Capítulo 12

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A preparação do jantar corria bem, meus pais estavam um pouco silenciosos entretanto se interessavam em ouvir sobre o meu "encontro".

— vocês tem certeza que está tudo bem?— perguntei preocupada por não ter ouvido nada muito animados como o normal — vocês estão silenciosos demais.

— tudo ótimo — mamãe sorriu com uma falsa animação, do mesmo jeito que eu costumo fazer — só esperava que você fosse ter sorte dessa vez, sabe, com garotos e amores da adolescência.

— dessa vez?— eu perguntei sem entender o que exatamente ela quis dizer.

— é que nós sabemos daquela sua quedinha de criança pelo John e sabemos daquele barranco que você tenta disfarçar pelo Pope — ela continuou cortando as folhas da salada — e sabemos sobre o JJ.

— o que vocês sabem sobre o JJ?— eu perguntei em pânico.

— querida, nosso quarto é no andar debaixo — ouvi meu pai coçar a garganta desconfortável e minhas bochechas queimaram em vergonha — o que foi minha gente? sexo não é tabu, não tem problema falar sobre.

— Pai — tentei buscar socorro.

— ela tem razão — deu de ombros acendendo e apagando o esqueiro.

— mas é totalmente desconforto e invasivo — tentei usar a lógica — eu prefiro não falar sobre isso.

— acontece sempre? Com o JJ? — essa mulher não para.

— foi apenas uma vez — menti espremendo as laranjas para o suco.

— e com o John?— a olhei sem acreditar no que estava ouvindo — o que é? — o silêncio reinou entre nós, mas ela ainda olhava na minha direção vez ou outra

— vai mãe, pergunta, pode perguntar — me rendi de vez e virei o rosto vendo seu sorriso crescer

— e o filho do Ward Cameron? Rafe, não é? Você chegou com ele hoje a tarde — desisti das laranjas

— somos — passei a língua entre os lábios pensativa — estamos começando uma amizade, uma amizade e nada mais que isso.

Duas batidas na porta da frente levou meu pai a abri-la, o senhor segundos depois em um grito avisou.

"Naya sua amizade está aqui".

Olhei de relance pra mulher enquanto secava minhas mãos em um pano de prato e passei pela sala, a porta estava aberta, meu pai apenas fez um gesto com a cabeça.

O mesmo gesto que ele fazia quando JJ era uma criança procurando socorro sem querer falar isso.

Meu coração ficou apreensivo e do lado de fora vi Rafe sentado no degrau de casa iluminado pela lua, me sentei ao seu lado vendo os olhos do garoto perdidos em nenhum lugar específico.

Já não parecia o Rafe de hoje a tarde.

Eu não sabia exatamente o que fazer, mas ele não parecia machucado, talvez fosse algo mais interno e delicado.

Toquei seus cabelos loiros como forma de carinho antes de puxa-ló para um abraço, ele demorou para retribuir, mas quando o fez eu perdi a noção do tempo aconchegada em seus braços.

quer falar?— mesmo afim de saber o que estava acontecendo, eu não queria invadir o seu espaço.

Nada fala mais alto que o meu medo de ser inconveniente.

eu ficaria grato se não precisasse — ele disse saindo só abraço, mas ainda ficando próximo — será que eu posso ficar por aqui essa noite? Eu ia tentar o Pope, mas ele e a Sarah estão com problemas. Ele fica insuportável quando se trata dela.

Sua voz é baixa, mas eu não pude deixar de sorrir pensando que ele não é insuportável só por conta dela.

— claro — respondi apoiando uma de minhas pernas sobre a sua enquanto continuava a mexer nos seus cabelos.

não precisa ver com seus pais ou algo do tipo?— ele perguntou estranhando a minha resposta rápida.

eles não vão se importar — deixei claro — mas sem drogas aqui — lhe disse aquela que é uma das únicas regras da casa.

— nem tudo pode ser perfeito — Rafe sorriu ladino.

— e você tem que gostar de batatas ao murro — Pedi gentilmente.

— é tipo batata preparada a base de soco?— ali estava o humor e o fim dos sussuros.

— é batata, impossível você não gostar — me levantei estendendo a mão para ajudá-lo.

Rafe pareceu mais a vontade do que eu esperava durante o jantar, ele nem pareceu surtar ou ficou vermelho quando minha mãe contou que ele é meu total tipo de garoto. Apenas perguntou:

"Qual tipo exatamente?"

A resposta foi pior do que eu esperava e deixou no ar para o garoto todos os meus pecados

"Os que ela apresenta como amigo"

Ele pareceu tranquilo enquanto eu meu engasguei com a batata ficando roxa como uma beterraba, quando tiram a noite pra envergonhar as pessoas as coisas são complicadas.

Mas de resto foi tranquilo, nunca pensei que Rafe Cameron sorriria tanto e pareceria tão em casa com uma família pogue tão diferente da sua kook"

Opostos - Rafe CameronOnde as histórias ganham vida. Descobre agora