Capítulo 1 - O discurso

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Essa versão de Bones está sendo reformulada e revisada, novas cenas serão adicionadas e alguns detalhes na escrita corrigidos. Mesmo que tenha lido a história no twitter, aconselhamos que leia do começo, valerá a pena. 

POV Narrador

O departamento forense da polícia federal estava agitado naquela tarde de segunda-feira. Pessoas corriam entre as salas de reuniões, suas mesas e o laboratório localizado mais ao fundo do prédio imponente. A Superintendente Regional, Camila Cabello, estava no prédio e isso causava ainda mais alvoroço, fazendo todos se preocuparem com cada passo dado dentro do local.

Desde que assumira o cargo, dois anos antes, além de cumprir suas atividades administrativas, apesar de não ser sua função direta, Camila participava diretamente das análises e perícias realizadas pelo seu time técnico-científico. Fato este que contribuía para sua fama quase folclórica no departamento, os boatos que corriam os corredores carregavam diversas suposições exageradas que iam desde sua inteligência sobre-humana até modificações genéticas para que a mulher nunca dormisse e, por isto, conseguisse cumprir tantas obrigações.

Deixando de lado os misticismos, de fato, Camila era uma das mentes mais brilhantes do século XXI, aos trinta e dois anos ela já possuía três PhD, fluência em sete línguas e um currículo quilométrico de trabalhos produzidos com as maiores universidades do mundo. O que todos os seus projetos tinham em comum era a aplicabilidade no ramo forense, no qual sempre atuou.

Em pouco tempo no cargo, Camila havia construído uma equipe de perícia com destaque internacional, composta pelos melhores em suas respectivas áreas, criando um time altamente qualificado e confiável. Os quatro membros desse time eram seus braços direitos na instituição e as únicas pessoas nas quais Camila confiava ali.

Ao fim do expediente, após fecharem os últimos relatórios, era comum se reunirem na copa para tomar um café antes de irem para casa, como passavam tanto tempo juntos, acabaram criando um forte laço de amizade. Até mesmo Camila, que não costuma desenvolver relações além das profissionais, admitia que eles haviam se tornado bons amigos.

– Camila, certeza que vai fazer isso? – Troey, o psicólogo forense do time, questionou incrédulo com a informação que havia recebido a pouco.

– Tenho, já decidi. Mandei a carta de aceitação na semana passada, nas terças e sextas sairei daqui direto para USP. – Camila falou convicta de sua decisão.

– Certeza que está pronta para dar aulas? – A entomologista chefe de alguma forma tentava alertá-la sobre as responsabilidades do trabalho que havia aceito.

– Ariana, dar aulas é simplesmente falar sobre um assunto do qual tenho domínio, não enxergo dificuldades.

– Você vai ter que preparar os conteúdos para passar da melhor maneira, conversar com seus alunos... – Ela insistia, sabendo da pouca habilidade social de sua amiga.

– Não precisarei preparar nada, só os slides, o resto já está organizado em minha cabeça. – Camila falou apontando o indicador para sua testa, lembrando-os que sua memória fotográfica a ajudaria nesse processo.

– A parte que me preocupa é a de conversar com seus alunos... – Dessa vez, Normani, a especialista em computação forense, se pronunciou, um leve sarcasmo estava presente em seu tom de voz. De fato, o receio de todos ali não tinha nada a ver com a didática de Camila e sim como seria a interação dela com seus alunos.

– Não entendi essa afirmação. – Camila franziu o cenho, encarando sua amiga.

– São psicólogos... Você odeia psicologia. – Troey concluiu o pensamento de Normani.

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