PARTE I:
As Pequenas Vinganças.
EM LONDRES.
★
Harry estava chocado demais para dizer algo. Ele tinha tomado cuidado com os movimentos bruscos, como respirar vezes demais por segundo, mantendo todos os membros do seu corpo tensos. Suas mãos não estavam em nenhum outro lugar se não calmamente pousadas em seu colo. E ele queria estar em qualquer lugar, qualquer outro lugar, ao invés de no carro, o barulho sufocante, Louis manobrando com tanta força que seus dedos estavam brancos, parecendo não aguentar mais respirar o mesmo ar que ele.
O garoto odiava a cocaína para caralho agora. Embora ele pudesse culpar a droga, o impulso e a rejeição de Zayn – no fundo de sua mente, em um lugar escuro e frio, ele precisava ser sincero consigo mesmo. Você precisa admitir, ele pensou, que você se sente atraído pelo seu pai adotivo. Mas que merda de doença seria essa? Ele nunca poderia dizer isso para ninguém. Nunca mesmo. Harry iria se certificar de que ninguém nunca ficasse sabendo disso, do que havia acontecido, e das coisas que ele pensava. Arriscando um olhar para Louis, Harry divagou o suficiente para não notar que estavam no jardim Tomlinson.
“Isso nunca mais vai acontecer”, Louis disse, com uma confiança firme e forte, quase uma exigência. Ele tinha uma expressão raivosa quando olhou para Harry. “Nunca mais vai acontecer. Você entendeu, garoto?”
E tudo que Harry conseguiu pensar foi, distraidamente: “Eu odeio quando você me chama de garoto.”
“Eu perguntei se você entendeu.”
Harry desviou o olhar.
“Sim.”
“Ótimo”, então uma pausa. “Sai da porra do carro.”
O garoto saiu. Ele já estava molhado o suficiente para não se preocupar mais com a chuva, mas assim que pisou no gramado da mansão, Louis deu partida no carro e simplesmente se foi. Harry zombou consigo mesmo depois que, é claro, Louis não ficaria para sua festa de aniversário.
Dentro das janelas de vidro, Harry conseguiu ver a silhueta de Coraline, andando de um lado para o outro, arrumando preparativos de uma festa que tinha perdido a graça para Harry.
O cabelo loiro brilhava, um ou dois centímetros mais curto, na altura dos ombros, e os olhos azuis de Coraline estavam agitados. Quando Harry entrou, e ela perguntou onde estava, ele ficou vermelho. Vermelho porque obviamente ele não podia dizer, embora fosse verdade: estive batendo uma com o seu marido. No carro dele.
Então Harry contou uma mentira, o que ele era surpreendentemente bom em fazer para a maioria das pessoas, exceto Louis. “Fui dar um passeio com os meninos. Isso é jujuba?”
Coraline sorriu. “Sim, isso é. Já está quase tudo terminado, então preciso que você vá para seu quarto e fique bonito.”
No quarto, Harry se jogou na sua cama. Era sua maneira de ficar bonito: tirando uma soneca.
Se conseguisse dormir, é claro. O tempo todo ele ficava pensando na maneira ridícula que as coisas tinham dado errado. Zayn provavelmente diria que era o efeito borboleta. Harry obviamente não acreditava nessa besteira, mas sabia que as coisas que aconteciam na sua vida não eram normais. Quer dizer, quantos adolescentes adotados, ricos e gays, alimentavam uma obsessão pelo pai adotivo? Ele deveria ser o único – se o resto do mundo não estivesse tão errado assim.
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The Father. (Louis&Harry)
FanfictionEm uma história proibida sobre luxúria, Louis é o cara casado que adotou um garotinho por sua esposa ser estéreo. Um dia, entretanto, Harry já não é mais um garotinho. Determinado a ter sua própria vida longe de Louis, Harry faz tudo que pode para m...
