Capítulo 50

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100k??? Vocês estão fazendo uma aprendizagem de escritora feliz, obrigada ❤️

Segurei a caixa com as mãos trêmulas enquanto andava pelas ruas movimentadas de Outer Banks, tive uma sensação estranha quando me lembrei da carta, uma sensação de quem teria respostas de perguntas que nem existem.

De longe na entrada do cemitério eu pude vê-lo sentado sobre a terra com os cabelos bagunçados sem fazer muitos movimentos.

— Não sabia que você estaria aqui— Falei a alguns passos dando tempo de John B secar as lágrimas que escorriam por seu rosto antes de me sentar ao seu lado.

— Eu já estava indo — Ele fez um movimento para se levantar.

— Fica — Pedi colocando a caixa sobre o chão — Se lembra disso?

— Tem certeza?

— Eu não tenho certeza a um bom tempo.

Ele voltou a se sentar, suspirei antes de abrir a caixa.

— Me esqueci dele depois que ele nos proibiu de procurar — John comentou pegando o jogo em mãos.

— Ele odiava o quanto a gente brigava  por dinheiro falso — Me lembrei dos surtos de meu pai enquanto ele tentava organizar as contas do mês aturando duas crianças brigando por prédios e comércios inexistentes.

— Ele odiava o quanto a gente brigava — John comentou, dessa vez com o rosto mais pensativo.

— Quando imaginamos que as coisas iriam mudar tanto?— Eu perguntei me lembrando da recente história envolvendo o meu pai.

— As pessoas mudam — John disse sem querer falar muito sobre o assunto.

Mexi na caixa encontrando um novo documento, um documento que não estava ali da outra vez.

Meu coração bateu forte com as palavras que estavam escritas ali.

— Acho que meu pai não mataria você — Estendi as folhas para John B — Eles se candidataram, eles queriam cuidar de você John.

Os olhos do garoto se encheram de lagrimas.

— Por que eu entraria na minha casa daquele jeito? Talvez fosse um desejo da tia assim como ela já chamou a polícia um milhão de vezes torcendo pra tirar o JJ do Luke.

Sequei uma lágrima que escorreu por meu rosto.

— Eu também quero muito saber.

— Se importa se eu ficar com isso?

Neguei com a cabeça pegando o próximo papel.

Minha mão tremeu um pouco e John pegou o papel.

— Certidão de adoção, Naya Thornton — Ele leu em voz alta — Como Topper Thornton.

Mexi na caixa procurando aquela foto, senti meu coração sair do meu corpo quando encarei os olhos daquela mesma mulher. Esme Thornton.

Minha respiração se acelerou e o ar se tornou mais denso dificultando que eu pudesse fazer o essencial.

Isso antes de eu começar a chorar compulsivamente sendo amparada pelo garoto que ainda parecia confuso com o que estava lendo.

Como isso pode ser verdade? Como as pessoas que cuidam de mim e me amaram podem não ser meus? Podem nunca ter me contado sobre isso?

Como ela pode ter passado o dia comigo me tratando super bem enquanto escondia de mim quem eu sou ou quem eu deveria ser.

Tentei me acalmar pegando a carta.

— Acha que é o momento?— Olhei bem para o túmulo ainda falando com John — Acha que é o momento em que ela partiu?

Ele beijou o topo da minha cabeça e apertou o braço envolta do meu corpo em sinal de conforto.

— Lê você, em voz alta — Pedi entregando o envelope que por tantos anos nos deixou curiosos e agora parece despedaçar o que restou de mim.

Opostos - Rafe CameronOnde as histórias ganham vida. Descobre agora