanto levava meu dedo até o botão da campainha.
Não demorou para a porta ser aberta e Inoichi aparecer sorrindo esticando a mão para me cumprimentar.
— Entre filho. — o senhor disse pegando a garrafa de vinho de minha mão e dando espaço para poder adentrar a sala.
Não demorou para Ino aparecer na porta da cozinha vestindo uma calça jeans e uma regata usando por cima o avental de plástico, o cabelo preso no alto da cabeça em um coque.
— Pensei que não ia vim. — ela veio em minha direção e me deu um caloroso abraço, por cima de seu ombro pude ver Inoichi sorrir de lado enquanto se sentava na poltrona.
— Já ficamos sem nos ver muito tempo Ino. — respondi com um meio sorriso esticando a caixa de bombom em sua direção que ela prontamente pegou e colocou debaixo do braço.
— Preciso terminar a comida. — me disse sorrindo virando de costas e seguindo para a cozinha. — Vocês podem ficar aí conversando.
— Como você está? — a voz de Inoichi me despertou me fazendo virar em sua direção o vendo apontar para a outra poltrona que havia na sala.
— Nem sei. — respondi me sentando, ele é o único que sabe que gosto da Ino. Inoichi é um homem inteligente e não demorou para saber que eu estava apaixonado por sua filha, ele foi o único que consegui me abrir e dizer o que estava sentindo quando ela foi embora.
— Confesso que me assustei quando ela me disse que ia casar. — ele disse soltando uma pequena risada no final da frase.
— E eu então? Quando vi a aliança no dedo dela. — disse divertido, os Yamanakas eram os únicos com quem eu podia ser eu, sorrindo sem me importar com a opinião dos outros.
— Imagino filho. — ele disse de forma calma enquanto soltava um suspiro. — Se você tivesse dito que gostava dela antes...
Sua frase me chamou a atenção, o que iria mudar se anos atrás eu dissesse o quanto a amava? Mas burro como sou, só percebi quando a perdi.
— Por quê não vai ajudá-la? — ergui meus olhos que antes estavam vidrados no carpete da sala e o encarei.
— E o senhor? — perguntei não queria deixá-lo sozinho, Inoichi era como um pai para mim, um pai que em particular eu nunca tive já que o meu "pai" vivia na empresa e quando conversava comigo era para me cobrar de algo.
— Não se preocupe. — ele respondeu sorrindo abanando com a mão. — Estou em ótima companhia com meu jornal.
Concordei com um aceno enquanto me levantava logo escutei o barulho do televisor ser ligado e as vozes dos apresentadores do jornal local, chegando na porta da cozinha bati de leve no batente de madeira chamando a atenção da mulher que não saía de minha mente nos últimos anos.
— Vim te ajudar. — disse me aproximando dos três pratos que havia em cima do armário de madeira.
— Não precisa, acabando aqui eu arrumo a mesa. — ela disse colocando a mão sobre a minha simples ato que me fez erguer a cabeça e olha-la nos olhos, uma corrente elétrica percorreu meu corpo ao sentir o toque delicado da pequena mão que repousou sobre a minha. Ino ao perceber o jeito que eu a olhava tirou sua mão.
— Eu arrumo. — disse sem jeito pegando os pratos de cima do armário e seguindo em direção a mesa que ficava poucos metros da cozinha, arrumei e logo voltei a cozinha para pegar os talheres e copos.
— Obrigada. — ela me disse ainda de costas enquanto usava a colher de pau para mexer o que eu suspeitava ser sopa, já que Inoichi andava gripado nos últimos dias.
— Eu sou educado, miojo. — disse sorrindo relembrando o apelido "carinhoso" que eu havia lhe dado na época da escola.
— Nem sempre, curupira. — ela rebateu me chamando do mesmo modo que me chamava na adolescência, eu literalmente não imaginava o quanto eu amava aquela mulher. — Chame meu pai, está pronto.
Maneei a cabeça e passei pela porta chegando a sala onde Inoichi estava concentrado no jornal.
— Ino já acabou. — disse calmo colocando uma de minhas mãos dentro do bolso da calça que usava.
— Ok. — ele respondeu pegando o controle e desligando o televisor me aproximei de Inoichi e o ajudei a levantar já que ele andava com fraqueza nos últimos dias.
Caminhei ao seu lado até estarmos na cozinha onde o caldeirão estava no meio junto de uma concha.
— Me desculpe Gaa por ter feito sopa, mas papai anda gripado nesses dias. — Ino se antecipou em dizer enquanto ajudava Inoichi a se sentar, balançei a cabeça negando.
— Não há nada de mais. — disse enquanto puxava a cadeira para ela se sentar, Ino me olhou e sorriu enquanto sentava na cadeira.
Passamos horas agradáveis conversando tão agradáveis que quando me toquei da hora já se passava da uma da manhã.
— Por quê não dorme aqui? — a voz de Inoichi me chamou a atenção me fazendo desviar os olhos da televisão onde passava um filme, que eu literalmente não estava prestando atenção já que Ino estava sentada ao meu lado e ao vê-la sorrir tudo ao meu redor parecia sumir e até quando ela fazia bico ao provar um dos bombons.
— Não precisa, não se preocupem. — eu disse calmo olhando de soslaio para Ino que se moveu no sofá.
— O quarto onde você sempre dormia está arrumado. — me virei para ela e a contrei com um sorriso zombeteiro nos lábios enquanto piscou um dos olhos. — Do jeitinho de anos atrás.
Não pude deixar de sorrir, em nossa adolescência eu mais dormia na casa de Inoichi do que na minha própria, já que meu pai era (é) chato o suficiente para eu não querer ficar por muito tempo em sua companhia, além de que ele vivia reclamando de minhas notas e das advertências que eu levava coisa que levava ele a diretoria e concerteza ser tirado de sua poltrona de couro e de trás da mesa de mogno não era algo que ele realmente gostava e ainda tinha que escutar os sermões que Tsunade — a diretora — lhe dava de como educar um filho.
— Durma aqui garoto, como nos velhos tempos. — ainda sem jeito concordei em um manear, apenas eu sabia como a persuasão dos Yamanakas eram infalível, me lembro até hoje quando Ino me convenceu a ir em um acampamento e eu acabei cheio de mordida de mosquito. — Eu já estou cansado, vou me deitar. Se quiserem ficar assistindo podem ficar.
— Eu também estou cansada, papai. — Ino disse levantando do sofá fiz o mesmo e os segui pelos degraus da escada logo chegamos ao segundo andar.
— Boa noite querida. — observei Inoichi se aproximar de Ino e beija-la na testa enquanto levava o dedo indicador a ponta do nariz daquele bela mulher, era um simples gesto que eles faziam desde sempre. — Boa noite Gaara.
— Boa noite. — respondi vendo o loiro abrir uma porta e adentrar, caminhei em silêncio junto de Ino até estarmos parados em frente a sua porta que ainda era enfeitada com adesivos de flores roxas, me aproximei dela e a abraçei sussurrei próximo ao seu ouvido. — Eu senti muito sua falta, estou mais do que feliz em vê-la aqui novamente. Não suma de perto de mim nunca mais, miojo.
Me afastei sem dizer mais nada enquanto seguia até a última porta do corredor e ao abri-la adentrei o quarto que estava idêntico a anos atrás, após tirar os sapatos me deitei sobre o colchão enquanto levava ambas as mãos atrás da cabeça e encarava o teto monocromático.
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Eu perdi Você
FanfictionOnde Gaara percebe no último momento que sempre foi apaixonado por Ino e ela por ele, pena que já era tarde de mais.
