CAPÍTULO CATORZE

Começar do início

E depois de muita especulação mal sucedida, encontrei uma barraca vendendo sanduíches de miga. E eu estava tão faminta que pedi um de forma meio desesperada. A moça se virou para pegar o sanduíche, mas o rapaz ao seu lado disse que havia acabado.

− Acabei de vender o último, senhorita − ele nos informou apontando para o rapaz ao meu lado.

O rapaz era bem bonito, mas isso não era suficiente para anular a minha raiva faminta por ele ter roubado o meu sanduíche. E não qualquer sanduíche... Um sanduíche triple de miga. Para quem não sabe, parece pão de forma com algum recheio. Mas é muito mais que isso. O pão de miga é muito mais fininho e leve. O sanduíche é "triple" porque vem com três camadas de pão. E vale enfatizar que: eu estava faminta. Àquela altura qualquer porcaria cairia bem.

Segui desanimada para fora do clube. Eu precisava sair para encontrar algo para abastecer o meu corpo, que como gosto de lembrar, não chegou aonde chegou com miséria. Muito menos com roncos estranhos e alucinados, como os que eu estava ouvindo agora. A meio metro da saída, ouvi alguém chamando por mim. Quer dizer, não exatamente por mim. Era apenas um "Ei, espere um pouco!", mas como eu era a única por ali, imaginei que estivessem chamando por mim. E eu estava certa! Quando me virei, me deparei com o ladrão de sanduíches logo atrás de mim. Ele sorria de um jeito constrangido e fofo, mas isso não abrandava toda a minha ira. Sua voz rouca me foi apresentada com aquele sotaque argentino que eu amava e ao qual dificilmente resistia... Droga! Fome, Nina! Ladrão de sanduíches, não se esqueça!

− Eu não sabia que era o último − ele disse, estendendo o sanduíche com poucas mordidas em sua mão. − Pensei em dividi-lo com você, desde que aceite dançar comigo.

Metade de um sanduíche em troca de uma dança? Aquilo era uma bagatela. Eu estava disposta a dar muito mais por um pouco de comida. Quer dizer, talvez nem tanto. Mas aquilo parecia quase um prêmio de loteria: coma o sanduíche de um cara gato e em seguida dance com ele. Eu apenas assenti e ele então repartiu seu sanduíche e me estendeu a metade sem as suas mordidas. Eu dei a minha primeira mordida e o ouvi dizer:

− Sou Nícolas, prazer.

− Nina − retruquei mais feliz e menos esfomeada.

E então nós dançamos pelo resto da noite. Metade de um sanduíche me permitiu não desmaiar no meio do salão. Mas obviamente não era suficiente para saciar a minha fome. Saímos do clube em direção a um restaurante maravilhoso onde comemos frango frito e nachos com queijo. Ele me deu uma carona até o meu hotel e quando eu achei que de repente ele fosse subir e me presentear com um sexo descompromissado, ele disse:

− Não gosto de sexo casual − e sua frase foi acompanhada de um beijo na testa que me deixou furiosa.

Marcela se lembrava da história a partir daí. Ela havia dito que os argentinos não tinham problemas, mas eu, sim. E que devia superá-los. Foi exatamente o que eu fiz. E então eu me abri com ela e revelei que estava ignorando o fato de que iria embora em menos de duas semanas... E que isso me apavorava. Eu já estava entregue, mas os meus sentimentos não pareciam definidos ainda. E se fosse paixão? Pior: e se fosse amor? Eu partiria meu coração mais uma vez e dessa vez nem teria a quem culpar. A vida, talvez.

− Pare de se preocupar com isso, Nina − ela aconselhou com a cabeça deitada em minhas pernas. − A vida sempre dá um jeito de nos surpreender.

− Estou assustada, Marcela − confessei pela primeira vez em voz alta. − Não posso me esquecer de tudo o que já vivi e aprendi. Eu só tenho um mês nessa cidade maravilhosa... Conheço um homem maravilhoso demais para ser verdade e preciso lidar com o fato de que temos pouco tempo juntos. Não sei se posso continuar me entregando, ignorando os fatos.

− E daí que você o conheceu há duas semanas e já acha ele perfeito? E daí que em duas semanas você está caidinha por ele, apesar de saber que cedo ou tarde precisará partir? E daí que a história de vocês parece perfeita demais para ser verdade? − ela me indagou na velocidade de uma metralhadora. − Você e o Marco demoraram um ano para assumir qualquer coisa e isso não foi garantia de um bom relacionamento. Então se jogue no que está sentindo e pare de ter medo...

− Fico pensando que talvez precise ser um pouco mais sensata, realista, talvez...

− Quem muito tem os pés no chão, esquece o quanto é maravilhoso se sentir nas nuvens − e com essa frase, ela destruiu todos os meus possíveis argumentos.

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Oi gente linda! A Marcela finalmente chegou e eu também, rs! Estou adorando ver todos os comentários lindos de vocês <3 Obrigada não só por eles, mas também pelas estrelinhas. Elas fazem meus olhos brilharem *-* hahahah Essa semana está muito agitada, então não sei se vou conseguir postar na sexta. Mas eu juro juradinho que vou tentar, ok? Não me abandonem se eu não conseguir :( Espero que estejam gostando e continuem comentando... Quero saber o que estão achando e o que esperam da história.


Ontem eu dei a minha primeira entrevista transmitida AO VIVO :O Fiquei muito nervosa, gente, mas foi muito legal. Para quem não viu e quer ver tem reprise e dá pra assistir ONLINE ---> http://www.uniteve.uff.br/!! As reprises são quarta-feira às 11:30 e 19:30; Sexta-feira às 09:00 e Sábado às 16:00. Depois me digam o que acharam, rs!

Bom, acho que é só isso. Aos novos leitores: sejam muito bem-vindos. Espero que todos (novos e antigos) continuem acompanhando e se divertindo com as aventuras da Nina.


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