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𝗔𝗩𝗘𝗥𝗬

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𝗔𝗩𝗘𝗥𝗬.

As cenas de ontem se repetem na minha cabeça em um looping insuportável.

Eu nunca havia visto Rafe tão vulnerável. Já presenciei brigas dele com Ward, alguns momentos que ele explodia por estar puto no rinque e até mesmo ele se envolvendo em brigas. Ah, também sobre seu comportamento extremamente explosivo de tanta raiva acumulada, o que era algo perigoso pra cacete pra qualquer pessoa que não sabia lidar bem com seu excesso de emoções. Mas, em tanto tempo, nunca presenciei-o desabar da forma que ele desabou nos meus braços. Na noite do Thanksgiving Day, nenhum de nós dois enrolou tempo demais com a família. Terminei a noite colocando Rafe pra dormir no quarto de hóspedes e convenci os meus pais de que era um amigo que precisava de ajuda.

Mas quem disse que eu consegui dormir bem? Minha cabeça girava. Quase levantei exatas cinco vezes durante a madrugada para me certificar se Rafe dormia bem mesmo ou se estava tendo outra crise. É, eu contei. E me sinto uma louca por ter ficado tão preocupada assim. Ele estava na minha casa e estava frágil. Eu precisava mesmo ficar de olho nele como, sei lá, uma mãe fica de olho no seu filho recém nascido. Certo, a comparação foi ridícula, mas o que quero dizer é que... Merda, estou preocupada.

Quando o relógio bateu às oito da manhã, meu celular despertou e eu sabia que meus pais já haviam saído para trabalhar. Coloquei o alarme para tocar à essa hora pra ter a desculpa de acordar Rafe sem incomodar seu descanso necessário, mas penso várias vezes se devo mesmo ir até o quarto de hóspedes. Não sei, talvez ele quisesse ficar sozinho. Não quero ser a culpada de invadir a privacidade de ninguém.

Faço minhas higienes matinais e saio do meu quarto, caminhando com cuidado até o que ele estava. Silenciosamente, abri a maçaneta da porta e coloco meu rosto pra dentro do cômodo, sentindo meu corpo relaxar pelo alívio de vê-lo dormindo serenamente. Ponho meu corpo pra dentro, ando na ponta dos pés até a sua cama e me sento na borda, levando minha mão até o seu ombro para acordá-lo. Mas paro. Paro porque ele se mexe e vira o corpo de frente pra mim, aconchegando seu rosto no travesseiro que ele abraça como se, a qualquer momento, a fronha macia fosse engoli-lo.

Toda a coragem que eu tinha, perco no mesmo minuto. Presto atenção em como ele dorme feito um anjo, sem transparecer como que na noite passada, praticamente desmoronou quando o coloquei nessa cama. Tive dó de deixá-lo sozinho, mas não quis que meus pais pensassem nada de errado sobre nós. Não na primeira vez que trouxe um menino "desconhecido" aos olhos da minha mãe.

Acho que o encaro por mais tempo do que eu queria. Inevitavelmente, um sorriso nasce no meu rosto, e preciso me controlar para não guiar os dedos até os seus cabelos loiros e fazer carinho ali.

⏤ Tira uma foto, princesa. ⏤ sua voz rouca me assustou.

Percebo que ele tem um sorrisinho de canto. Acho que estava tão distraída que não percebi que ele já havia acordado.

⏤ Desde quando está acordado? ⏤ cruzo os braços.

⏤ Desde quando uma doida sentou na minha cama pra ficar me olhando ⏤ ele abriu os olhos. ⏤ Achei que fosse uma paralisia do sono.

Noto que seus olhos não estão mais vermelhos pelo choro. Agora, seu rosto está mais calmo e seus músculos deixaram de ser tensos. Sua calmaria transmite pra mim, que acabo respirando fundo.

⏤ Vai se foder. Sou bonita demais pra ser confundida com uma assombração de paralisia do sono.

