Capítulo 2

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        "Quem imaginaria que eu teria um parceiro tão forte! Desse jeito só precisamos esperar o tempo acabar e estamos dentro!" É o que eu pensava até aqueles dois aparecerem do nada... Se eles haviam aguentado o meu ataque, então sua força era surpreendente. 

          Mas não era hora de ficar impressionado. Gustavo estava sem mana e correria perigo de verdade se entrássemos em combate. O melhor seria fugirmos.

          — Cara, nós não vamos dar conta deles-

          — Eu fico com a garota e você com o moleque. 

          — Para a minha surpresa, ele não queria fugir.

          Não sei se era orgulho ou se ele estava subestimando nossos adversários, mas seu olhar confiante me convenceu a ficar e ajudar. E mesmo que eu tentasse fugir, ele estava com os nossos totens. Não podia abandonar nossa única chance de sermos aceitos na escola.

          Se iríamos entrar numa briga, então eu daria tudo de mim.

          "Gustavo, eu serei seu escudo. Não deixarei que nada te atinja!" foi a frase que tomou minha mente.

          — Ei! Os dois poderiam poupar tempo e nos dar os totens logo? — O garoto parecia entediado com a situação.

          — Se sua prima aceitar um encontro comigo, eu dou com todo prazer — respondeu Gustavo.

          — I-Isso aqui é sério! — Eu quase gritei.

          A garota corou um pouco e logo tomou a palavra.

          — Me sinto lisonjeada, mas nem ferrando.

          — Não custava tentar. Mas se é assim, vão ter que pegar à força. — Gustavo preparou suas pistolas e apontou na direção da garota.

          — Me fala, qual a sua obsessão com ela? — Preparei minha espada também.

          — A saia curta e provocante me chamou a atenção.

          — Como você consegue falar algo desse tipo tão naturalmente...?

          — Existem dois tipos de pessoas: aquelas que escondem sua safadeza e os que se assumem. Os que se assumem são libertados da hipocrisia imposta pelo mundo.

          — Não acho que seja assim que funciona... De qualquer forma, como você vai lutar sem mana?

          — Relaxa, eu dou um jeito.

          Enquanto falávamos, o garoto ergueu sua mão. No momento em que a fechou, aumidade do ambiente desapareceu. 

          — Sem umidade no ar você não consegue usar suas armas, não é, Gustavo? —disse o garoto de moicano. — Eu já vi você lutando. Mesmo sem mana, sua arma converteas partículas de água em munição. Acabou para você. 

          — Então você é... — Gustavo tentou se lembrar de algo. 

          — Exatamente. Nós estudamos juntos. 

          — Foi mal, não tô lembrando não. 

          — M-MAS FORAM TRÊS ANOS SEGUIDOS, DROGA! — Dava para ver as veias saltando na testa dele. — Que seja, você vai se lembrar de mim depois de hoje. 

          — Vai pensando! — gritei, me pondo entre eles enquanto segurava minha espada com força. 

          — Não use uma fala clichê numa hora dessas, idiota — respondeu Gustavo, guardando as pistolas no coldre. 

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