CAPÍTULO ONZE

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Eu já havia perdido boa parte da minha manhã, então precisei correr para compensar o tempo perdido. Saí à procura do salão de beleza mais próximo, com uma maçã em uma mão e uma banana na outra. Eu havia perdido o horário do buffet do café-da-manhã e não podia me dar ao luxo de sentar em alguma cafeteria, não quando eu tinha pouquíssimas horas para ficar deslumbrante. Se eu tinha intenções de não comparecer a tal festa, essas intenções foram levadas pelo vento frio de Buenos Aires assim que vi aquele vestido divino com o qual Nico me presenteou.

Tive o meu dia de rainha naquele sábado frio, apesar de ensolarado. Fiz as unhas dos pés e das mãos. Escovei o cabelo para que em seguida fosse feita uma linda trança embutida que caía sobre o meu ombro direito. E só então comecei a maquiagem. Fiquei com uma pele de porcelana, enquanto os olhos se destacavam naquele preto esfumado. A boca ficou no mesmo tom da minha pele, enquanto o meu nariz parecia um pouco mais fino. Eu estava muito satisfeita com o resultado e sabia que atrairia alguns olhares na festa... E a intenção era exatamente essa. Antes de voltar para o hotel, passei em uma loja para comprar um presente para o Nico, e algo me dizia que ele ia amar.

****

Eu estava dentro do táxi encarando a majestosa entrada daquele prédio de luxo. Era um pouco intimidante, confesso, mas nada que pudesse me impedir de estar ao lado do Nico nessa noite. Informei meu nome ao porteiro, que tratou de conferir uma lista muito maior do que o esperado por mim. Ele me guiou até o elevador e então eu tratei de subir em direção à cobertura. Respirei fundo quando a porta se abriu. Caminhei a passos cautelosos em direção à porta de onde uma música alta ecoava. Eu não sabia o motivo de tanto nervosismo... Talvez fossem as péssimas lembranças da primeira festa a que fui, na casa do Marco, tentando me sabotar.

Eu estava TÃO nervosa e as minhas pernas não paravam de tremer sob aquele salto subitamente muito alto. Marco e eu já tínhamos mais de um ano de namoro e só agora eu conheceria a sua família. Ele costumava dar milhões de desculpas para adiar esse momento, uma delas era:

− Eles adoram a Luana, Nina −ele dizia em tom desgostoso. − Ainda não aceitaram bem o nosso término e não estão prontos para conhecer outra garota.

E então, apesar de magoada, eu respeitava essa decisão. O problema é que Luana fora uma filha-da-puta que colocara centenas de pares de chifres nele e ainda assim a sua família a adorava? Isso não fazia o menor sentido para mim. Mas quando eu conheci a minha sogra, Danielle, tudo foi esclarecido na minha mente ingênua e, às vezes, perturbada. Danielle − bem como o restante da família − gostava da Luana não pela forma como ela tratava seu filho, e sim pelo que a sua imagem representava. Uma garota alta, esbelta, loira com cabelos ondulados e olhos claros como água de piscina... Ela e Marco formavam um casal perfeito para uma família perfeita. Eu? Com certeza abalaria o equilíbrio das fotos de família, fazendo com que elas pesassem na minha direção, como uma gangorra de aparências.

− Nina, essa é a minha mãe, Danielle − Marco disse quando sua mãe veio nos cumprimentar. Seu olhar percorreu desde o topo da minha cabeça até o último dedão do pé e eu via um toque de reprovação nele. Ainda assim, ela me sorriu.

− Seja bem-vinda, querida − em sua voz estridente era visível toda a falsidade estampada naquele "querida". Agradeci e ela voltou a falar. − Você tem um rosto tão bonito... − e em sua mente eu tinha certeza que ela dizia: pena que não posso dizer o mesmo do resto.

− Na verdade, querida, eu sou bonita de muitas maneiras que a senhora não consegue enxergar − eu disse usurpando um pouco do seu veneno a meu favor. − Mas não se preocupe, isso não é algo que um oftalmologista possa resolver − eu pisquei na direção dela e a minha audácia a deixou sem palavras. Eu esperava que Marco fizesse algo por mim, mas ele estava apenas parado ao meu lado feito um banana, com os olhos presos em seus tênis. Bundão!!!

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