Rafe ri e a visão do seu sorriso também me faz sorrir. Queria esquecer dos flashs que minha cabeça insiste em dar na noite de ontem no parque. Minha blusa ainda está molhada do seu choro.

Olho pro seu rosto por mais alguns segundos e ameaço levantar para deixá-lo continuar descansando, mas antes que eu fizesse, os dedos de Rafe seguraram meu pulso firmemente. Guio minha atenção pra ele que não demora para se sentar na cama. Rafe retira o cobertor que cobria o seu corpo. Não demoro pra perceber que ele está sem camisa. Mas, naquele instante, não foco minha atenção em seu físico forte. Parecem que suas íris azuis chamam pelo meu nome. Seu semblante tão neutro, sua mão que toca na minha bochecha e como eu estremeço sob seu contato. Tudo parece intenso demais pra mim.

⏤ Obrigado, Av ⏤ apertou minha coxa levemente. ⏤ Por ontem.

Pressiono meus lábios um contra o outro e balanço a cabeça em aceitação.

⏤ Faria isso por qualquer pessoa.

O sorriso Rafe Cameron nasceu em seu rosto. O mesmo que ele lança que conquista todas as meninas e que eu demorei tanto pra aceitar sem ter vontade de vomitar. Quero quebrar os seus dentes. É inaceitável alguém nascer tão bonito.

⏤ Não faria não ⏤ ele deitou o rosto pro lado. ⏤ Você fez isso porque se importa comigo.

Odeio pensar que ele está certo. Me preocupei mesmo com ele. Mas nem que a vaca tussa eu admitiria isso.

⏤ Não vou disputar com seu ego hoje, Cameron ⏤ dou um sorriso sarcástico. ⏤ Aliás, bom dia.

Mais uma vez, eu tento me levantar para sair do quarto. E, novamente, Rafe me puxa, mais agora com muito mais força pra me fazer cair deitada ao seu lado. Rafe sobe em cima de mim, tocando meus lábios nos seus rapidamente. Ele ergue minhas mãos ao alto da minha cabeça, prendendo as mesmas com os seus dedos. Rafe pede passagem com a língua na minha boca e eu cedo, relaxando abaixo do seu corpo. Ele demora um pouco para soltar a minha boca, mas quando mordisca meu lábio inferior e me rouba mais alguns selinhos, sei que ele já chegou aonde queria. O sorriso galanteador cresce novamente na sua cara e eu reviro os olhos.

⏤ Bom dia, princesa.



Descobri que meus pais deixaram café da manhã pronto pra nós e um bilhetinho para o meu suposto amigo o desejando melhoras. Eu sabia que vinha da minha mãe. Ela era uma mulher absurdamente gentil com qualquer pessoa existente na terra. Não que meu pai não fosse, mas quando o assunto eram homens, ele era bem ciumento e torcia o nariz pra quem não o agradasse. Rafe passou a manhã inteira repetindo que minha mãe já lhe amava. Coitado. Tão convencido que dói.

Quando paro com meu carro na frente da sua casa, me pergunto se os meninos estão no treino, mas a casa toda apagada indica que sim. Rafe demora um pouco pra abrir a porta, então eu espero para escutar o que ele tem à dizer.

⏤ Então, Sarah já resolveu o que vai fazer hoje? ⏤ perguntou pra mim.

⏤ Qualquer coisa que ela disser, eu topo. ⏤ dou de ombros.

Ele estala a língua no céu da boca.

⏤ Vai me mandar mensagem se ela confirmar?

Abro um sorriso. O mesmo vitorioso que era sua marca registrada.

⏤ Não ⏤ franziu as sobrancelhas. ⏤ Você que vai.

Agora, somos dois sorrindo vitoriosos. Mas diferente das outras vezes, não tenho a sensação da acirrada disputa de ego.

⏤ Você que manda ⏤ o olho, esperando sua palavrinha mágica. ⏤ Princesa.


só o povin da madrugada on

𝐓𝐎𝐗𝐈𝐂, 𝗰𝗮𝗺𝗲𝗿𝗼𝗻. ✓Onde as histórias ganham vida. Descobre agora