CAPÍTULO NOVE

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A semana havia passado voando. Eu não me permitia pensar no que isso significava para Nico e eu. Nós dormimos juntos quase todas as noites. A última, inclusive, na sua casa. Eu fiquei muito constrangida, mas Noah e Elena − minha futura sogra utópica − se esforçaram muitíssimo para que eu me sentisse à vontade. E eu me senti, mesmo quando Noah me flagrou na cozinha com uma camiseta do seu irmão e um short demasiado curto. Ele disse apenas que não expressaria comentários a respeito e me ajudou a pegar um copo de água. E me ofereceu chocolates, o que significa que gostei dele mais um pouquinho.

Nico estava no décimo sono, enquanto eu não conseguia dormir de jeito nenhum. Noah passava pelo mesmo, então nós ficamos na sacada comendo chocolates e jogando conversa fora. E nós conversamos sobre todo tipo de coisa. Quer dizer, eu ainda não perguntava a ele sobre hormônios, retirada de seios ou coisa parecida, mas às vezes ela fazia confissões pessoais e não era um problema. Ele me fez muitas perguntas sobre o Brasil, sobre a minha rotina e sobre São Paulo. Ele também queria saber se eu conhecia o Rio de Janeiro e pareceu fascinado pelo lugar enquanto eu lhe contava minhas experiências por lá.

Após algumas horas, o tempo frio começou a cobrar seu preço. Meus lábios tremiam de leve e eu estava toda arrepiada. Nós voltamos para o apartamento e nos jogamos no sofá da sala. Quando Nico acordou, nós estávamos sentados no sofá assistindo um filme de segunda e dando boas gargalhadas.

− Acho que perdi toda a diversão − balbuciou enquanto se aproximava de mim e selava seus lábios aos meus.

− Você ficou com a diversão e nós ficamos com a insônia − Noah rebateu com um sorrisinho bem parecido com o do irmão e em seguida piscou para ele.

− Eu estou aqui − lembrei, interrompendo os dois. Noah abriu espaço no sofá para que Nico se sentasse entre nós. − Não vamos falar sobre o significado de toda essa diversão, ok? − pedi com as bochechas coradas e os dois concordaram, apesar do sorriso cúmplice que eu via estampado ali.

Nico queria que eu ficasse no apartamento dele, o que definitivamente não ia acontecer. O sono começava a dar as caras, e apesar de adorar o Noah, eu não me sentiria bem ali sem seu irmão. A caminho do trabalho, ele me deixou no meu hotel e me questionou sobre a festa que aconteceria no seu apartamento no dia seguinte. Eu ainda não havia tomado uma decisão, tampouco encontrado um vestido, então as chances de eu não comparecer eram altas. Sem contar que era uma festa para comemorar o sucesso dos negócios da família: a livraria do Nico e a boutique recém-inaugurada da Elena. Haveria pessoas demais lá e eu duvidava seriamente das minhas habilidades sociais.

Mas, sem drama, não é? Eu estava ignorando propositadamente a rapidez com que se dava a minha estadia naquela cidade maravilhosa. Se permitisse, essa festa também me tiraria o sono, e não é como se eu pudesse simplesmente não dormir. Essa − até onde eu sei − não é uma história sobre vampiros. Por falar em vampiros, vocês já repararam que eles nunca são gordos? Os homens são sempre sarados e as mulheres têm silhuetas mínimas. Até no universo vampiresco nós, gordos, somos deixados de lado. Eu com certeza faria uma petição a todos os escritores do gênero, só para expressar minha indignação em relação ao assunto. Enfim, divaguei demais.

Cheguei ao hotel e aproveitei o buffet maravilhoso do café-da-manhã. Fiz um rodízio fantástico de medialunas: com queijo, com presunto, com queijo e presunto e por fim com doce de leite, com muito doce de leite. Nossa senhora, isso consegue ser mais gostoso do que churros, nem achei que tal fato fosse possível.

E então eu finalmente subi para o meu quarto, tomei um relaxante banho de banheira e só depois de estar devidamente vestida, me joguei naquela cama maravilhosa, que sem Nico, parecia exageradamente grande.

****

Acordei com mensagens de texto desesperadas da Marcela. Tinha quase dez, o que era raríssimo para a minha melhor amiga. Ela não costumava fazer dramas com frequência, na verdade, ela era a rainha do pouco caso. Logo, aquela situação era preocupante. Liguei meu notebook e resmunguei enquanto o Skype demorava milhões de anos para abrir. Quando finalmente consegui contatá-la, ela sorria de um jeito nervoso e assustador.

− Na próxima semana irei para Buenos Aires ficar alguns dias com você − ela disse tudo isso tão rápido que eu precisei de alguns segundos para processar a informação.

− Sério? − perguntei animada. − Isso é ótimo... Você ficou desesperada para me contar a novidade e por isso surtou?

− Nina − ela disse com demasiada cautela e aquilo não era bom. Nunca era. − Eu soube que o Marco está planejando ir atrás de você para pedi-la em casamento.

E foi aí que o mundo − não apenas o forninho − caiu sobre a minha cabeça.

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Pois é. Joguei a bomba e estou pulando fora, haha! Não me matem, juro que na quarta tem mais, ok? E sabe aqueles marcadores de página que prometi a vocês? Pois é, já estão prontos e ficaram lindinhos demais *-* Não sei de dá para postar fotos por aqui (vocês sabem que sou nova na plataforma e não domino nada hahaha), mas se der, me avisem e eu descobrirei como, rs! É isso, gente. Estou muito feliz com o feedback que tenho recebido e cada comentário enche meu coração de alegria <3 Obrigada, obrigada, obrigada. E ah, para quem é da baixada do Rio, amanhã estarei no LITERABEL, lá em Belford Roxo e ficaria muito feliz de encontrar alguns de vocês por lá :D

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