Capítulo 43

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Eu sou uma mulher totalmente responsável, poderosa, necessária e que não precisa de ajuda para nada.

Perdi as contas de quantas vezes repeti aquela mesma frase desde que cheguei a loja.

Primeiro eu precisei desenrolar uma rede de pesca, depois eu me pendurei para soltar a que a alguns dias estava no pesqueiro e precisei de uma força que não sabia ter para puxa-lá para cima sem perder os peixes dali. Depois de colocar os peixes em um recipiente que usaria depois para limpa-lós me pendurei mais uma vez para pendurar uma nova rede.

No sol coloquei a usada para que ela secasse antes de ser usada mais uma vez, meu pai costuma troca-las duas ou três vezes ao dia.

Ele é muito bom nisso.

A madrugada parecia não ter fim enquanto eu cuidava de tudo, agora entendo o porquê de sempre receber um olhar de preguiça quando reclamava de vir pra cá as 09:00.

Meu plano era vir às 05, mas preciso abrir as 07 e não tem absolutamente nada bom o suficiente para ser vendido então não iria adiantar abrir.

Como eu disse eu posso ser muito boa se eu quiser e se o negócio da minha família ainda está de pé eu vou estar aqui para mantê-lo bem, não dá para dar tempo para a concorrência ou algo desse tipo.

— Aha bebê, pode aplaudir a patroa — Comemorei comigo mesma fechando o último dos freezers as 05:43 da manhã.

Mas me assustei quando realmente fui aplaudida.

— Você quer me matar do coração?— Coloquei a mão sobre o peito vendo Kiara parada ali.

— Pensei que fosse para aplaudir a patroa — Ela disse como se fosse obvio.

— Eu ainda não tenho tudo o que vocês pediram para o restaurante, mas se você quiser posso mandar uma parte agora e outra mais tarde.

— Na verdade, eu não estou aqui para falar sobre o restaurante e muito menos para pegar encomendas.

— Do que você precisa então?

— Da minha melhor amiga — Kiara disse apertando os dedos em um ato de nervosismo.

Qual o problema desse pessoal com respeitar o espaço e tempo das pessoas?

Não é possível que quem segurava essa barra era eu.

— Eu amo você — Falei — Amo mesmo, sinto até mesmo uma grande atração sexual por você, mas não quero ser sua melhor amiga agora.

— Você ainda pode ser a minha patroa.

— O que?

Não entendi.

— Você pode me ter como sua ajudante, eu limpo peixes e posso trabalhar no caixa, limpar o chão. O que você precisar.

— Você passou a noite toda bebendo e fumando maconha.

— Detalhes, me aproveitando da nossa tensão sexual posso dizer que é um charme.

— Você sabe onde ficam os produtos de limpeza.

A verdade é que eu não consigo ser uma pessoa que eu não sou, eu não sou do tipo que vira o rosto, do tipo que guarda rancor.

Eu sei o quanto a Kiara é rancorosa, sei mesmo, ela chega a ser insuportável de tão rancorosa. Mas ela está aqui, ela disse que veio porque precisa da melhor amiga e eu não posso mandar que ela saia.

Virei a plaquinha da porta deixando claro que estamos atendendo e me sentei atrás do balcão com a agenda do meu pai para fazer conferir as anotações.

Mas um pequeno mapa no final do caderno chamou minha atenção.

— Kiara — A chamei e em alguns segundos a vi aparecendo com o balde e esfregão.

— O que aconteceu?

Engoli em seco entregando a ela o mapa, alguns círculos em vermelho tinham a escrita: +400??

Entre esses círculos a casa do John B.

— Acha que meu pai também sabe sobre o ouro?

Kiara olhou bem para o papel e recuou em me responder.

— É melhor reunirmos os outros — Falou me entregando o fino papel de volta.

Opostos - Rafe CameronOnde as histórias ganham vida. Descobre agora