Capítulo 13

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— essa vela vai matar a gente — Rafe disse pessimista.

O garoto sem nenhuma força de vontade segura a lanterna de seu celular enquanto eu acendi a vela na intenção de amenizar a escuridão do quarto.

— Holly Black — leu o nome da autora da autora no livro que estava ali — príncipe cruel, por que não me é estranho?

— é da sua irmã, Wheezie me consegue alguns livros — contei e ele pareceu surpreso.

— então você e Wheezie são tipo amigas?

— eu costumo confiar a minha amizade em quem sabe reconhecer um bom livro — dei um sorriso ao me lembrar da primeira vez que encontrei a garota, na sorveteria onde vamos até hoje.

Vai por mim, não é fácil amizade desse tipo e mesmo que ela seja mais nova é tão especial. Tão madura.

— então pra você confiar em mim eu vou precisar ler essa coisa?— levantou o livro na altura do rosto me fazendo dar risada.

— você precisaria de muito mais que isso depois de ficar assistindo o seu melhor amigo afogar o meu.

Não resisti em falar.

— sabe que o seu amiguinho pode muito bem se defender, essa energia não volta nunca?

— bem vindo ao meu mundo — eu disse me afastando das velas acesas para ajeitar o cobertor sobre a cama — eu durmo do lado da parede, você pode ficar com o outro lado.

— que gentil da sua parte — me sentei na cama com as pernas cruzadas como índios e o observei bater no travesseiro como se ele estivesse sujo.

— você já dormiu com esse travesseiro — fiz questão de lembrá-lo — se estiver sujo foi você — peguei meu celular que contem seus últimos sinais de bateria após ficar desligado o tempo todo — inclusive amanhã quando for pra casa leva meu celular?— pedi.

— por que eu faria isso? — ele disse se sentando na cama e me olhando com as sobrancelhas levantadas.

— porque você me deve mais uma — dei um sorriso satisfeito — e porque eu estou quase sem bateria.

— então Rafe Cameron é a sua fonte de energia, Naya?

— legalmente Ward Cameron mantém a energia de Rafe Cameron, então diremos intermediário.

— admite que está louquinha por mim — rindo de nervoso sem saber o que fazer, dizer ou sentir.

— admite que estava morrendo de saudades de mim, o suficiente para se dispor a vir até aqui.

— só se você admitir que o que falou não é verdade.

— sobre?

— "nem se você fosse o Charles?"

Dei risada me levantando da cama enquanto pensava em uma resposta.

— e exatamente o que você espera ouvir de mim, Rafe?

— algo mais agradável do que eu já ouvi essa noite, se for possível.

Vai Rafe me conta, conta o que está te corroendo por dentro.

Me apoiei na janela antes de olhar novamente pro seu rosto que se concentrava no meu naquele pequeno quarto clareado por velas.

— você não é o Charles — foi o que eu disse — pode interpretar como bem entender.

Ele está se aproximando.

Derrepente eu me sinto enjoada e minha garganta seca, minhas mãos estão trêmulas e eu não sei o que isso significa. Mas permaneço imóvel, nem mesmo um músculo do meu corpo se movimenta enquanto observo Rafe Cameron andando na minha direção.

O que eu deveria fazer quando senti sua mão segurar minha nuca e fechei os olhos sentindo sua testa colar na minha. A resposta era um mistério.

Um mistério que pairava sobre minha mente vazia, concentrada em apenas esperar uma próxima atitude do garoto.

Mas ela veio da minha parte.

Esbarrei meus lábios nos dele por um único segundo antes de unir nossas bocas em um beijo lento, bem lento.

Daqueles que arde, que tira o fôlego.

Daqueles que param o tempo e acalmam as batidas do coração, aqueles que desejamos que não tenha um fim.

Os lábios macios do Cameron brincavam com os meus como se fosse a sua coisa preferida no mundo. Algo no seu beijo me fez sentir especial.

Quando nos separamos trocamos sorrisos, mas nenhuma palavra precisou ser dita. Como se nós dois já estivéssemos cientes da resposta.

Opostos - Rafe CameronOnde as histórias ganham vida. Descobre agora