CAPÍTULO OITO

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Nico me acompanhou até o meu hotel e eu precisei despejar todo o estresse acumulado em cima dele. Mas não me julguem, foi ele quem pediu. Enquanto eu contava todo o ocorrido, ele não pareceu entediado. Também não me olhou daquele jeito que diz "pare de frescura e emagreça para caber nas roupas". Não preciso dizer o quanto eu o admirei ainda mais, não é? Ele ouvia tudo com muita atenção e não achava que eu estava fazendo tempestade em copo d'água. Em alguns momentos ele riu e disse que daria tudo para ver a cena, e eu acabei rindo também. Fácil assim!

Nós saímos para jantar em um restaurante italiano e eu comi sorrentinos de jamón, uma espécie de macarrão recheado com presunto. Nico sugeriu que eu pedisse a massa acompanhada de molho sugo e não é que ele acertou em cheio? Eu já estava pensando em uma maneira de fazer contrabando alimentar para o Brasil... Além do alfajor, agora levaria também o tal do sorrentino. Ah, não posso esquecer das medialunas. Ai, como é difícil gostar de comer!

Estávamos de mãos dadas caminhando preguiçosamente pelas ruas de Buenos Aires, de volta ao meu hotel. Nico se auto-convidou para subir até o meu quarto e eu não podia ter ficado mais feliz. Eu não tive nem tempo de colocar minha bolsa em cima da cama... Antes que desse por mim, ele já havia segurado meus braços acima da minha cabeça e prendido meu corpo entre o seu e a parede. Seus lábios sedentos procuraram pelos meus e a forma como ele me devorou não pode ser descrita em palavras.

Nem o vento gélido do lado de fora era suficiente para conter as ondas de calor que ganhavam vida em meu corpo. Suas mãos fortes adentraram o meu sobretudo preto e não sossegaram até que eu estivesse livre dele. Estávamos ingressando vias perigosas, é verdade, e talvez não houvesse volta. Mas quem disse que eu conseguia raciocinar com algum discernimento enquanto seus lábios quentes percorriam minha mandíbula, meu pescoço e continuavam descendo, sem previsão de parar?!

As mãos dele tocaram minha cintura e arrancaram minha blusa de forma rápida. Precisei forçar o funcionamento dos meus pulmões enquanto Nico encarava meus seios pequenos naquele sutiã de bojo decotado. Eu podia sentir o peso do seu olhar sobre mim e também a forma como ele parecia pronto para dar o bote, como se eu fosse sua presa. Mas então seu rosto mudou e ele parecia incerto. Eu fiquei levemente constrangida, querendo a todo custo procurar a minha blusa e vesti-la novamente.

− Eu acho que estou um pouco afobado − ele confessou com um sorriso fofo. Eu estava começando a ficar confusa. − Você é tão gostosa − deixou escapar com certa incredulidade e admiração na voz. Será que ele fazia alguma ideia de como estava me afetando? De como era simplesmente impossível resistir a ele? − O que eu estou querendo dizer... − continuou constrangido, sorrindo enquanto passava as mãos pelo cabelo raspado. − É que você é gostosa demais para ser saboreada tão rápido, entende? − eu fiz que sim com a cabeça e em seguida fiz que não e eu já não sabia mais de nada nessa vida. − Um fast food pode ser engolido com pressa e sem muita atenção. Uma refeição realmente saborosa, ao contrário, deve ser apreciada com calma e certa devoção.

− Eu sou a refeição realmente saborosa? − perguntei arfando, sem conseguir desviar meu olhar do seu.

− Você é a refeição mais saborosa com a qual já sonhei − ele respondeu tão arfante quanto eu.

É provável que você, leitor, talvez ache esse papo meio estranho, afinal... Nós, mulheres, não somos simples comidas. Mas o fato é que eu amo comer, acho que nasci para isso. Comer poderia ser uma profissão, eu me daria muito bem nela. Portanto, como uma apaixonada por comidas, aquilo era um tremendo elogio. E eu continuaria pensando e divagando a respeito, não fosse o corpo de Nico se aproximar do meu e me virar, deixando-me de frente para a parede e de costas para ele. E então seus lábios tocaram meus ombros e começaram a deslizar pelas minhas costas e eu começava a descobrir centenas de formas diferentes de morrer de calor.

