Capítulo 48

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— Não é estranho? — Topper continuou a falar enquanto juntos distribuímos pratos e talheres pela mesa redonda do jardim.

— Eu não conheço ela, não posso dizer quem é estranho vê-la querendo passar um tempo com o filho — Falei me sentando na cadeira confortável — Algumas pessoas fazem isso o tempo todo.

— Eu estou falando sério quando digo que nunca vi a minha mãe cozinhando, na verdade eu mal já vi ela na cozinha — Topper se sentou também.

— Talvez ela esteja querendo começar um novo hábito, sabe, encontrar algo em comum com a pessoa que ela mais ama no mundo — Tentei justificar — A minha mãe fazia isso o tempo todo.

— A sua mãe dedicou a vida dela a você, a minha sempre se dedicou em ficar cada vez mais rica.

— E isso por acaso não é querer o melhor para você? Ela chegou ao objetivo — Observei a mansão — Agora pode se dedicar em fazer coisas que não tinha tempo.

Topper não estava convencido, ele não se conformou em ver a mãe sendo alguém que ele não conhece durante essa tarde.

— Olha só, já fazia tanto tempo — Ela colocou a forma de vidro sobre o suporte da mesa — Eu espero que esteja boa.

Dei um sorriso.

— O cheiro está perfeito — Elogiei enquanto ela servia os pratos com cuidado.

Comemos praticamente em silêncio tirando quando a mulher fazia perguntas sobre como eu estava agora que estou "sozinha".

Eu expliquei que não estou sozinha e que meu pai provavelmente está apenas adiando a volta para casa por não ter se acostumado com a ideia de não encontrar minha mãe.

Talvez ele tenha prolongado a viagem com medo de voltar e não a encontrar.

Mas Esme foi gentil o tempo todo.

— Soube que vamos ter novos vizinhos em breve — Ela puxou assunto enrolando (assim como nós) para provar a torta.

— Outros? Qual é ninguém mora muito tempo nessa casa.

Topper fez a observação.

— A casa não é mal assombrada, só azarada — Falou tranquila — Soube que é um pastor, a esposa e uma filha da idade de vocês. Olivia, o nome.

— Cultos no jardim, vai ser perfeito — Topper foi irônico me fazendo sorrir.

— Vamos dar uma chance, quando o homem e a esposa vieram visitar pareceram boas pessoas — Contou.

— E a garota? É bonita?— Topper perguntou safado e mesmo "com Rafe" me interessei na resposta.

— Eu não a vi, mas pelo que disseram é uma boa garota, toca piano e estuda para cursar música na Juilliard.

— Parece uma chata.

Revirei os olhos com ele.

— Eu acho Juilliard uma faculdade e tanto, se eu tivesse talentos escolheria essa sem dúvidas.

Comentei.

— E você pensa em entrar na universidade?

Tomei um gole do meu suco de laranja.

— Meu pai conseguiu me inscrever para tentar uma bolsa em Princeton, então eu acredito que vai ser uma oportunidade e tanto.

— E o que você cursará em Princeton caso passe?

Não faço ideia, eu me inscrevi pensando em sair de Outer banks e nada mais.

— Ecologia, talvez algo com biologia.

Ela mexeu um pouco no mousse.

Preciso confessar que eu errei no ponto de tudo dessa receita.

— Sabe, Topper em breve vai viajar para conhecer universidades e os cursos nelas oferecidos. Pode acompanhá-lo se quiser.

Tomei coragem para colocar a pequena colher de sobremesa com a massa um pouco queimada e limão azedo na boca.

— Não posso aceitar, uma viajem dessas custa mais do que eu poderia pagar. Talvez Topper possa me ajudar me mandando algumas fotos quando chegar a Princeton.

Trocamos olhares confidentes, ele não vai nem passar perto de uma universidade e sim vai aproveitar a viagem como uma viagem.

— Bom, eu adoraria investir nisso se estiver interessada — A encarei sem acreditar no que ouvia — Você viajará sem precisar gastar nada e como pagamento vai me garantir que esse garoto finalmente olhe para o futuro.

Passei a língua entre os lábios pensativa, uma viagem? Eu teria que falar com meu pai antes de aceitar por mais que seja totalmente inaceitável.

Quando eu vou ter outra oportunidade como essa?

— Nossa, eu não sei o que dizer.

Me mexi sem jeito.

— É só falar que aceita, nos dois sabemos que você quer aceitar — Topper disse e meu cordial cresceu.

— Sim?— Eu respondi e pude ver o sorriso da mulher brilhar na nossa frente.

Por que ela me parece tão familiar?

Opostos - Rafe CameronOnde as histórias ganham vida. Descobre agora