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𝗥𝗔𝗙𝗘

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𝗥𝗔𝗙𝗘.

A festa na piscina da Mansão Cameron poderia ser comparada com as agitadas dos filmes.

Haviam pessoas na água, pulando na água, na beira da água. Outras em volta do deck, bebendo de suas bebidas e dançando conforme as batidas da música que estoura as caixas de sons grandes e potentes no ambiente. Eu podia estar me mordendo inteiro à essa altura com medo da polícia bater na porta da festa da minha irmã e mandar todo mundo ir embora, mas pareço me esquecer que sou um Cameron. Desde que me entendo por gente, podemos fazer o que quisermos e na hora que quisermos, quando se envolvesse dinheiro.

Na maioria dos dias, eu não me orgulho disso, mas hoje é aniversário da minha irmã. Ver o sorriso feliz em seu rosto é uma puta dose de serotonina. Sarah está alegre como não esteve em bastante tempo. Dançava com as amigas, cumprimentava alguns convidados e bebia sem se preocupar com uma possível ressaca amanhã. Hoje eu não quero bancar o irmão mais velho chato pra puxar sua orelha sobre beber demais. Nem tenho direito a isso. Como eu disse, é seu aniversário e sua noite estava só começando.

Topper tinha cismado que queria comandar a mesa do DJ hoje. Eu pretendia contratar algum profissional para colocar as músicas que a galera da faculdade normalmente costuma escutar, mas creio que minha melhor decisão foi ter aceitado meu melhor amigo como o dono das batidas. Minha barriga doía de tanto rir com a visão de Topper com óculos escuros mesmo que estivesse de noite, sem camisa e mexendo o corpo enquanto era ágil em controlar os equipamentos musicais. E, porra, ele era bom nisso, cara. Conseguiu animar todo mundo e eu já não via mais ninguém parado. Todos tem sua euforia própria, seja pelo efeito do álcool ou do som absurdo de alto.

⏤ Cara, pode falar, estou igualzinho ao David Guetta. ⏤ Topper se gabou.

⏤ Talvez uma versão dele após uns anabolizantes. ⏤ minha piada o faz abaixar as lentes escuras para me olhar feio.

⏤ Eu não uso anabolizantes, tá legal? É tudo natural de fábrica. ⏤ passou as mãos pelo próprio corpo.

Novamente, não pude segurar minha risada.

E desviando minha atenção dele, meus olhos se esbarram com a garota baixa e dos cabelos claros, que hoje, estavam presos num rabo de cavalo alto. O corpo dela é abrigado por um maiô branco bem decotado, com uma maquiagem que só realça sua beleza ridícula de extraordinária e seu rosto está com algumas pintas de tinta Neon nas maçãs. Avery está linda. Fodidamente linda demais.

Ela ofuscava todas as demais meninas presentes naquele local que, assim como ela, resolveram se arrumar demais. Não que não fossem bonitas, mas Avery tem uma facilidade impressionante de deixar cada uma delas no chinelo. Seu jeito atraente de dançar, seu olhar tão cativante e sua forma única de ser ela mesma. Desde ontem, não consigo parar de pensar no porquê liguei pra ela no meio de uma crise. Durante o meu momento de intenso desespero, apenas o nome dela se repetia na minha cabeça. É como se eu tivesse só obedecido aos comandos extremos do meu corpo. E foi impressionante demais como ela cuidou de mim tão bem. Na visão dela, pode não ter sido nada demais, mas ela me deu meu próprio espaço. Respeitou cada segundo do instante que eu quis ficar sozinho e me proporcionou uma calmaria surreal só de tocar em mim, me olhando com aquelas íris tão poderosas.

Coisa que ninguém nunca havia feito. Ninguém nunca fez eu me sentir como se eu não fosse um fardo com meus problemas.

Penso demais nisso. Penso tanto que só percebo como estou a encarando sem desviar os olhos por um único segundo quando ela caminha até mim. Seus lábios rodeiam o canudo do drink rosa no copo em suas mãos e ela está me observando, curiosa.

⏤ Não quer tirar uma foto? ⏤ falou.

Lembro-me do que eu havia lhe dito mais cedo. Sorrio automaticamente.

⏤ Eu prefiro o ao vivo e a cores, sempre.

Avery mordeu os lábios em meio a um sorriso e, rapidamente, abaixou a cabeça.

Alerta mais do que vermelho. Avery Jackson está tímida. Porra, ela conseguia ficar ainda mais linda com as bochechas coradas.

⏤ Não devia estar dançando com as suas amigas? ⏤ bebo da minha lata de energético.

⏤ Eu planejava fazer isso até ver um doido me encarando sem parar. ⏤ meu sorriso aumenta.

⏤ Ah, você tem medo de doidos como eu? ⏤ aponto pro meu peito. ⏤ Eu não mordo.

⏤ Que pena. Bem que eu queria.

Desgraçada, maldita, filha da puta.

Pressiono meus lábios um contra o outro e observo como ela chupa aquele canudo com os olhos fixos nos meus. Quero jogar aquele copo no chão, pega-la no colo e transar com ela em todos os cômodos daquela mansão imensa. Mas não posso. Me lembro da porra de promessa que fiz à Sarah. Ao menos hoje, eu não deveria ser tão otário. É o aniversário dela.

Seguro minha vontade de puxa-la pelo pescoço e beijar seus lábios lentamente, só pra sentir aos poucos o seu gosto tomando conta da minha língua. Ao invés disso, desvio os olhos dela contra meu próprio instinto e fito a pista de dança cheia. Se nossa festa fosse um aplicativo e precisasse de avaliação, eu tenho certeza que as pessoas dariam cinco estrelas só pela presença do DJ David-Topper-Guetta.

⏤ Ei, vamos dançar! ⏤ volto a encarar seu rosto.

Acabo soltando um riso sem humor.

⏤ Ah, princesa, eu não sou bom nisso.

Avery revirou os olhos e estendeu o drink na minha direção, como se fizesse algum tipo de saudação.

⏤ Você é o Rafe Cameron. O que você não sabe fazer? É o capitão, lembra?

Merda. Eu não esperava por isso. Agora eu estou corado.

Me sinto um completo pau mandado.

⏤ Ah, você tá vermelho ⏤ ela riu. ⏤ Então, eu te deixo sem graça?

Virei meu boné pra trás e largo minha blusa perto de Topper, voltando a olhar pros olhos de Avery rapidamente. Ergo minha mão na sua direção e balanço os dedos.

⏤ Cala essa boca e me leva logo pra dançar, madame.

𝐓𝐎𝐗𝐈𝐂, 𝗰𝗮𝗺𝗲𝗿𝗼𝗻. ✓Onde as histórias ganham vida. Descobre agora