****

Meu corpo estava moído como se uma frota inteira de caminhões o tivesse atropelado, mas ao mesmo tempo havia uma sensação revigorante que era impossível ignorar. Ouvi um baque ao longe; algo caindo, seguido de um praguejar sussurrado. Abri os olhos preguiçosamente enquanto me espreguiçava na enorme cama de casal e avistei Nico no banheiro, escovando os dentes. Continuei em silêncio para poder observá-lo secretamente. Ele estava compenetrado, de frente para o espelho e de costas para mim. Seus ombros estavam visivelmente mais relaxados e eu não pude conter um suspiro ao me lembrar de como fora incrível percorrer todo aquele corpo com as minhas unhas; com a ponta dos dedos; com os lábios.

− Preciso tanto de um copo d'água − sussurrei baixinho junto ao seu peito nu. Nossos corpos eram um emaranhado vivo debaixo do pesado cobertor.

− Vá até o frigobar pegar − ele respondeu com um sorriso e eu resmunguei.

− Conseguiu o que quer e deixará de ser um cavalheiro? − sondei com falsa mágoa na voz.

− De maneira nenhuma − ele respondeu de forma séria, embora seus lábios estivessem visivelmente loucos para sorrir. −Apenas acho que essa é uma ótima desculpa para observá-la nua − e então, aquele sorriso safado finalmente escapou e seus olhos brilhavam contra os meus. − Você rebola enquanto anda, Nina − ele sussurrou bem pertinho do meu ouvido enquanto sua mão direita acariciava meus cabelos castanhos. − E isso me deixa louco. Todas essas curvas... Todos esses lugares infinitamente gostosos para apalpar... − eu mordi o lábio inferior e fechei as pernas na fracassada tentativa de ignorar o resultado de suas palavras. − Vá − ele disse de forma autoritária. − Rebole até a cozinha e em seguida venha rebolar... − ele se interrompeu e não precisou terminar a frase para eu saber o que estava me pedindo. Ou melhor, ordenando.

E eu o obedeci. Porque eu era uma mulher sã e finalmente havia encontrado um homem maravilhoso que apreciava, de fato, as minhas curvas. E se ele gostava de admirá-las, eu teria todo prazer do mundo em ceder aos seus caprichos.

− Acordada? − foi a voz dele que me trouxe de volta à realidade.

− Pensando na nossa noite... − confessei, incapaz de não morder o lábio inferior.

− Eu tenho alguns minutos antes do café-da-manhã − ele disse como quem não quer nada. Mas o fato é que eu queria. Na verdade, queria tantas coisas que não sabia nem por onde começar.

− Todas essas lembranças... − comecei lentamente, lutando contra o resquício de vergonha que ainda resistia dentro de mim. −... Me deixaram, hm, com vontade − confessei e não me arrependi. Seu sorrido safado, aquele que me encara meio torto, ganhou vida em seu rosto e antes que houvesse tempo para constrangimentos, ele já estava abrindo o zíper de sua calça e me puxando para si.

Ele me guiou até o banheiro e o que eu encontrei por lá? A banheira. Cheia. De. Água. Nico estava planejando tudo muito antes de mim, mas havia nele um prazer secreto em me fazer confessar certas coisas em voz alta. Não que àquela altura eu estivesse me importando.

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Oi gente! Por conta da minha aula noturna na auto escola, hoje apareci mais cedo que o habitual. Escrever esse capítulo foi um dilema e tanto, mas espero que vocês gostem. Se gostarem, não esqueçam da estrelinha e dos comentários... E lembram que eu comentei dos marcadores em comemoração as mais de 1000 visualizações? Pois bem, eles já estão sendo impressos e em breve viajarão pelo Brasil, rumo a casinha de vocês <3 Quem quiser receber os marcadores da obra deve deixar um comentário aqui nesse capítulo e enviar suas informações através desse formulário: (http://goo.gl/forms/tvbHZqfNQ). E pronto, é só esperar! Muito, muito obrigada por estarem fazendo dessa obra um projeto incrível! 

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