Isadora é uma garota um pouco desastrada, devoradora de docinhos e tímida em relação aos meninos. Ela não imaginava se apaixonar pelo cara mais perfeito que seus olhos já viram.
Payton era o tipo de garoto que toda menina iria querer. Atraente aos...
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CAPÍTULO ÚNICO —
Nunca gostei muito de usar batom para ir à escola, mas naquela manhã fiz questão de passar uma camada espessa de um gloss cor-de-rosa suave. Também deixei meus cachos soltos, algo que sempre me causou uma certa insegurança. A voz dele me dizendo que gostava dos meus cachos ainda estava viva em minha memória, bem como a textura de seus lábios contra os meus.
Aconteceu na noite anterior.
Minha melhor amiga, Lydia, me arrastou para uma festa na casa de uma das líderes de torcida da escola. A minha participação em festas se limitava a aproveitar os docinhos e a música eletrônica. Eu me via em um dos cantos da cozinha, perto da porta, comendo o terceiro brigadeiro, quando um grupo de garotos entrou. Fiquei em choque e quase engasguei com o doce. Sabe aquela garota que perde a capacidade de andar como um ser humano normal quando há mais de três outros seres humanos do sexo masculino no mesmo espaço? Essa garota sou eu.
Nesse grupinho, estava ele.
Todo mundo na escola o chamavam de Pê.
Ele era skatista, filho da professora de artes e dono do sorrisinho torto mais fofo e sensual do mundo. Esse era Payton. As garotas não disfarçavam o quanto aquilo mexia com aquelas, e ele como o bom popular que era, usava esse dom a seu favor. Aquele sorriso, o charme, a popularidade e o sotaque fofo que aquele garoto possuía quando dizia certas palavras. Tudo nele era perfeitinho. Teve um total de três namoradas, todas lindas e quase tão populares quanto ele.
Diante disso, quem eu era?
Isadora era a garota que roubava doce das festas e dançava como uma galinha depenada quando ingeria mais Coca-Cola que o normal.
Quer dizer, eu não sou exatamente feia. E naquela festa, em especial, trajando minha camisa branca, jeans escuros e uma sandália dourada, com os cabelos soltos — ousei até demais —, a imagem que eu tinha de mim mesma era uma garota muito bonita. E, como Lydia dizia, antes de me deixar comendo sozinha, “gostosa pra caralho”.
— Oi, gatinha — um dos amigos do Payton me notou. Para o meu total pânico, ele veio andando na minha direção, com um sorriso malicioso entre os lábios grossos e rosados.
Aquela era uma das minhas únicas chances de flertar com um garoto. E, obviamente, deu errado. O garoto, de lindos cabelos loiros, camisa xadrez e perfume inebriante, carregava consigo uma garrafa de bebida azul e a altivez de um deus. Ele encostou uma das mãos no balcão de madeira atrás de mim, se aproximando o suficiente para eu sentir seu hálito alcoólico.
Mal começou a festa e ele já ingeriu bebida?
Talvez aquele não fosse o garoto certo para eu começar a interagir…
— Nunca te vi por aqui — continuou falando, enquanto seus olhos me analisavam, de cima a baixo. — Novata?
— M-meu nome é... — Parei de falar quando vi a careta de nojo que ele fez, olhando para a minha boca.