Capítulo 3

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          O que pode ser considerado ser uma "boa princesa"?

          Ter a aparência impecável? Agir sempre de forma culta? Ser tão bondosa que se deixa ser raptada porque o "herói" que deve salvá-la?

          Perdão, mas eu realmente não consigo levar esses argumentos a sério.

          Ser forte, independente, decidida... Isso pode até não se encaixar no contexto de uma "boa princesa", mas é assim que eu considero que alguém no meu patamar deve agir. Mesmo estando longe de ser tudo isso.

          Talvez...

          Não, definitivamente essa forma de pensar foi o que me atraiu no Gustavo.

          E eu me lembro até hoje do evento em que nós nos conhecemos. Enquanto rolava uma pequena reunião social do meu pai com alguns amigos, a governanta me pegou praticando magia com Igor, meu irmão gêmeo. Ele até tentou me defender, mas a mulher chata gritou comigo do mesmo jeito...

          Com a bronca que levei, fui para o jardim de inverno da mansão para chorar sem que alguém me visse. Foi quando, de repente, passos leves se aproximaram.

          Olhando para o lado, vi um garoto da minha idade aparecer no corredor bagunçando o cabelo que aparentava ter levado um bom tempo para ser arrumado. Uma garotinha de cabelo encaracolado tão vermelho quanto o do seu irmão mais velho o acompanhava. Os dois começaram a se aproximar e, na mesma hora, tentei me esconder no banco.

          Mas, para a minha surpresa, ele me chamou.

          — Ei, garota, se você está chorando porque a festa está chata, então a gente saiu em boa hora. — Eu forcei um sorriso e levantei o rosto para responder, mas nem tive chance. A garotinha se escondeu atrás dele enquanto o garoto emendou uma apresentação na fala. — Meu nome é Gustavo, e essa é a Gabi, minha irmãzinha. Somos os filhos da família dos Anjos. E você?

          Eu passei a mão nos olhos para limpar as lágrimas.

          — Eu sou... E-Eu... Hm...

          Nenhum nome veio à minha mente.

          — Calma, eu só perguntei o seu nome, não quanto é sete vezes trinta e dois.

          — N-Não, eu só...

          — Você não sabe o próprio nome? — perguntou a Gabi. Aquelas palavras doeram, e eu comecei a chorar de novo. Por isso, o tal Gustavo acabou se desesperando.

          — T-Tudo bem, desculpa! Não precisa falar seu nome se não quiser, meu Deus...

          Pouco a pouco, as lágrimas pararam.

          — M-Meu nome é Isabel...

          — Gu, Gu! É a princesa! — A garota segurou firme no casaco dele enquanto me encarava, ainda com o rosto avermelhado. Minha única resposta foi assentir.

          — Então é isso... Eu vou te chamar de Isa, ok? Por que você estava chorando, princesa?

          — A-A governanta disse que eu não sirvo pra ser uma maga- Q-Quer dizer-

          — Ah, então você também é uma Herdeira?

          Eu quase pulei com a surpresa.

          — Sim... E você?

          — Se eu sei sobre isso, o que você acha?

          — É-É, você tem razão...

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