Capítulo 17

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Eu me encontrava no escuro encarando o teto do meu quarto.

Sozinha.

A casa está em um completo silêncio, silêncio o suficiente para o som do vento poder ser ouvido.

Sarah e Rafe saíram do hospital enquanto eu contava aos outros o que aconteceu, pra falar a verdade acho que ninguém notou que Rafe estava ali ou não se importaram o suficiente dessa vez.

Eles tentaram me convencer a ir jantar no restaurante da família das Kiara, mas eu não estou nada no clima pra sair. Ou comer.

É uma merda saber que ela estava se sentindo mal e mesmo assim eu a deixei sozinha.

Eu poderia estar ao lado dela e quem sabe evitar essa situação.

Me sentei virando mais um gole da vodka em minhas mãos antes de fechá-la jogando para o lado.

Desci as escadas após duas ou três batidas na porta e beijei os lábios de Rafe assim que o vi na porta.

Eu deveria parar de beber.

— não se despediu quando foi embora do hospital, não tive tempo de agradecer — eu disse fechando a porta.

— e você bebeu — ele disse com certeza.

— a minha mãe teve um infarto, eu mereço beber — dei de ombros subindo as escadas — e então, tá fazendo o que aqui?

— não faço ideia — me respondeu quando entramos no meu quarto — eu devo parecer um otário por vir parar aqui sempre que preciso de alguma coisa.

— você deveria parar com as drogas, isso te faz parecer um otário — voltei a abrir a garrafa, dei um gole antes de entregá-la ao garoto que fez o mesmo

— obrigada pela dica, eu vou recusar — me devolveu a garrafa — na verdade eu tenho um motivo pra estar aqui.

— saudades?— perguntei irônica o vendo tirar algo do bolso antes de se sentar na minha cama — o que é?— perguntei indo conferir o papel.

— você me pediu uma receita — meu sorriso cresceu no rosto enquanto eu conferia os ingredientes, então ele não se esqueceu.

— pensei que você já não se lembrasse mais — comentei e ele revirou os olhos.

— achou que além de babaca eu sou esquecido?

— eu não tinha duvidas — me afastei para colocar a receita em um lugar onde fosse me lembrar pela manhã.

— de qualquer forma, obrigada, Rafe Cameron — eu me aproximei ficando entre as suas pernas e mexi nos seus cabelos loiros quando ele levantou o pescoço para me encarar — por tudo.

— eu não fiz nada demais — ele disse como se fosse a coisa mais natural do mundo a se dizer.

Rafe Cameron podia não saber, mas eu não teria nem mesmo encontrado o rumo do hospital sem ele. Muito menos ter ficado de pé enquanto ouvia o médico me contar o que ouve, ele estava ali para preencher documentos enquanto eu mal conseguia parar de tremer tentando achar os documentos que precisava.

Era Rafe Cameron ali com uma de suas mãos entrelaçadas na minha me confortando, era Rafe Cameron ali.

— você pode não saber ainda, mas fez tudo o que eu precisava que fizesse — admito e vi um curto sorriso nos seus lábios.

— e você está bêbada — risadas.

— não ainda — tomei mais um gole da bebida.

Senti os dedos de Rafe na lateral das minhas coxas as acariciando com o polegar e só então me lembrei de não estar vestindo mais que uma camiseta velha e calcinha.

Eu provavelmente cairia na cama e dormiria por todo um dia sem visitas já que avisei meus amigos que os veria apenas pela noite.

Rafe tirou a garrafa de minha mão e virou entre seus lábios uma grande quantidade antes de colocá-la no chão me fazendo levantar as sobrancelhas desacreditando de sua atitude.

— o que foi?— perguntou cínico.

— nada — falei me afastando pra poder tampar da garrafa — então — busquei em minha mente um assunto querendo evitar o silêncio, me sentei ao seu lado e tomei a liberdade de perguntar — você está limpo?

Rafe olhou nos meus olhos e deu de ombros, sem querer admitir se sim ou que não.

— se serve de consolo eu daria tudo por um pouco de maconha — tentei quebrar o gelo lhe arrancando risadas — mas o que nos resta essa noite é dormir, vai ficar?

— como você pode me fazer um convite desses sem nem um jantar?— ele me fez rir enquanto eu ajeitava o cobertor e tomava o meu lugar na cama com ele ao meu lado.

Contornei a orelha de Rafe com o dedo e vi o garoto sorrir de canto puxando os meus lábios para junto aos seus por um milésimo segundo onde o meu mundo girou, um efeito que não posso negar que Rafe tem é o de mexer com tudo a minha volta.

Como se mesmo sendo quem ele é fosse totalmente diferente quando estamos juntos.

Me aconcheguei em seus braços sentindo o seu perfume, o mesmo que ele deixou no meu quarto quando saiu pela manhã, me sentindo confortável e quente peguei no sono.

Opostos - Rafe CameronOnde as histórias ganham vida. Descobre agora