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Grávida.

A informação não era exatamente uma surpresa, sua cabeça sempre muito bem arquitetada já havia considerado a possibilidade. E desejado também. Ela já tinha o plano de engravidar artificialmente quando retornasse da viagem ao Caribe, chegara a procurar clínicas e se informar sobre as preçagens. Sentia que seu corpo estava pronto para aquele passo e desejava-o e só recentemente tinha colocado Gustavo na equação e era ele o problema geral.

Morena não sabia se ele estava preparado e desejava aquela criança como ela. E se aquela fosse uma negativa, o breve e fervoroso relacionamento entre os dois se encerraria ali.

Enquanto ela fazia planos mentais de mudança de cidade para evitar toda a problemática da rejeição e da convivência em ambiente de trabalho, a simpática médica lhe dava algumas recomendações simples de cuidados para uma gravidez recente com o estado frágil de seu corpo e do trauma psicológico. Recomendou repouso completo e uma alimentação balanceada, nada de atividades físicas ou levantar peso e nem estresses emocionais. E bem mais atenciosa, perguntou se ela gostaria de um chá de camomila antes de ver a irmã, que havia chegado.

Obviamente, ao ter a informação de que Branca estava no hospital, Morena recusou tudo o que lhe ofereciam e apenas deixou que lhe colocassem um soro na veia enquanto a irmã chegava ao quarto dela.

Branca chegou no momento exato em que a enfermeira saía pela porta do seu quarto e Morena esticou os braços no ar, ignorando totalmente o seu novo acesso venoso, as mãos abrindo e fechando em desespero até que Branca cruzou o espaço entra as duas e afundou no abraço da irmã mais velha.

— Ai, Branquinha, que saudade — Morena choramingou no abraço da irmã.

No abraço, Morena sentiu as lágrimas de sua irmã esquentarem e molharem seu ombro e a apertou ainda mais, segurando suas próprias lágrimas. Ela e a irmã brigavam em boa parte do tempo em que ficavam juntas, mas no final do dia, eram mais unidas que metade das famílias brasileiras. Apesar das diferenças e a díspar de todas as adversidades, lá estavam elas se amando e se adorando mutuamente.

— Achei que tinha perdido você — Branca chorou.

— Ah, não. Não, não. — Morena não sabia nem como consolar a irmã porque sua cabeça era uma confusão completa. — Eu tô aqui, Branquinha. — Elas ficaram ainda um tempo abraçadas até que Branca pareceu se acalmar e se afastou do abraço secando os olhos. E, então, Morena, ansiosa para dividir a informação que recebera com a mãe que sem dúvidas saberia o que fazer, entrou no cerne de todo o drama: — onde está mamãe e o papai? — Assim que fez a primeira pergunta, as seguintes se formaram em sua mente — Por que você veio sozinha? Como você veio sozinha?

Branca fez bico e Morena soube que tinha muita coisa errada acontecendo.

— Mamãe me pegou fumando maconha — Branca confessou.

— Ah, não! — Morena exclamou, sem exibir nenhuma surpresa quanto aos hábitos da irmã. Ela mesma tinha usado um pouco na faculdade e as vezes ainda dava uma tragadinha ou outra. — Você devia ser mais cuidadosa!

— Ela me seguiu! — Branca contou. Morena balançava a cabeça negativamente, incrédula no tamanho da confusão que havia se formado. — Ela achou cocaína no meu quarto. Eu não usei! — Acrescentou rapidamente ao ver a expressão da irmã. — Meus amigos queriam que eu usasse, mas eu ignorei eles.

— Boa garota — Morena afagou suas costas como se ela fosse um cachorrinho, mas Branca não se importou. — E aí...?

— Ela queria me colocar em um colégio interno, então eu usei seu cartão pra comprar uma passagem pra BH. Desculpa.

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