Capítulo 42

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Minha casa estava tão silenciosa quando entrei, nenhum som além do motor da geladeira que nunca para.

Respirei fundo antes de virar a garrafa de vinho branco que trouxe da casa do Topper na boca, só com muito álcool que custa o valor da minha loja toda para enfrentar isso.

— Alô? Alguém em casa?— Perguntei logo na porta com medo de alguém ter se apropriado desse lugar, sem respostas fechei a porta começando a andar pela casa.

Logo na cozinha meus olhos arderam em lágrimas, o local em que ela mais gostava de ficar, o lugar onde ela reunia as pessoas que amava e curtia os momentos.

Passei a mão pelo rosto depois de um gole longo troquei a garrafa por um saco de lixo.

— Ela ficaria louca vendo isso — Ignorei a voz que invadio os meus ouvidos enquanto me desfazia das frutas e tudo o que não poderia mais ser comestível.

Ela realmente enlouqueceria com tanta comida em um saco de lixo.

— Eu tiro o que tiver que tirar da geladeira.

O ignorei mais uma vez enquanto o ouvia revisar as vasilhas e sacos plásticos.

— Pode me ignorar para sempre, ainda vamos ser irmãos de mar. Lembra?

Coloquei o saco de lado voltando a pegar a minha garrafa.

— Você mesma disse quando eramos pequenos, que nos tinham enviado o mesmo mar para provar que somos irmãos.

Neguei com a cabeça insatisfeita com a lembrança.

— Todo mundo aqui tem o mesmo mar.

— Não como nós temos — Garantiu.

— Eu enterrei a minha mãe sozinha, isso depois de ter ficado dias garantindo que você estava bem depois do seu pai desaparecer — Aqui está ela.

Aqui está a eu que consegui expressar todos os seus sentimentos para John B sem nenhum motivo.

— Eu estive o tempo todo ao seu lado e você me deixou sozinha, sozinha. Você tem noção do quanto eu estava apavorada e sozinha.

— Eu sei, eu estava com medo.

— Medo de mim?

— Medo do que está com você.

— Não fala em códigos.

— Eu não quero falar isso pra você, eu não quero te falar a verdade porque eu preciso de uma âncora.

— O que? do que você está falando?

— Eu estou dizendo que preciso de você, que você precisa de mim e que nós somos irmãos. Irmãos não se colocam em perigo, eles cuidam um do outro.

John parecia refletir sobre o que estava fazendo.

— John, você pode me contar o que precisar contar. Já chega de mentiras.

Ele me surpreendeu ao me puxar pra um abraço, não tive tempo de retribuir antes que ele se afastasse novamente.

— Não posso deixar que machuquem ou magoem você, me desculpe.

— John — Chamei o vendo se afastar, mas ele já havia tomado a sua decisão.

Opostos - Rafe CameronOnde as histórias ganham vida. Descobre agora